Patrick Vieira avaliou a situação do Arsenal, que encerrou a primeira parte da sua temporada com uma derrota pesada para o Liverpool, no último domingo, mais um episódio complicado na história recente de um clube que não se prova talhado para grandes conquistas. O atual técnico do New York City elogiou a abordagem, digamos, liberal de Arsène Wenger, mas afirmou que os Gunners melhorariam com uma pitada de José Mourinho, um treinador que exige um comprometimento tático maior dos seus jogadores.

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“Arsene sempre dá liberdade para os seus jogadores”, afirmou, em entrevista ao Daily Mirror, o jogador que foi treinado tanto por Wenger, no Arsenal, quanto por Mourinho, na Internazionale. “É bom ter essa liberdade, mas, se você puder dar liberdade e respeitar os aspectos táticos do jogo, será ainda melhor. Quando você fala sobre o José que eu tive na Inter, ele sempre se concentrava nos detalhes: dar aos jogadores as informações que o permitem ir a campo e respeitar o jogo tático”.

Para Vieira, no início de sua carreira como técnico, o profissional ideal equilibraria as abordagens de Wenger e as de Mourinho. “Você tem Arsene, sempre positivo, sempre dando confiança aos jogadores, não importa o que aconteça. Sua abordagem e relacionamento com os jogadores é interessante. Eu gostaria de ser o equilíbrio entre os dois. Gostaria que meus times tivessem a disciplina de José, mas que também possam se expressar dentro dessa disciplina, como os jogadores de Arsene”.

Vieira com Mourinho na época de Internazionale
Vieira com Mourinho na época de Internazionale

Vieira afirmou categoricamente que a atual geração de jogadores tem mais qualidade que a dele. Mas ressaltou que o seu Arsenal era capaz de vencer partidas em que estivesse jogando mal na base da supremacia física e que o atual time de Wenger precisa encontrar o equilíbrio entre a técnica e o físico.

“Se você olhar para o Arsenal de hoje em dia, eu gosto muito de vê-los jogar, eles jogam um futebol realmente muito bom, mas isso não é suficiente para vencer partidas e competições. Na nossa época, nós vencíamos e tínhamos a força para não jogar bem e, de alguma maneira, conseguir vencer o jogo por 1 a 0. Nós às vezes não jogávamos bem, mas tínhamos o físico para lidar com algumas situações. Agora, eles jogam bem, um futebol realmente bom, mas não vencem. Isso significa que o balanço entre o físico e a criatividade técnica precisa ser encontrado”, analisou.

Líder nato, Vieira rechaçou a noção de que o atual time do Arsenal não tem líderes. “Você não vai me dizer que Özil não é um líder, que Sánchez não é um líder, que Cech não é um líder. Há tipos diferentes de líderes em campo. Você tem o líder técnico, o líder que fala, o que não fala, mas mostra a liderança na dedicação e em como competir”, disse. “E você tem o tipo de líder que baterá um pênalti aos 50 minutos do segundo tempo. Isso faz parte de ser um líder também. Há líderes no time com experiência para vencer as partidas”.