O Boca Juniors x River Plate será algo único na história da Libertadores. Demorou 58 anos para acontecer em uma final, sabe-se lá quando irá se repetir e, muito provavelmente, demorará ainda mais para que não ocorra como asséptico jogo único. O clima fervilhante toma a Argentina e interessa fanáticos em todos os cantos. A ponto de alguns mais malucos tomarem medidas drásticas, a exemplo de Leandro Paredes. O meio-campista do Zenit foi acusado de receber um cartão vermelho de propósito na rodada passada do Campeonato Russo, apenas para ficar suspenso e voltar ao seu país, onde assistiria ao jogo de ida nas arquibancadas.

Paredes possui uma relação umbilical com o Boca Juniors. O meio-campista chegou às categorias de base xeneizes em 2002, quando tinha apenas oito anos de idade. Fez sua estreia profissional em 2010 e permaneceu por lá até 2014, vendido ao Chievo. Metade de seus 24 anos de idade se decorreram nos corredores boquenses, onde chegou a ser declarado como o “sucessor de Riquelme”. Assim, o prata da casa não desejaria perder de qualquer forma o primeiro compromisso da final, na sua velha La Bombonera.

Paredes recebeu dois amarelos durante a vitória do Zenit sobre o Akhmat Grozny, pelo Campeonato Russo. Viu o primeiro cartão na metade do segundo tempo, quando sua equipe já vencia por 1 a 0, e foi para o chuveiro a sete minutos do fim. Perderá o importante compromisso com o CSKA Moscou. Embora as autoridades do futebol russo não tenham apresentado nenhuma queixa contra o argentino, nas redes sociais os torcedores mais exaltados passaram a acusá-lo. De fato, as expulsões são raras na carreira do jogador, apenas duas em mais de 150 jogos. Seria justificável, por si só?

Horas depois, Paredes desmentiu a teoria. Porém, confirmou que ganhou a autorização do Zenit para viajar à Argentina. “Respeito meu clube e meus companheiros, as pessoas sabem muito bem que jamais faria isso. E mais, tenho a autorização do clube para viajar”, apontou, ao Olé, deixando o ar de mistério. “Eu faria de tudo para estar na situação dos jogadores do Boca. Trata-se de uma final diferente de todas, espero que se possa desfrutar. Ofereci para apostar com meus colegas de Zenit que jogaram no River, mas apenas Driussi aceitou. Com isso, tentamos reduzir um pouco a ansiedade”.

Resta saber qual será a postura do Zenit para o jogo de volta, no Monumental de Núñez. Emanuel Mammana, Sebastián Driussi e Matías Kranevitter passaram pelo River Plate no início de suas carreiras. No dia seguinte ao segundo jogo decisivo, os celestes encaram o Rostov, pelo Campeonato Russo. Se os direitos iguais prevalecerem, os desfalques serão ainda mais amplos. Mais três expulsões contra o CSKA?