O Boca Juniors cada vez menos possui vestígios do time que conquistou o bicampeonato argentino em 2017 e 2018. Guillermo Barros Schelotto deixou a Bombonera logo depois da derrota na final da Libertadores contra o River Plate, assim como ocorreu com a maioria de seus destaques. Um a um, os xeneizes perderam Pablo Pérez, Wilmar Barrios, Lisandro Magallán e Darío Benedetto. Nahitan Nández já se despediu, só não foi confirmado oficialmente no Cagliari. Já nesta quinta-feira, Cristian Pavón se juntou ao grupo. O talentoso ponta, presente na última Copa do Mundo, tinha potencial para jogar na Europa. Entretanto, ele se junta temporariamente à legião argentina na Major League Soccer. Irá se reunir novamente com Schelotto, agora a serviço do Los Angeles Galaxy.

Ao final da última temporada, Pavón manifestou seu interesse em deixar o Boca Juniors. Após voltar de lesão, perdeu seu espaço na equipe e vinha atuando fora de posição, sem render o mesmo. Assim, optou por buscar uma oportunidade no exterior. O Porto especulava o atacante há tempos e disputava sua contratação, mas realizou uma oferta insatisfatória aos xeneizes. No fim, a relação com Schelotto falou mais alto e o jovem tentará a sorte nos Estados Unidos. Foi anunciado como reforço estelar e recebeu logo de cara a camisa 10.

Pavón permanecerá emprestado ao Galaxy por um ano, até junho de 2020. O negócio renderá US$2 milhões ao Boca. Os californianos tentaram levá-lo em definitivo, mas os US$15 milhões oferecidos por 50% dos direitos não atingiram a pedida dos boquenses. A cláusula de rescisão da promessa está estipulada em €50 milhões e a diretoria deseja se aproximar um pouco mais do valor. Os argentinos esperam que o destaque na nova equipe contribua para uma venda futura. Aos 23 anos, o habilidoso ponta tem tempo para sonhar.

A experiência na MLS terá a sua valia para Pavón. Durante o seu auge com a camisa do Boca Juniors, o atacante se destacou pelas assistências que servia e que possibilitaram gols importantíssimos ao bicampeonato nacional. Agora, terá a chance de atuar como garçom para Zlatan Ibrahimovic. Os dribles do argentino, que já faziam estrago nos torneios sul-americanos, podem se tornar ainda mais valiosos na liga americana. Quinto colocado na Conferência Oeste, o Galaxy é candidato aos playoffs, sobretudo por seu bom desempenho dentro de casa.

Do ponto de vista técnico é que a MLS não parece tão vantajosa a Pavón. Diante de sua margem de evolução, o argentino estará abaixo do nível que poderia enfrentar. Contudo, cada vez fica mais claro como a liga americana pode servir de vitrine. Sergio Almirón é o melhor exemplo, vendido ao Newcastle após arrebentar com o Atlanta United. Há outros tantos sul-americanos na competição capazes de fazer o mesmo caminho. Ezequiel Barco e Lucas Rodríguez são outros talentos argentinos nos EUA. Destaque também ao Uruguai, com Diego Rossi e Brian Rodríguez despontando no Los Angeles FC.

A Argentina, aliás, representa uma fatia notável entre os estrangeiros da MLS. É a terceira nacionalidade mais presente, atrás apenas de americanos e canadenses. Atualmente, 32 jogadores argentinos atuam na liga, enquanto nenhum outro país abaixo chega aos 20 atletas. Há medalhões já consagrados no país, como Ignacio Piatti e Diego Valeri. Ainda assim, o investimento em promessas se torna cada vez mais corriqueiro. A presença albiceleste na liga é paulatina e cresceu 40% nas últimas duas temporadas. Pavón é mais uma face desta corrente e seu impacto pode ampliar o fluxo.