O Real Madrid segue buscando uma explicação para a má fase. A derrota para o Villarreal por 1 a 0 causou muita discussão e jogadores e técnico buscam encontrarem os motivos para o time não conseguir os resultados. De julho a janeiro, o time parece ter mudado da água para o vinho. De time favorito, depois de vitórias categóricas na Supercopa da Espanha sobre o Barcelona, a quarto colocado no Campeonato Espanhol e jogando mal a cada partida.

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O técnico e ex-craque Zinedine Zidane acha que é uma questão mais mental do que técnica ou tática. Quando perguntado se não acha que o ataque do Real Madrid tem sido muito previsível, que abusa dos cruzamentos para a área (foram 37 no jogo contra o Villarreal) e que facilita o trabalho dos defensores adversários, ele discordou.

“Não acho que seja assim, tivemos oportunidades e fizemos outras coisas que não foram finalizar cruzamentos. No futebol, há duas equipes e é preciso marcar um gol a mais que o adversário. É difícil agora porque não entra, mas não porque o ataque seja previsível. Tentamos causar danos ao rival e tivemos oportunidades para fazer isso”, analisou Zidane.

O ataque do Real Madrid vai muito mal. Desde 2006/07 o time não marcava tão poucos gols. Nesta temporada, são 32 gols marcados na liga espanhola até agora. Em 2006/07, o time tinha 28 gols nesta mesma altura do campeonato. A diferença é que o time tinha seis pontos a mais naquela época. Curiosamente, o Real Madrid é o time que mais chuta a gol em La Liga, 348 (sendo 125 no alvo). O Barcelona lidera entre os chutes certos (132 de 287 no total).

“Nós não merecemos isso, nós jogamos bem, mas a bola não entrou para nós. Eu não posso explicar por quê”, afirmou o técnico. “Hoje foi uma decepção, mas nós iremos reverter as coisas na quinta [quando o Real Madrid enfrenta o Leganés, pela Copa do Rei]”.

Zidane insiste que a questão é muito mental para o Real Madrid. “Deve ser um aspecto mental que está nos impedindo de marcar gols”, declarou Zidane. “Estamos em uma má fase, há sempre pontos negativos para analisar”, continuou.

“Nós chutamos no gol, mas não marcamos, quando houve rebotes nós não estávamos neles. Isso pode te jogar para baixo, mentalmente”. “Nós fizemos tudo que podemos para vencer e eu honestamente não posso reprovar meus jogadores por suas ações. Eu não estou feliz, mas não me sinto vencido”, declarou.

Embora os números mostrem mesmo muitos chutes a gol, o que o jogo contra o Villarreal mostrou foi um time que chuta de qualquer jeito, criando poucas situações realmente perigosas ao adversário. Embora fique muito tempo no campo de ataque, rondando a área do adversário, o Real Madrid não consegue dar muitos sustos nos goleiros rivais. E o problema passa pelo coletivo, além do individual. Algo que Zidane terá que pensar muito nos próximos dias.

Jogadores frustrados

Toni Kroos deixou claro que a disputa do Real Madrid deixou de ser pelo título. “Na nossa posição [quarto colocado], temos que nos classificarmos para a próxima Champions League e tem que ser o nosso objetivo para o resto da temporada”, afirmou o alemão. “16 pontos são muitos, não temos que pensar neles, e sim em ganhar a partida seguinte e somar pontos para chegar à segunda ou terceira posição”.

Kroos concorda com Zidane quando fala sobre a atuação do time. “É um mau momento, é um problema que tivemos em muitas partidas neste ano, fizemos um bom trabalho e não marcamos. Para conseguir bons resultados e ter boas sensações é preciso marcar gols, somar pontos e vitórias e nós não temos isso no momento. Tentamos, trabalhamos, corremos, jogamos… Normalmente, com essa vontade nas partidas, nós ganhamos”, continuou Kroos.

“Esta é uma das piores situações que eu já vivi aqui”, afirmou Marcelo, que está no clube há 11 anos. “Nós estamos tentando jogar um bom futebol, tocar a bola e marcar gols, mas não está acontecendo”, analisou Marcelo. “É como parece de fora: nós estamos tristes, furiosos e sentimos como se estivéssemos afundando”.

“Nós lutamos muito e outra vez um escanteio nos atrapalha. Não é um problema de atitude, os primeiros que sentem somos nós, trabalhamos como os que mais trabalham e quando chegam as partidas, não sei, não sei o que acontece”, disse Nacho.