A construção de um novo estádio de San Siro superou uma nova barreira nesta quinta-feira. O órgão do governo que cuida do patrimônio histórico da cidade de Milão não se opôs à ideia da demolição do estádio Giuseppe Meazza (conhecido pelo nome do bairro, San Siro, e que não muda de acordo com o time, conforme a lenda conta, como já explicamos aqui). Milan e Internazionale têm planos para a construção de uma nova estrutura no local, com um novo estádio, um parque e um centro comercial.

Segundo a autoridade italiana que gere patrimônio histórico da cidade, que é dona do terreno do estádio, San Siro não tem importância arquitetônica que impediria a sua demolição. O órgão alega que depois de várias reformas, resta apenas uma pequena parte da construção original do estádio, inaugurado em 1926. A estrutura passou por diversas mudanças ao longo da sua história, com reformas significativas em 1935, 1955, 1987/90, 2015/16.

São quatro arquitetos diferentes na história do estádio: Stacchini Cugini, do projeto original em 1925; Bertera Perlasca, na reforma de 1935; Calzolari Ronca, no projeto de 1955; e três responsáveis pelas obras de adaptação para a Copa do Mundo de 1990, as arquitetos Giancarlo Ragazzi e Enrico Hoffner e o engenheiro Leo Finzi.

A reforma mais recente foi na temporada 2016/17, para receber a final da Champions League. Só estádios que recebem a classificação de cinco estrelas da Uefa podem receber o evento e o equipamento precisou de reformas importantes. A partir dali, os clubes perceberam que o estádio estava bastante desatualizado e que uma reforma estrutural seria de fato complicada. Na apresentação dos dois projetos para o novo San Siro, os clubes justificaram por que decidiram pela construção de um novo estádio no local, e não apenas pela reforma do atual.

Milan e Inter estão conversando com a prefeitura nos últimos meses para tratar da construção do novo estádio, que teria ainda uma área comum pública, com parque e campo de futebol no local do antigo estádio, além de um centro comercial. Os clubes justificam que atualmente San Siro serve apenas como estádio e que nos dias sem jogos a região faz pouco uso do local.

Com os projetos apresentados, o local seria aproveitado todos os dias da semana, com ou sem jogos. Como os clubes e a prefeitura são sócios na gestão do empreendimento, e a prefeitura é a dona do terreno, é preciso entrar em consenso para que as coisas sejam feitas. Mais do que isso, é preciso aprovação em todos os órgãos públicos para que a obra seja validada. A ideia dos clubes é que a nova estrutura com o estádio novo fique pronta para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão e Cortina, em 2026.

Havia uma grande resistência à demolição do estádio, inclusive do prefeito de Milão, Giuseppe Sala. Por isso, os clubes fizeram modificações nos projetos, de forma a aproveitar parte do estádio nas novas estruturas – no parque e centro comercial. Com isso, parte do estádio segue sendo lembrado com as suas famosas colunas. Seriam como marcos do estádio, que ficariam visíveis no parque e também usados como parte da estrutura do centro comercial montado.

O parque construído no local será aberto ao público, inclusive podendo jogar futebol no campo onde fica o atual San Siro, já que o novo estádio ficaria em um local diferente do atual, de forma que os clubes possam continuar jogando no atual estádio até que o novo esteja pronto. Algo parecido com o que fez o Tottenham, inclusive porque a empresa que construiu o estádio é também uma das duas candidatas a construir o novo San Siro.