Chegou a parada de inverno no futebol holandês. E sem trazer grandes novidades, não resta muito a falar. Sem mais delongas, após 17 rodadas, vem aí a primeira parte da análise sobre cada clube, no turno inicial da Eredivisie 2014/15. Nesta semana, os clubes da metade de baixo da tabela:

Vitesse

Posição: 10º lugar, com 22 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols)

Técnico: Peter Bosz

Time-base: Velthuizen (Room); Wallace (Diks), Kashia, Van Heijden e Achenteh; Pröpper (Leerdam), Vejinovic e Kazaishvili; Ibarra, Dauda e Oliynyk.

Artilheiro: Marko Vejinovic (8 gols)

Destaque: Abiola Dauda (atacante)

Objetivo do início: play-offs por vaga na Liga Europa

Avaliação: A coisa já esteve pior para o Vitesse. Aos poucos, o time vai se assentando, e tem chance de buscar seu objetivo.

Como já se supunha, as aspirações de título que o clube de Arnhem teve em 2013/14 eram coisas do passado. A vinculação com o Chelsea esfriou, e nem vaga em competições europeias o clube teve. Mas a situação também não era para um começo assustador, quando houve até preocupação em ficar entre os últimos colocados. Aos poucos, Peter Bosz foi ajeitando o time.

E jogadores como Kashia, Vejinovic e Dauda começaram a crescer de produção. Paralelamente, os reservas utilizados tinham seu valor: McEachran, Traoré, Leerdam… foi o suficiente para estancar a queda e fazer o clube subir. Chegou a alcançar o 7º lugar, mas o 10º ainda parece adequado. E a goleada no Ajax, pela Copa da Holanda, fez com que os Arnhemmers iniciassem esperançosos as férias.

Heerenveen

Posição: 11º lugar, com 22 pontos

Técnico: Dwight Lodeweges

Time-base: Nordfeldt; Marzo, Buijs (Otigba), Van Aken e Van Anholt; Van den Berg, De Roon e Sinkgraven; Slagveer, Uth e Larsson.

Artilheiro: Mark Uth (11 gols)

Destaque: Mark Uth (atacante)

Objetivo do início: play-offs por vaga na Liga Europa

Avaliação: O inverso do Vitesse. O Fean já esteve melhor na temporada, e precisa reagir logo se ainda quiser deixar o limbo. Pode fazer isso.

O começo da temporada deu esperanças de que o time da Frísia iria ainda mais longe do que já fora sob o comando de Marco van Basten. Chegou a ocupar o quarto lugar do campeonato por algumas rodadas, e ainda infligiu ao líder PSV uma de suas únicas derrotas. Só que a sequência de seis jogos sem vitórias, entre a 8ª e a 13ª rodada, atingiu duramente a equipe neste turno.

Mesmo com bons jogadores, como Uth (um dos goleadores do torneio) ou Daley Sinkgraven (apontado como uma das grandes promessas holandesas), o Heerenveen caiu perigosamente, até pelo alto número de empates neste hiato – foram três. Cabe a ele reagir para manter esperanças de obter um resultado até melhor do que o esperado. É possível, pelo que se viu no início do campeonato.

Willem II

Posição: 12º lugar, com 20 pontos

Técnico: Jürgen Streppel

Time-base: Lamprou; Heerkens, Dries Wuytens, Peters e Dijks; Stijn Wuytens, Messaoud e Haemhouts; Bruno Andrade, Armenteros e Sahar

Artilheiro: Samuel Armenteros (8 gols)

Destaque: Samuel Armenteros (atacante)

Objetivo do início: salvar-se do rebaixamento

Avaliação: Cumprir a intenção do início da temporada é altamente possível. Bastará aos Tilburgers cuidados para evitar que o mau final de turno se transforme numa sequência.

