A especulação atravessou semanas até que o Barcelona confirmasse, nesta segunda-feira, a contratação de Paulinho. Em um mercado pouco aquecido aos blaugranas, ao menos no que se refere às chegadas, o meio-campista desponta como o principal negócio até o momento – além da vinda de Nélson Semedo, do retorno de Gerard Deulofeu e da aquisição em definitivo de Marlon. O acerto com o Guangzhou Evergrande custou €40 milhões aos catalães, valor que transforma o brasileiro na quarta maior compra da história do clube. Aos 29 anos, Paulinho assina por quatro temporadas. E em semanas de críticas ao Barça, não só por aquilo que acontece na janela de transferências, o jogador da Seleção talvez aponte uma outra direção aos rumos no Camp Nou.

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Embora o negócio fosse dado como certo nos últimos dias, a oficialização de Paulinho soou como uma tentativa de diminuir o impacto pela derrota na Supercopa da Espanha, após a imposição do Real Madrid em plena Catalunha no jogo de ida. De qualquer maneira, até pela forma como o time de Ernesto Valverde atuou no Camp Nou, as dúvidas parecem maiores que as certezas. O meio-campista pode ser um reforço interessante ao planejamento da nova comissão técnica, mas sem necessariamente parecer suficiente.

A transferência de Paulinho ao Barcelona se torna a grande chance de redenção ao brasileiro no futebol europeu. Depois de uma passagem decepcionante pelo Tottenham, o ex-corintiano preferiu fazer fortuna no Campeonato Chinês. Na medida do possível, viveu grandes momentos com a camisa do Guangzhou Evergrande, até que sua verdadeira recuperação acontecesse na seleção brasileira, sob o comando de Tite. As grandes exibições do volante no primeiro ano do treinador à frente da equipe nacional são inegáveis. O suficiente para reabrir o mercado europeu e a gerar o interesse dos blaugranas. Para as perspectivas pessoais, a transação foi ótima.

Tanto Barcelona quanto Paulinho não pouparam esforços para concretizar o negócio. O Guangzhou Evergrande se mantinha firme sobre a manutenção do jogador e só cedeu quando os catalães cumpriram a alta pedida financeira. O meio-campista, por sua vez, abriu mão de parte do seu salário e receberá menos no Camp Nou. Sabe que dificilmente teria uma oportunidade tão boa de retornar ao futebol europeu. Mas, ainda assim, precisará lidar com as cobranças pelo preço da aposta e por não ser um jogador, ao menos a princípio, que se encaixa totalmente ao perfil que costuma ser apregoado pelos blaugranas.

Aliás, Paulinho não é o único contratado que pode ser colocado nesta prateleira, sobretudo depois de uma temporada recheada de reforços que não engrenaram – e que desde o princípio se indicavam apenas como possíveis coadjuvantes, como Paco Alcácer ou André Gomes. Resta saber se a chegada do brasileiro ajudará mesmo a imprimir a marca de Valverde nesta reformulação do Barcelona ou se apenas entra na lista de decisões a esmo da diretoria, sem a medida certa entre a renovação de um elenco vitorioso no passado e a troca de suas peças principais. A saída de Neymar, neste sentido, só agrava os problemas de uma reformulação que não demonstra uma identidade.

Paulinho pode, sim, ser um jogador muito útil no Barcelona. Já se provou em jogos grandes e se encaixa em uma posição carente do elenco, sem mais os intocáveis de outrora. Todavia, é um jogador que se marca bem mais pela potência física do que pela qualidade técnica, ainda que tenha os seus predicados na condução do jogo. E uma das maiores necessidades do time é, mais do que atletas que funcionem em campo, também personalidades que ajudem a empurrar o clube em uma determinada direção. As responsabilidades são maiores do que o usual.

De qualquer forma, não será Paulinho o único a carregar tamanha indagação nesta temporada que se inicia. A janela de transferências permanece aberta até o final do mês e a cobrança por movimentações contundentes do Barcelona serão constantes. Além disso, há a resposta que precisa vir dos próprios líderes do barcelonismo, não só em campo. Mas enquanto nada se vislumbra na Catalunha, a senda de conquistas do Real Madrid continua reluzindo. Especialmente quando a mais recente talvez tenha se encaminhado dentro do próprio Camp Nou.