Dos últimos 19 jogos que disputou, o Manchester United perdeu apenas um, contra o Southampton. Foram 13 vitórias e cinco empates nos duelos restantes do período iniciado em novembro do ano passado. Por si só, esses números passam a impressão de que tudo está bem no Old Trafford, mas, pelo contrário, a pressão tem sido grande, e partido de todos os lados, por uma melhora. Embora os resultados estejam sendo alcançados frequentemente, as atuações convincente têm sido raras, e até o técnico Louis van Gaal pediu aos jogadores um futebol mais atraente. Justo ele, pragmático e insistente em decisões que apontam o contrário.

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Quem revelou a exigência do técnico foi o zagueiro Jonny Evans, em entrevista ao jornal Independent. “Nós, jogadores, sabemos que precisamos jogar melhor. Acredito que o treinador queira que joguemos um futebol mais atraente”, afirmou o defensor.

É engraçado saber que tal demanda tenha partido de Van Gaal. A vitória de virada sobre o Preston North End nesta segunda-feira, que assegurou o time nas quartas de final da Copa da Inglaterra, foi a última das atuações abismais do time, que demonstrou muita falta de criatividade no ataque e só conseguiu o triunfo sobre o time da terceira divisão quando avançou o grandalhão Fellaini para a posição de centroavante e apostou na bola aérea para pressionar o adversário.

Mesmo contando com jogadores de alto nível no meio de campo e no ataque, como Rooney, Di María, Van Persie e Falcao, a equipe ainda não apresenta melhoria ofensiva significativa na temporada, e o tipo de jogo que levou a equipe à vitória contra o Preston tem sido de certa forma a regra nos Red Devils. Quando o padrão observado é este, de poucos recursos na criação de jogadas, fica difícil desassociar o insucesso de Van Gaal. O treinador até mesmo pagou o mico de levar uma série de dados para provar que o time não abusa do chutão para frente, após provocação do técnico do West Ham, Sam Allardyce.

A própria insistência do holandês em manter atletas criativos e cheios de técnica como Juan Mata e Ander Herrera no banco de reservas (embora o segundo tenha sido titular nesta segunda), ou de escalar Rooney tão recuado, vai de encontro à proposição de que o time precise atuar de forma mais vistosa. Telê Santana tinha a filosofia de deixar que os jogadores fizessem o que achassem melhor em campo, e isso resultou em um dos times mais legais de se ver na história do futebol. Talvez falte um pouco disso ao técnico do United: menos invencionices e mais liberdade aos craques.