Depois de 34 anos, o Borussia Mönchengladbach finalmente poderá voltar a disputar a principal competição de futebol da Europa. O tempo de ausência é tão grande que em 1978, última vez em que foi campeão alemão, o torneio em questão se chamava Copa dos Campeões, e agora se chama Liga dos Campeões. É necessário, portanto, se preparar para não fazer feio nesse reencontro, e a julgar pela reposição das peças perdidas, o cenário parece ser animador para o futuro.

A saída mais sentida é a de Marco Reus, vendido para o Borussia Dortmund no meio da temporada. Meia-atacante da seleção alemãc e eleito o craque da Bundesliga em 2011/12, Reus mandou prender e soltar no time nas três últimas temporadas, aparecendo sempre para o jogo, dando passes importantes e fazendo gols decisivos. Para o lugar dele, foi contratado o também jovem Luuk de Jong, do Twente, jogador um pouco inferior tecnicamente, mas também excelente e mais goleador. Os 39 gols em 76 jogos como profissional do time holandês são uma excelente credencial.

Para substituir Dante, excelente zagueiro e um dos jogadores mais carismáticos do time, foi contratado o espanhol Álvaro Domínguez, do Atlético de Madrid. Titular da seleção espanhola campeã europeia sub-21, ele pode atuar também como lateral esquerdo e chegou a botar o brasileiro Miranda no banco em alguns momentos. Nesse caso, o Gladbach perde em liderança e também em cabelos (a cabeleira de Dante fazia sucesso com a torcida), mas ganha em juventude e não perde tanto em qualidade técnica. Resta saber só se Domínguez se encaixará bem no elenco.

No meio-campo, a saída de Roman Neustädter para o Schalke 04 poderia ser um golpe para o time. Poderia, se não fosse contratado o jovem suíço Granit Xhaka para o lugar. Aos 20 anos, Xhaka foi o comandante do Basel que eliminou o Manchester United na fase de grupos da Liga dos Campeões em 2011/12 e é um dos melhores volantes do mundo em sua geração. No Gladbach, ele terá as oportunidades necessárias para crescer e se desenvolver ainda mais do que teria em um Bayern Munique, por exemplo, onde seria reserva e só entraria em caso de lesão de Bastian Schweinsteiger.

O resto do time é basicamente o mesmo do ano passado, mas algumas coisas preocupam. Mike Hanke, centroavante importante no esquema tático do técnico Lucien Favre, passou por uma cirurgia e perderá o início da temporada, dando lugar ao brasileiro/belga Igor de Camargo, que mostrou muita instabilidade na temporada passada. O jovem Peniel Mlapa, que veio do Hoffenheim, pode ajudar, mas está longe de ser a solução para os problemas ofensivos de uma equipe que se destaca por defender bem, mas sofre um pouco na hora de fazer gols.

A falta de opções de qualidade no banco de reservas também é preocupante. Se algum jogador dessa espinha dorsal do clube se machucar, não terá um substituto do mesmo nível, e na Bundesliga isso ainda pode passar batido por causa da fragilidade de um ou outro adversário. Na Liga dos Campeões, porém, o buraco é mais embaixo, a paulada vem sem dó se não houver força, e não adianta se valer apenas da aplicação tática ou do lampejo de alguém inspirado. Até porque são raros os jogadores capazes desses lampejos dentro do time. Talvez Luuk de Jong e Patrick Hermann.

O lado positivo disso tudo é que, como o time frequentou a segunda divisão em algumas oportunidades e colecionou campanhas ruins nos últimos 20 anos, qualquer coisa boa que vier é lucro. A eliminação na fase preliminar significaria uma ida para a Liga Europa, o que já não seria de todo o mal. Mas estar entre os 32 melhores times do continente pode fazer com que o clube volte a respirar ares de grandeza e ser tratado como era no tempo em que rivalizava com o Bayern Munique pelo posto de melhor time da Alemanha.