Vitória por 2 a 0 no Defensores del Chaco, no primeiro jogo da final da Libertadores. O filme vivido pelo Olimpia após o triunfo sobre o Atlético Mineiro está longe de ser inédito. Outras três vezes, os franjeados passaram pela situação no torneio continental. E já estão calejados para o que acontecer no Mineirão – ainda que a ambição por “la quarta” seja maior.

A primeira experiência foi em 1979, depois de desbancar o então bicampeão Boca Juniors em Assunção. Na volta, em La Bombonera, o empate sem gols foi o suficiente para a festa dos visitantes. Porém, uma vitória simples dos xeneizes seria suficiente para forçar um jogo-desempate, já que a diferença de gols não contava como critério de desempate.

Em 1989, o desgosto aconteceu no estádio El Campín, na Colômbia. Outro Atlético, o Nacional de Medellín, conseguiu reverter a situação. No jogo de volta, os Verdolagas derrotaram os paraguaios pelo mesmo placar e levaram a decisão para os pênaltis. Foi quando brilhou René Higuita, defendendo quatro das nove cobranças dos adversários e assegurando a taça ao Nacional.

Já em 1990, o Olimpia não caiu no mesmo erro. O Decano segurou o empate por 1 a 1 contra o Barcelona, em Guayaquil, e faturou o torneio continental pela segunda vez. Todos os três títulos dos paraguaios na Libertadores, por sinal, foram garantidos longe de Assunção. Além de 1979 e 1990, em 2002, quando os paraguaios perderam em casa, deram o troco no Pacaembu e foram campeões graças aos pênaltis.

Desde que o jogo-extra foi abolido como regulamento na final da Libertadores e a diferença de gols passou a valer como critério, há 25 anos, em seis oportunidades uma equipe venceu a primeira partida por dois gols de vantagem. E o único derrotado que conseguiu superar a pressão e ficar com a taça foi justamente o Atlético Nacional, em 1989.

Em 2008, o Fluminense esteve próximo. Depois de perder para a LDU por 4 a 2 em Quito, os Tricolores devolveram a diferença no Rio de Janeiro, com o triunfo por 3 a 1. Todavia, a equipe das Laranjeiras não foi eficiente nos pênaltis e acabou com o vice-campeonato. Já Olimpia (1990), Grêmio (1995), Vasco (1998) e Boca Juniors (2003) mantiveram a vantagem obtida na ida para chegar ao topo da América. Retrospecto que mostra que a missão do Atlético Mineiro é possível, mas não tão simples assim.

As vitórias por dois gols de diferença no jogo de ida da final*:

1989 – Ida: Olimpia 2×0 Atlético Nacional; Volta: Atlético Nacional 2×0 Olimpia e, nos pênaltis, 5×4
1990 – Ida: Olimpia 2×0 Barcelona; Volta: Barcelona 1×1 Olimpia
1995 – Ida: Grêmio 3×1 Atlético Nacional; Volta: Atlético Nacional 1×1 Grêmio
1998 – Ida: Vasco 2×0 Barcelona; Volta: Barcelona 1×2 Vasco
2003 – Ida: Boca Juniors 2×0 Santos; Volta: Santos 1×3 Boca Juniors
2008 – Ida: LDU 4×2 Fluminense; Volta: Fluminense 3×1 LDU e, nos pênaltis, 3×1 LDU

* A partir de 1988, quando o saldo de gols passou a valer como critério