Edgardo Bauza, o Patón, como é conhecido, teve uma noite de glórias. O Rosario Central, comandado por ele, foi campeão da Copa Argentina. Um título para um clube que precisava demais dele. Eram 23 anos sem uma taça. Voltar a conquistar o título com Patón é algo enorme. O treinador voltou para casa para ser campeão, no clube que o tornou gigante e onde escreveu uma história incrível como jogador. Quebrou uma marca histórica de azar.

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Aos 60 anos, o treinador voltou para o clube da sua vida neste ano de 2018, depois de fracassos sucessivos nos seus últimos trabalhos. Foi o clube pelo qual jogou duas vezes, de 1977 a 1982 e depois de 1986 a 1989, antes de retornar, em 1991, para encerrar a carreira. Mesmo sendo zagueiro, é o terceiro maior artilheiro da história do Central com 72 gols em 170 jogos, atrás apenas do histórico Mario Kempes (97 gols em 123 jogos) e Waldino Aguirre (95 gols em 189 jogos).

Foi lá, no Central, que Bauza iniciou a sua carreira como treinador. Em 1998, comandou um grande time do Rosario Central que disputou o título do Apertura, com Juan Antonio Pizzi como grande destaque. Acabou atrás do River Plate do técnico Ramón Díaz. Naquele ano, perdeu a final da Copa Conmebol para o Santos. Em 2001, foi semifinalista da Copa Libertadores, mas foi eliminado pelo Cruz Azul, que faria a final contra o Boca. Bauza estava perto de uma conquista, que não vinha desde 1995, na Copa Conmebol que bateu o Atlético Mineiro.

Só que o tempo passou. Bauza teve grandes momentos na carreira como técnico, é verdade, especialmente por LDU, com dois títulos nacionais (2007 e 2010) e a Copa Libertadores (2008), onde ganhou também a Recopa Sul-Americana (2010). Depois, venceu a Libertadores mais uma vez, com o San Lorenzo (2014).

Os seus últimos trabalhos, porém, foram bastante decepcionantes. Depois de levar o São Paulo à semifinal da Libertadores de 2016, foi para a seleção argentina. Sua passagem foi um desastre e deixou o cargo meses depois: chegou em agosto de 2016 e ficou até abril de 2017. De lá, assumiu Emirados Árabes Unidos, onde durou pouco, só quatro meses, e pediu demissão para assumir a Arábia Saudita. Mais uma vez, foi rápido: de setembro a novembro.

Em maio de 2018, assumiu o Rosario Central, voltando, enfim, para casa. Havia a expectativa do treinador argentino voltar ao Equador. A relação com o seu clube de coração e pelo qual fez a sua carreira pesou. Ele voltou. E conquistou a glória. Leva o Rosario Central a um título tão esperado em uma conquista para lá de sofrida. Goleou Juventud Antoniana, mas sofreu contra Talleres e Almagro, em ambos duelos tendo que passar pelos pênaltis para avançar. Veio o duelo histórico com o rival Newell’s nas quartas de final, uma vitória que fica marcada. Foi mal contra o Temperley, na semifinal, mas avançou nos pênaltis. Por fim, a vitória diante do Gimnasia La Plata na final.

Patón Bauza termina a temporada com uma taça entre as mãos. Uma taça para a galeria do Rosario Central e que tem um peso enorme para uma torcida que tanto esperava por isso. Mais uma vez, o treinador precisou mostrar o seu valor com o jogo, em campo, e escreve mais uma página gloriosa com o seu nome na história do clube de Rosario.