Mesmo com o primeiro turno do Campeonato Holandês já encerrado há duas semanas, só neste início de 2016 a intertemporada holandesa se acelerou, com os times já viajando para os tradicionais destinos, onde o clima é ameno o suficiente para permitir treinos mais fortes rumo à parte final da Eredivisie. Foi o que o PSV fez, viajando a Malta, enquanto o líder Ajax repete um destino comum (Belek, na Turquia) e o Feyenoord vai a Portugal – precisamente, a Albufeira, distrito de Faro, no Algarve.

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Nem mesmo boatos de transferências se aceleraram. Entre os grandes, o único mencionado foi o Ajax: é altamente provável a saída de Ricardo van Rhijn, lateral direito, rumo ao Galatasaray, enquanto o diário “De Telegraaf” fala na chegada de Bertrand Traoré, do Chelsea, para os últimos seis meses da temporada. Mas como não há fatos e nem há muita coisa a comentar, é melhor apresentar a tradicional avaliação que a coluna faz do primeiro turno das dezoito equipes da Eredivisie 2015/16.

De Graafschap

Posição: 18º colocação, com 5 pontos
Técnico: Jan Vreman
Time-base: Jurjus; Will, Van de Pavert, Straalman e Tesselaar; El Jebli, Smeets e Driver; Vida (Peters), Vermeij e Kabasele
Artilheiros: Andrew Driver, Cas Peters, Vincent Vermeij e Nathan Kabasele (todos com 2 gols)
Destaque: Andrew Driver (ponta de lança)
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Os Superboeren só escaparam de ter o pior início de sua história no Campeonato Holandês por uma única vitória. O retorno à Eerste Divisie só será evitado em caso de milagre.

Na pausa de inverno da Eredivisie passada, o Dordrecht (lanterna de então) tinha nove pontos. Pois bem: ao final das primeiras 17 rodadas, o De Graafschap tem cinco. Por aí já se tem uma noção de como o time de Doetinchem está destinado a voltar à segunda divisão holandesa. O pior é que várias vezes os Superboeren mostraram garra elogiável. Tanto que venderam caro as derrotas para PSV, Feyenoord e Ajax. E a dedicação vista nas atuações até eleva a qualidade de alguns jogadores, como o goleiro Hidde Jurjus, o ponta de lança Andrew Driver e os atacantes Vincent Vermeij e Nathan Kabasele. Até por isso, a torcida tem comparecido aos jogos e mantém apoio incondicional. Porém, a desvantagem de oito pontos para o penúltimo colocado mostra: de nada adianta esforço sem capacidade financeira e técnica para disputar mais seriamente. O De Graafschap segue praticamente sem esperanças, na rota de um esperado rebaixamento.

Twente

Posição: 17ª colocação, com 13 pontos (abaixo pelo menor saldo de gols)
Técnico: Alfred Schreuder (até a 3ª rodada) e René Hake
Time-base: Drommel (Marsman); Ter Avest, Bijen, Bruno Uvini (Andersen) e Van der Lely; Tapia (Gutiérrez), Ziyech e Mokotjo; Olaitan (Agyepong), Oosterwijk e Cabral (Ede)
Artilheiro: Hakim Ziyech (10 gols)
Destaque: Hakim Ziyech (meio-campista)
Objetivo do início: play-offs por vaga na Liga Europa/ficar no meio da tabela
Avaliação: Até agora, a temporada mostra que a crise do Twente é maior e mais destrutiva do que se esperava. A batalha para se livrar do perigo de descenso será árdua, ainda mais se Ziyech deixar o clube.

Já se sabia que a crise dos Tukkers era grande fora de campo. E que esta temporada atual mais serviria para ajeitar a casa do que para mostrar os brilhos de outros tempos. Pois bem: o que perturbava fora de campo passou a influir dentro. Já sob pressão desde o início da temporada, Alfred Schreuder caiu logo na 3ª rodada. René Hake entrou e fez a única coisa possível: apostar na garotada. Todavia, esta não correspondeu, mostrando irregularidade demasiada dentro de campo. Para completar a espiral desastrosa, o contrato revelado com o fundo de investimentos Doyen trouxe ainda mais gravidade à falta de rumo vivida em Grolsch Veste.

Unanimidade, só numa opinião: Hakim Ziyech foi a única razão para otimismos. Assumiu o protagonismo sem medos, foi quem mais marcou gols e quem mais assistências deu no time, cresceu de produção num cenário adverso… enfim, não foi à toa que o marroquino esteve em todas as seleções de turno da Eredivisie. Exatamente por isso (e pelo dinheiro que isso traria aos combalidos cofres), sua saída nesta janela de transferências é quase certa. E aí, restará ao Twente se esforçar com toda a garra e todo o talento disponíveis para evitar que os monumentais problemas resultem na queda. Por enquanto, está difícil.

