O Milan sabia que fazia uma aposta quando contratou Marco Giampolo. Profissional que começou a carreira como uma promessa e chegou a ser especulado na Juventus para substituir Claudio Ranieri, ele precisou recomeçar nas divisões inferiores antes de fazer um bom trabalho no Empoli e depois na Sampdoria, sem nunca ir muito além do meio da tabela. Apenas 111 dias e sete jogos depois, a resposta chegou: o Milan perdeu a aposta.

Depois do pior início do clube no Campeonato Italiano em 80 anos, o Milan venceu o Genoa, mas em um contexto mais épico do que a fragilidade do adversário exigia. Saiu atrás, com uma falha feia de Pepe Reina, virou o jogo com gols de Theo Hernández e Franck Kessié, de pênalti, mas teve Davide Calabria expulso, a 11 minutos do fim. Nos acréscimos, Schöne, autor do primeiro gol, teve a chance de empatar com uma penalidade máxima, mas o goleiro espanhol se redimiu e fez a defesa crucial.

Apesar dos três pontos, outra atuação fraca foi a gota d’água para a diretoria do Milan, que tem Paolo Maldini na parte técnica e o executivo Ivan Gazidis, ex-Arsenal. Giampaolo foi demitido, nesta terça-feira, como o técnico de passagem mais breve da história do Milan, excluindo interinos, e Stefano Pioli deve ser o nono homem a comandar o clube desde a saída de Massimiliano Allegri, em 2014. Essa conta inclui os técnicos provisórios.

Começou com Mauro Tassotti esquentando o banco para Clarence Seedorf, que apenas terminou a temporada 2013/14. Foi sucedido por Filippo Inzaghi (um ano) e Sinisa Mihajlovic (menos de um ano). Cristian Brocchi terminou a campanha para Mihajlovic, e Vincenzo Montella assumiu. Ele conseguiu transcender uma temporada e até ganhou um título de menor importância, a Supercopa da Itália, mas também caiu. Em novembro de 2017, Gennaro Gattuso foi promovido da base e ficou no cargo até o semestre passado.

Giampaolo chegou sem experiência em clubes grandes ou títulos, mas tinha alguns predicados que atraíram o interesse do Milan, e depõe a favor das suas qualidades a maneira como a Sampdoria desandou com a sua saída. De uma posição sólida no meio da tabela, chegou à sétima rodada com apenas uma vitória e seis derrotas e a pior defesa do campeonato, o que levou à demissão de Eusebio di Francesco, mais um técnico jovem e promissor que, depois do bom trabalho no Sassuolo e de não ter ido tão bem na Roma, encontra uma encruzilhada na carreira.

Seus principais atributos eram favorecer o ataque e ter um bom histórico de desenvolver jovens, essencial para um clube grande que precisa renascer. No entanto, depois de dois meses, o Milan, em vez de um futebol ofensivo, jogava futebol nenhum, com dificuldades nas duas áreas e apenas seis gols, sendo três de pênalti. E em tão pouco tempo nem dá para avaliar a sua influência nos jovens do elenco.

O que dá para avaliar é que o Milan pareceu realmente um catadão nesses sete primeiros jogos, que começaram com derrota para a Udinese. Houve uma breve recuperação, em termos de resultados, com vitórias pelos placares mínimos contra Brescia e Verona, antes de três derrotas seguidas, para Internazionale, Torino e Fiorentina. No meio do caminho, abandonou rápido a sua formação favorita, o 4-3-1-2, com Suso na ligação para dois atacantes, com o atacante espanhol pela direita, Rafael Leão ou Bonaventura no outro lado e Piatek pelo centro.

Mas nada melhorou a bola que o Milan estava jogando, e a diretoria rossonera interpretou o cenário como irreversível. Deve ir agora pela direção da experiência. Tentou Luciano Spalletti, ainda sob contrato com a Internazionale, mas não houve acordo financeiro. O favorito do momento é Stefano Pioli, com uma longa lista de clubes no currículo e nenhum título importante. Na tentativa e erro, tenta encontrar um caminho e acaba sendo o único jeito porque nenhum tipo de projeto tem tempo de encontrar embalo no Milan.