No final da temporada 2012/13, com seu rebaixamento à segunda divisão já sacramentado, o Willem II decidiu apostar no trabalho de longo prazo. Assinou contrato com o técnico Jürgen Streppel por mais uma temporada, e esperou o que viria na Eerste Divisie. Veio o título e o retorno à elite, após superar um início irregular de campanha. E o desempenho dos Tricolores no turno continuou confirmando o acerto da diretoria. A equipe mostrou bons resultados e frequentou até a zona de classificação aos play-offs da Liga Europa.

De quebra, o ataque exibia bons desempenhos. Principalmente com o sueco Armenteros, que se converteu em principal atacante do time, mesmo visivelmente acima do peso. E mesmo Ben Sahar e o brasileiro Bruno Andrade tiveram sua utilidade nos resultados. Porém, as três derrotas nos jogos finais do turno trouxeram perigosa queda para o 12º lugar. Se frear essa queda, o Willem II ganhará mais segurança de garantir-se na Eredivisie por mais uma temporada. Até com certo sossego.

Excelsior

Posição: 13º colocado, com 17 pontos

Técnico: Marinus Dijkhuizen

Time-base: Coutinho; Bovenberg (Karami), Fischer, Van Diermen (Mattheij) e Kuipers; Bruins, Kruys e Stans; Auassar, Botaka e Van Weert

Artilheiro: Tom van Weert (5 gols)

Destaque: Jordan Botaka (atacante)

Objetivo do início: salvar-se do rebaixamento

Avaliação: Aqui e ali, há coisas boas para tirar dos Kralingers nesta temporada. Mas o clube não está totalmente seguro no campeonato

Dá para dizer até que o Excelsior melhorou durante a temporada. Pelo menos, na defesa. Os zagueiros até faziam o que podiam, mas Jordy Deckers não trazia segurança alguma no gol. Titular na campanha da segunda divisão em 2013/14, Deckers chegou a levar gol de tiro de meta, contra o Go Ahead Eagles, e ainda foi expulso contra o Heerenveen, num jogo que estava 0 a 0 – e terminou 2 a 0 para o Fean. Resultado: o goleiro foi barrado e deu lugar a Gino Coutinho, que não renovara contrato com o ADO Den Haag.

Coutinho chegou e deu um pouco mais de segurança à defesa dos Kralingers, que está mais segura e esforçada. No meio-campo, o entrosamento de todos (com destaque para Luigi Bruins) leva quase automaticamente a um desempenho satisfatório no ataque. Auassar, Botaka e Van Weert, às vezes, têm ótimas atuações. No entanto, boas atuações esporádicas não foram suficientes para dar ao Excelsior as esperanças que o Willem II, por exemplo, tem. O clube deverá seguir com uma campanha mais temerária.

ADO Den Haag

Posição: 14ª posição, com 16 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols)

Técnico: Henk Fräser

Time-base: Hansen; Zuiverloon, Wormgoor, Kanon e Meijers; Malone, Alberg e Kristensen; Gehrt, Kramer e Van Duinen

Artilheiro: Michiel Kramer (11 gols)

Destaque: Michiel Kramer (atacante)

Objetivo do início: play-offs por vaga na Liga Europa

Avaliação: No perde-e-ganha da disputa contra a zona de rebaixamento, os Hagenaren estão em situação um pouco mais promissora. Mas não podem bobear de modo algum

Ao viver ascensão vertiginosa na última temporada, indo da zona da Nacompetitie ao meio da tabela quase sem escalas, o Den Haag deu esperanças de que este Campeonato Holandês seria um pouco mais tranquilo. Não está sendo. Na maioria do primeiro turno, os auriverdes frequentaram perigosamente as posições próximas ao rebaixamento. E há exatas cinco rodadas a equipe de Haia não vence na Eredivisie. E a situação é pior do que poderia ser.