Cambuur

Posição: 16ª colocação, com 13 pontos
Técnico: Henk de Jong
Time-base: Nienhuis; Peersman, Dammers, Van der Laan e Andriuskevicius; Overgoor, Bakker e Van de Streek (Monteiro Alvarenga); Rosheuvel (Narsingh), Ogbeche e Houtkoop (Barto)
Artilheiro: Bartholomew Ogbeche (9 gols)
Destaque: Bartholomew Ogbeche (atacante)
Objetivo do início: play-offs por vaga na Liga Europa/ficar no meio da tabela
Avaliação: A situação esteve difícil em quase todo o turno, mas houve ascensão promissora dos Leeuwarders no final. Ela precisa seguir já no início do returno, para facilitar a fuga da zona de repescagem/rebaixamento.

Por boa parte da primeira metade da temporada, o Cambuur teve sérios problemas. A começar pelo gol: Leonard Nienhuis deu muita dor de cabeça ao técnico Henk de Jong, que chegou a barrá-lo em alguns jogos, dando chance ao reserva Harm Zeinstra. Pior: mesmo com boa parte dos jogadores vindos desde a temporada passada, o nível técnico foi lamentável em grande parte do tempo. Tanto é que foi justamente contra o time de Leeuwarden que o lanterna De Graafschap conseguiu a sua primeira vitória na temporada.

E assim como o Twente, as esperanças dos Leeuwarders resumem-se a um nome, que faz por onde merecer as apostas: Bartholomew Ogbeche. É visível que o experiente atacante nigeriano traz uma referência e uma habilidade que o resto da equipe não tem. E Ogbeche ainda aproveita as chances que tem, colocando-se bem na lista de goleadores do Campeonato Holandês. Para melhorar, ele destacou-se em duas vitórias importantes, contra NEC e Excelsior, nas duas últimas rodadas do primeiro turno. Foram esses triunfos que tiraram o Cambuur da penúltima posição. E é com essa ascensão (e com uma boa intertemporada, e com a permanência de Ogbeche) que o clube precisará continuar, se quiser manter-se na divisão de elite do futebol da Holanda.

Roda JC

Posição: 15ª colocação, com 16 pontos
Técnico: Darije Kalezic
Time-base: Van Leer; Dijkhuizen, Swinkels, Sankoh e Van Peppen; Griffiths, Faik, Rutjes e Van Hyfte; Juric e Gyasi
Artilheiro: Tom van Hyfte e Tomi Juric (4 gols)
Destaque: Tomi Juric (atacante)
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Sempre que promete se descolar da parte de baixo da tabela, o time de Kerkrade decepciona. E sempre que periga afundar, consegue surpreender. Para melhorar, precisa ser mais regular no returno.

Poucos times foram mais irregulares do que o Roda JC nesta temporada do Campeonato Holandês. Resultados promissores não faltaram: os Koempels estrearam ganhando do Heracles, a grande surpresa da temporada. E empataram com Feyenoord e PSV. Porém, a mesma defesa que fez bonito em Eindhoven, contendo o atual campeão holandês, teve atuação risível contra o Ajax, punida com um 6 a 0. Além do mais, por muitas vezes ensaiava uma manutenção promissora no meio da tabela, mas sempre vinha um péssimo resultado para impedir a ascensão.

A falta de confiança ofensiva explica um pouco essa montanha-russa de desempenhos: somente quando Tomi Juric entrou para os titulares, atuando mais na finalização, o Roda ganhou algum tipo de referência na frente. E a janela de transferências já trouxe a perda do leonês Gibril Sankoh, que se consolidava na zaga, junto a Arjan Swinkels. Restará a Jordy Buijs, zagueiro recém-contratado, integrar-se ao setor, que ensaiava um maior entrosamento ao final do turno. Essa segurança, mais as boas atuações de Van Hyfte e Juric, podem reverter a perigosa queda nas rodadas recentes. E, quem sabe, definir de vez a cara do Roda JC nesta temporada.

Excelsior

Posição: 14º colocação, com 17 pontos
Técnico: Alfons “Fons” Groenendijk
Time-base: Muyters; Karami, Fischer, Mattheij e Kuipers; Kruys, Stans, Auassar e Kuwas; Van Weert e Van Mieghem (Hasselbaink)
Artilheiro: Jeff Stans (5 gols)
Destaque: Tom van Weert (atacante)
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Os Kralingers estão em situação semelhante à do Roda JC: precisam de maior regularidade para evitar uma aproximação mais perigosa da parte de baixo. E até mostram um time mais entrosado para isso.

