Andrea Barzagli é um nome inerente à década vitoriosa da Juventus na Serie A. De certa maneira, o zagueiro ajudou a mudar os rumos do clube a partir de sua chegada, em 2011. O veterano trazido do Wolfsburg fortaleceu o sistema defensivo e, desde então, não parou de empilhar taças. São 16 troféus erguidos em oito temporadas e meia em Turim, incluindo oito Scudetti. O quarteto ao lado de Buffon, Bonucci e Chiellini permanecerá no imaginário dos juventinos. Porém, aos 38 anos, o defensor decidiu pendurar as chuteiras. Com problemas físicos cada vez mais recorrentes, o ídolo recebeu a homenagem da torcida neste domingo, em seu último jogo no Estádio Allianz. Foi um emocionado adeus a quem tanto construiu com a camisa bianconera.

A Juventus sempre será o grande clube da carreira de Barzagli. Apesar da ascensão no Palermo e da importância no Wolfsburg (com o qual faturou a Bundesliga em 2009), o zagueiro atingiu um novo patamar em Turim. Conquistou muitos títulos, figurou na seleção da Serie A em quatro temporadas, passou a ser considerado um dos melhores defensores do mundo. Foram 281 partidas pela equipe, 206 apenas pela Serie A. Por mais que as contusões tenham custado sua frequência nos últimos anos, seu peso na dinastia juventina é inegável.

“No verão em que conquistamos o primeiro título, enquanto eu estava de férias, só pensava em vencer o segundo. Eu tive uma fome que nunca havia sentido antes. Até então, eu possuía uma mentalidade medíocre, que me fazia ser um jogador medíocre. Não tenho certeza do que aconteceu na Juventus, mas minha mentalidade se transformou. Não sei como, mas ninguém irá mudá-la novamente”, declarou ao site do clube. Em 2012, vale lembrar, ele anotou o gol que fechou a campanha vitoriosa da Juve. No jogo final contra a Atalanta, a torcida pediu e o zagueiro cobrou o pênalti que ratificou a conquista nos acréscimos do segundo tempo.

Barzagli, além do mais, merece respeito por aquilo que conseguiu na seleção italiana. Ainda jovem, conquistou o Europeu Sub-21 de 2004 e também o bronze olímpico nos Jogos de Atenas. Seria ele o zagueiro reserva durante a Copa do Mundo de 2006, integrando o grupo tetracampeão, em experiência vital à sua carreira. Depois disso, se fez presente em mais cinco competições internacionais, incluindo o vice-campeonato na Euro 2012. Quase sempre como titular, o beque completou 73 partidas com a Azzurra. Está entre os 20 jogadores que mais vestiram a camisa do país, 11° entre os defensores. Aparece em uma seleta lista ao lado de craques do porte de Fabio Cannavaro, Paolo Maldini, Giacinto Facchetti, Franco Baresi e Gaetano Scirea.

Diante de tudo isso, o adeus de Barzagli em Turim não poderia ser menos que grandioso. Antes que a bola rolasse, ele foi recebido com uma guarda de honra no gramado e ganhou uma placa comemorativa listando suas conquistas. Já o momento mais especial aconteceu aos 15 minutos do segundo tempo, quando Massimiliano Allegri resolveu substituir o zagueiro. O estádio ficou em pé para aplaudi-lo, enquanto uma enorme faixa agradecia os seus serviços prestados. Inescapavelmente, as lágrimas brotaram nos olhos do veterano. Por fim, voltou ao campo para erguer a taça do octa com os demais companheiros e dar sua última volta olímpica. A lembrança derradeira de quem fica para a história da Juventus.