Para começar, a equipe vendeu caro a derrota para o PSV (1 a 0) e empatou com o Ajax (1 a 1). Depois, tem em Kramer e Van Duinen dois atacantes razoáveis – Kramer é um dos goleadores do torneio, inclusive. Na zaga, Wilfried Kanon cresceu a ponto de ser convocado para a seleção da Costa do Marfim que vai à Copa Africana. No entanto, o que está aí é um cenário inseguro. E um time com potencial, como é o caso do ADO Den Haag, terá de preenchê-lo se não quiser ter um cenário ainda pior durante o returno.

Heracles Almelo

Posição: 15º colocado, com 16 pontos (na frente pelo melhor saldo de gols)

Técnico: Jan de Jonge (até a 4ª rodada) e John Stegeman

Time-base: Telgenkamp; Koenders, Te Wierik, Veldmate e Aktaou; Fledderus, Bel Hassani (Cziommer) e Bruns; Linssen, Weghorst e Tannane

Artilheiro: Oussama Tannane e Wout Weghorst (5 gols)

Destaque: Bryan Linssen (atacante)

Objetivo do início: salvar-se do rebaixamento

Avaliação: O time parecia ter destino tão inescapável quanto o do Dordrecht, mas reanimou-se e reagiu, aos poucos. Só não pode achar que já se salvou.

Se havia algum time que parecia destinado ao rebaixamento, à medida que o Campeonato Holandês se desenvolvia, era o Heracles. Nos primeiros quatro jogos, quatro derrotas. Diante de uma queda que já vinha desde o fim da temporada passada (os Almelöers ficaram em 15º, primeiro lugar fora da zona da repescagem), a demissão de Jan de Jonge foi inevitável. E o começo de John Stegeman não foi muito melhor: três derrotas em sequência.

Até que veio uma goleada por 6 a 1. Contra o NAC Breda, é verdade, mas já levantou um pouco o moral do elenco. O jogo decisivo para a reação foi o 3 a 1, de virada, sobre o Go Ahead Eagles. Destaque do time na temporada passada, Bryan Linssen saiu do jogo e fez os três gols. Depois, uma sequência de três vitórias, e quatro jogos sem derrota. E o time está fora da zona de rebaixamento. Uma reação de se elogiar. Mas nem de longe as coisas estão resolvidas. A torcida espera que os Heraclieden saibam disso.

Go Ahead Eagles

Posição: 16º colocado, com 16 pontos

Técnico: Foeke Booy

Time-base: Van der Hart; Nieuwpoort, Vriends, Van der Linden e Wijnaldum; Rijsdijk, Overgoor e Türüç; Reimerink, Schalk e Lewis

Artilheiro: Alex Schalk (4 gols)

Destaque: Alex Schalk e Marnix Kolder (atacantes)

Objetivo do início: play-offs por vaga na Liga Europa

Avaliação: O time de Deventer está com indefinições sérias no ataque. Somadas à fragilidade na defesa, explicam a campanha ruim e podem custar muito caro

O último jogo do Go Ahead Eagles no primeiro turno do Campeonato Holandês mostra bem um dos pontos fracos do time de Foeke Booy. Aos poucos, a rapidez e entrosamento do PSV envolveram a fraca defesa do “Orgulho do Ijssel”. Resultado: 5 a 0, e até foi pouco. Mesmo entrosada, a linha de quatro defensores é deficiente. O único levemente promissor é o goleiro Van der Hart, emprestado pelo Ajax. A fragilidade defensiva é exibida pelas estatísticas: terceira pior defesa da Eredivisie (36 gols sofridos), e o terceiro pior saldo (-14).

Se o problema fosse só a defesa, dava para consertar. Mas o problema é a inconstância dos jogadores escalados no ataque. Foeke Booy já tentou escalar a equipe no 4-3-3 ou no 4-2-3-1; Marnix Kolder foi escalado como ponta-de-lança ou atacante típico; Reimerink e Fernando Lewis se alternaram com Alex Schalk e Lesly de Sa nas pontas; Kolder perdeu a posição para Schalk no meio do ataque… nada deu certo. Enquanto não resolver quem joga na frente e dar liberdade para que se acertem, o Go Ahead Eagles continuará sofrendo. E não há muito mais tempo para resolver isso.

