Pedalada na Ucrânia chama-se Willian

Torcida de futebol tem semelhanças em todo lugar no mundo. Vai-se à loucura quando um atacante, parado,  passa o pé sobre a bola, enganando o zagueiro antes do drible. Aquela tortura psicológica parecida com o que o toureiro faz com o touro antes da morte.

Pode ser em movimento também. Como Robinho fez oito vezes com Rogério, que foi recuando, recuando até fazer o pênalti. No Brasil, chama-se pedalada. Na Ucrânia, o nome é William. Uma homenagem a Willian Borges da Silva, o garoto que deixou o Corinthians em 2007, com 19 anos, rumo ao Shakhtar, deixando 19 milhões de dólares nos cofres do time.

Foi ele que ensinou os ucranianos a pedalar. E, nas escolinhas do clube, o drible faz parte das aulas. É preciso aprender o estilo brasileiro do camisa 10 do time. Aos 23 anos, com 26 gols marcados em 175 jogos pelo Shakhtar, Willian é o maior ídolo do time. Ganhou o título de melhor jogador do campeonato ucraniano e sonha alto.

“Sou muito feliz aqui, mas gostaria de jogar em uma grande liga da Europa, como Inglaterra, Espanha ou Itália. Seria ótimo para eu me desenvolver ainda mais”, afirma. Seu contrato termina no final de 2014.

No Corinthians, Willian fez apenas dois gols em 40 jogos. E quem se surpreende com sua melhoria ofensiva vai se surpreender ainda mais com a nova postura do jogador. “Aqui, eu jogo muito mais atrás. Ajudo a marcar e saio com a bola dominada. Aprendi bastante. No Corinthians, eu jogava na frente, mas era um período ruim e a bola não entrava de jeito nenhum. Sei lá se era azar, mas o time terminou rebaixado”.

Com a mulher Vanessa, ele assiste aos jogos do time de coração. É uma maneira de manter contato com o Brasil. “Aqui é muito longe e a língua é difícil. Aprendi um pouco, mas não sou fluente. Falo um pouco de inglês também, mas não dá para entender tudo. O treinador é romeno e dá algumas instruções em português. A gente vai se virando”.

É o suficiente para tratar bem os fãs que o param na rua. “Não é como o Neymar que nem pode sair na rua, mas o assédio existe aqui também. A cidade tem um milhão de habitantes e sempre eu sou parado para dar autógrafo e tirar fotos. Ás vezes, o torcedor está com a máquina na mão e fica olhando sem coragem de pedir uma foto. Eu chamo para que fique mais perto”.

O Shakhtar tem dez brasileiros. Dois deles, Jadson e Fernandinho já tiveram chances com Mano na seleção. Mas não é Willian o melhor do campeonato?. “Tomara que ele me dê uma chance também. Tenho esperança que minha hora chegue, o trabalho aqui é duro e pelo menos a gente sabe que o Mano está olhando”.