A Polícia Federal Argentina (PFA) esteve nas sedes da Torneos y Competencias, empresa que teve prisão do seu executivo-chefe decretada, em busca de provas sobre o seu paradeiro e procurando indícios das acusações feitas nos Estados Unidos. A ação foi um pedido da Justiça dos Estados Unidos, que tem o FBI investigando o caso.

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Alejandro Burzaco, um dos que teve a prisão decretada pelo FBI na operação que prendeu nove dirigentes em Zurique, na quarta-feira, 27, ainda está foragido. Ele chegou a postar no Twitter na terça-feira, um dia antes da operação do FBI, que estava em Londres. “Em Londres, a caminho de Zurique, o mundo da Fifa”, escreveu o argentino. A conta foi apagada.

O último registro que as autoridades argentina têm de Burzaco foi a entrada dele no país, vindo do Paraguai, no dia 14 de maio. Não há registro da sua saída, como ficou evidente que aconteceu pela postagem que fez no Twitter. Ele está foragido, com um mandado de extradição para os Estados Unidos. Além disso, ele responderá um processo por evasão fiscal na própria Argentina.

A Torneos y Competencias é a empresa de transmissão televisiva mais importante do futebol sul-americano, com base na Argentina. Detém diversos direitos de transmissão, como o da Copa do Mundo, diversos torneios da Fifa e todos os torneios da Conmebol, sem falar em uma relação bastante próximo ao governo de Cristina Kirchner, presidente da Argentina. Como explicamos neste post, a prisão do executivo da TyC pode mudar a situação dos direitos de TV da Libertadores.

A Full Play, outra das empresas investigadas, também foi visitada pela PFA em busca de documentos e indícios dos seus executivos, também foragidos da justiça. A empresa é uma joint venture entre os seus executivos e a Traffic, de J. Hawilla, e tem como uma das suas competições a Copa América. É a Full Play a responsável pela comercialização dos direitos de transmissão do torneio. Foi de quem a Globo comprou os direitos para o Brasil, por exemplo, dos torneios de 2015, 2019 e 2023, segundo informações divulgadas em 2014.

O advogado de Hugo e Mariano Jenkis, Jorge Anzorreguy, insiste que seus clientes estão na Argentina, querem colaborar e não estão foragidos. “Eu sustento que não estão foragidos. Tecnicamente, não estão. Querem se apresentar, mas seguindo o processo em liberdade. Eles têm direito de pedir, porque a lei prevê. E como existe a garantia de dupla jurisdição, queremos esperar que a Câmera resolva”, declarou o advogado ao jornal La Nación. O mandado de prisão foi expedido em primeira instância e o representante jurídico dos executivos da Full Play entrou com recurso.

A Datisa, também foi vasculhada em sua sede, em Montevidéu, no Uruguai. A empresa é composta por Alejandro Burzaco (TyC), Hugo Jenkis e Mariano Jenkis (Full Play) e José Hawilla (Traffic), este último indiciado nos Estados Unidos e fazendo delação premiada sobre o esquema de fraude, pagamento de propinas e subornos e lavagem de dinheiro. Ele já se declarou culpado destes crimes e está colaborando com a investigação, razão para deixar os executivos argentinos ainda mais preocupados.

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