Se o Roda JC está numa posição pior em virtude da sua irregularidade e da falta de estofo ofensivo, o Excelsior até está onde se esperava ao final das primeiras 17 rodadas. Já se sabia que o time de Roterdã sofrera para se manter na Eredivisie, na temporada passada, e que sofreria de novo. Dito e feito: entre ascensões que o levaram mais perto do meio da tabela e resultados mais duros, a equipe do bairro de Kralingen se mantém à frente do Roda JC, a duras penas. O pior é que os resultados do final do turno foram tão ruins quanto os da equipe de Kerkrade: apenas dois pontos nos últimos cinco jogos, um acima dos Koempels, exatamente o ponto que os faz diferir de posição na tabela.

A única característica em que o Excelsior pode confiar para lhe livrar da dura situação e lhe permitir escapar do rebaixamento é o entrosamento de sua equipe: grande parte dos titulares já conseguiu esforço suficiente para o impulso que evitou a queda na última temporada. Além do mais, há alguns jogadores que fazem bom papel vez por outra, como o armador Jeff Stans, o ponta de lança Brandley Kuwas e os atacantes Tom van Weert e Nigel Hasselbaink. É nessas pequenas coisas positivas que o Excelsior terá de trabalhar na intertemporada, para conseguir superar o Roda JC e se afastar das últimas posições.

Willem II

Posição: 13º colocado, com 18 pontos
Técnico: Jürgen Streppel
Time-base: Lamprou; Van der Struijk (Joppen), Dries Wuytens, Peters e Koppers; Braber, Falkenburg e Stijn Wuytens; De Sa, Zivkovic (Andersen) e Van der Velden
Artilheiro: Erik Falkenburg (8 gols)
Destaque: Erik Falkenburg (meio-campista)
Objetivo do início: play-offs por vaga na Liga Europa/ficar no meio da tabela
Avaliação: A má sequência do início da temporada trouxe o temor de rebaixamento. Ele até persiste, mas os Tricolores parecem mais organizados para cumprirem os objetivos iniciais da temporada.

Depois de uma temporada elogiável, na qual até disputou os play-offs por vaga na Liga Europa, o Willem II pretendia fazer deste um campeonato para afirmar que o passado não fora sorte de um time retornado à primeira divisão. Só agora está começando a mostrar isso, após um péssimo início de temporada: só foi vencer na sexta rodada. Esse mau início representou um solavanco forte para os Tricolores, que por algum tempo frequentaram a zona de repescagem/rebaixamento, na 16ª posição. E a bem da verdade, a falta de entrosamento da equipe causou um problema até maior, já que o time não embalava.

Essa sensação de “o pior já passou” só chegou com o empate contra o PSV e, principalmente, com a vitória contra o Twente. Tanto por ser um oponente direto na disputa para sair das últimas posições, quanto por mostrar ótima atuação de um reforço, Lucas Andersen. A partir deste triunfo, os Tilburgers decolaram na temporada. E conseguiram uma boa sequência nas rodadas finais do primeiro turno: garantiram três vitórias e um empate, o que lhes deu maior respiro para o trabalho na intertemporada. Com um time mais entrosado e começando a funcionar no ataque (com mais gente a ajudar o destaque Falkenburg), o Willem II ainda pode livrar-se em definitivo dos problemas, no segundo turno.

AZ

Posição: 12º colocado, com 19 pontos
Técnico: John van den Brom
Time-base: Coutinho; Johansson, Van der Linden (Vlaar), Gouweleeuw e Haps (Brezancic); Rienstra (Haye), Van Overeem, Henriksen e El Hamdaoui; Dabney dos Santos e Janssen
Artilheiro: Markus Henriksen (7 gols)
Destaque: Vincent Janssen (atacante)
Objetivo do início: vaga direta na Liga Europa/vaga na Liga dos Campeões/título
Avaliação: Perdido na apatia mostrada em vários jogos e na indefinição tática, o AZ é a grande decepção do campeonato, por enquanto. Não corre perigo, mas faz bem menos do que prometia.

Classificado para a fase de grupos da Liga Europa e vindo de uma arrancada que lhe rendera o terceiro lugar na Eredivisie passada, o AZ prometia um desempenho bastante honroso na atual temporada. Afinal, John van den Brom estava bem credenciado como técnico, após os problemas com Marco van Basten e Alex Pastoor em 2014/15; e da base que fizera bonito, somente Áron Jóhannsson, Wesley Hoedt e o goleiro Esteban haviam deixado Alkmaar. Meio ano depois, o cenário é bem desolador. Não que os Alkmaarders sejam um time indefensável. Mas demoraram demais até conseguir algum entrosamento: Van den Brom pensou o time numa infinidade de esquemas, até se fixar num 4-4-2 (que também não saiu a contento, ainda).