NAC Breda

Posição: 17º colocado, com 13 pontos

Técnico: Nebojsa Gudelj (até a 8ª rodada) e Eric Hellemons

Time-base: Ten Rouwelaar; Ssewankambo, Van der Weg, Damcevski e Amieux; De Kamps, Tighadouini, Falkenburg, Matic e Sarpong; Perica

Artilheiro: Adnane Tighadouini (5 gols)

Destaque: Uros Matic (meio-campista)

Objetivo do início: salvar-se do rebaixamento

Avaliação: O time só não é o último colocado porque o Dordrecht consegue estar pior. Mas faz temporada desesperadora, e deverá sofrer por todo o returno

O começo já foi bastante negativo. Até houve vitórias – uma delas, contra o ascendente Zwolle -, mas vieram quatro derrotas em oito rodadas. Três delas em sequência, o que levou à demissão de Nebojsa Gudelj, após o 6 a 1 contra o então lanterna Heracles. Eric Hellemons assumiu interinamente, e depois foi efetivado. O que é até incrível, diante das circunstâncias: sob seu comando, o NAC Breda não venceu jogo nenhum no Holandês. Sete derrotas e dois empates. E a queda para a penúltima posição, na tabela e também em várias estatísticas. O que não é culpa só de Hellemons, obviamente.

O goleiro Ten Rouwelaar cometeu falhas em vários jogos, e só não perdeu a posição por ser ídolo inconteste da torcida (desde 2008, atuou nos 90 minutos de todos os jogos do NAC pela Eredivisie). A defesa também não dá razão nenhuma para otimismo. E se é possível apontar destaques, são os meio-campistas Falkenburg e Matic e o atacante Tighadouini, que pelo menos aparecem mais no ataque. Mas a situação segue dramática na “Pérola do Sul”. Há tentativas de reagir à situação: pensa-se em trazer de volta Robert Maaskant para substituir Eric Hellemons, por exemplo. Mas ainda é pouco. O NAC precisa urgentemente de uma reação para evitar, no mínimo, a repescagem.

Dordrecht

Posição: 18º lugar, com 7 pontos

Técnico: Ernie Brandts

Time-base: Kurto; Fortes, Josimar Lima, Haddad e Peersman (Gosens); Ojo e Van Overeem; Pisas, Van Haaren e Ten Voorde; Lieder.

Artilheiro: Mart Lieder e Giovanni Korte (2 gols)

Destaque: Mart Lieder (atacante)

Objetivo do início: Escapar do rebaixamento

Avaliação: Só não dá para cravar que os Schapenkoppen serão os lanternas do campeonato porque é futebol. Mas, no mínimo, dificilmente escaparão desse destino.

9 de agosto de 2014. Retornando à primeira divisão do Campeonato Holandês após 20 anos, o Dordrecht enfrentou o Heerenveen. E venceu por 2 a 1, no que foi a principal surpresa da primeira rodada. Crescia a esperança de que os “Cabeças de Cabra” protagonizariam uma história positiva, a exemplo de Cambuur, Go Ahead Eagles e Zwolle. Mas ficou nisso: na esperança. 16 rodadas depois, o Dordrecht é o pior time desta Eredivisie. A vitória da primeira rodada foi a única do time no campeonato, até agora.

As estatísticas negativas se avolumam: menor número de gols pró (12), maior número de gols contra (42), ambas levando ao pior saldo de gols (-30), o pior time em casa (só um ponto). O mais curioso é que “concorrentes” à lanterna não faltam: o desesperado NAC Breda e o periclitante Heracles são os maiores. No entanto, pior do que ser um time condenado a tentar escapar do rebaixamento é ser um time conformado com a última posição. É o caso do Dordrecht, candidatíssimo a retornar sem escalas à Eerste Divisie.