E os jogadores também mostraram apatia excessiva, a começar pelo primeiro jogo da temporada: um 3 a 0 inapelável do Ajax. Alguns reforços decepcionaram, como o goleiro Sergio Rochet e quase todos os atacantes. Isso forçou a diretoria a reformular o elenco no meio da temporada, apostando em velhos conhecidos que estavam sem contrato, como Mounir El Hamdaoui e Ron Vlaar. Deve ser o suficiente para manter-se no meio da tabela. Mas, a não ser por uma reação impressionante, o AZ dificilmente conseguirá apagar a pesarosa decepção que está protagonizando atualmente.

Heerenveen

Posição: 11º colocado, com 20 pontos (abaixo pelo menor saldo de gols)
Técnico: Dwight Lodeweges (até a 9ª rodada) e Foppe de Haan
Time-base: Mulder; Marzo, Otigba, Van den Berg (Van Aken) e Bijker; St.Juste, Thorsby e Cavlan; Slagveer, Te Vrede (Veerman) e Larsson
Artilheiro: Mitchell te Vrede (7 gols)
Destaque: Sam Larsson (atacante)
Objetivo do início: play-offs por vaga na Liga Europa
Avaliação: O começo do Fean foi bastante turbulento, mas Foppe de Haan chegou e organizou taticamente um time que já tinha talentos individuais. A evolução é clara, mas ainda há o que corrigir.

Há algum tempo, o Heerenveen vive confortável no futebol holandês. Dificilmente se torna campeão do que quer que seja, mas sua posição de clube médio lhe permite conseguir boas campanhas, participar esporadicamente de competições continentais e fazer despontar gente promissora (o mais recente foi Bas Dost)… porém, mesmo com nível técnico aceitável, o Fean não acalmava a torcida dentro de campo. O ponto culminante foi a vexatória goleada sofrida para o Feyenoord (5 a 2), que provocou a saída voluntária de Dwight Lodeweges. Só aí as coisas começaram a mudar.

Técnico icônico na história do clube da Frísia, Foppe de Haan voltou. Ajeitou uma defesa que estava fragilizada, com medidas acertadas como o recuo de Joey van den Berg, volante seguro, para o miolo de zaga. Mais protegido, o Heerenveen decolou, destacando os gols de Te Vrede e a velocidade de Luciano Slagveer e Sam Larsson, pelas pontas. Tanto é que, da 10ª rodada até o fim do turno, o time só teve três derrotas, evoluindo e afastando perigo de coisa pior. Porém, alguns desses reveses foram pesados, como o 4 a 0 do ADO Den Haag na 17ª rodada. Confirmado até o fim da temporada, Foppe de Haan tem a intertemporada para afinar ainda mais o time, e fazê-lo se firmar de vez numa posição tranquila.

ADO Den Haag

Posição: 10º colocado, com 20 pontos
Técnico: Henk Fräser
Time-base: Hansen; Malone, Beugelsdijk (Zuiverloon), Wormgoor e Meijers; Bakker, Alberg e Jansen; Schaken, Havenaar e Duplan
Artilheiro: Mike Havenaar (8 gols)
Destaque: Mike Havenaar e Édouard Duplan (atacantes)
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Avaliação: Fora de campo, as dúvidas sobre a empresa parceira mexem com o Den Haag. Mas em campo, após as incertezas, os destaques começaram a aparecer, resultando num bom final de turno.

O belo gol de calcanhar que o goleiro Martin Hansen marcou nos acréscimos da estreia do ADO Den Haag nesta Eredivisie, contra o PSV, foi bastante auspicioso para a temporada dos alviverdes. Mas era preciso mais, até por se tratar de um lance inesperado. Aí entrou o trio de ataque, que pode ser considerado um dos destaques desta primeira metade da Eredivisie. Primeiro, com Édouard Duplan; o francês repete em Haia as boas atuações do Utrecht, trazendo velocidade pela ponta esquerda e sendo o líder de assistências do campeonato – foram 15, até agora. Depois, com Mike Havenaar; o japonês de ascendência holandesa é referência confiável dentro da área, e frequentemente faz o que precisa fazer – ou seja, gol. No meio-campo, Danny Bakker cresceu de produção nas últimas rodadas do turno. E se uma contratação para a defesa era necessária, ela foi precisa: ídolo da torcida, Tom “Tommie” Beugelsdijk voltou da Alemanha para ser daqueles zagueiros que impõem respeito, por bem ou por mal.

Está certo que as incertezas na parceria com a empresa chinesa United Vansen perturbaram, em alguns momentos. Mas o time demonstrou força para conter os efeitos disso dentro de campo, com bons resultados como a vitória sobre o Feyenoord. E com os destaques aparecendo, o Den Haag mantém o ânimo necessário para se afastar das posições inferiores. E para não restringir as boas lembranças desta temporada ao gol de Martin Hansen.