O racismo tem sido um problema grave no mundo todo e na Europa há diversos incidentes constantes que mostram que não só o problema existe e está aparecendo mais do que antes – e há muitos motivos para isso, entre eles o racismo ser cada vez menos tolerado -, mas também que as medidas tomadas para combatê-lo ainda são insuficientes. Yayá Touré, jogador do Qindao Huanghai, ex-Manchester City, falou sobre o assunto.

“Eu tive uma conversa com a Fifa porque isto é algo muito importante”, disse o meio-campista marfinense. “Será difícil porque o modo de ganhar este caso será longo”, continuou. “Os torcedores, as pessoas, agora estão mais estúpidas que antes”.

Os casos de racismo se tornaram praticamente semanais nas principais ligas do país. Em novembro, o atacante Mario Balotelli foi xingado com gritos racistas pela torcida do Verona, em um jogo que o seu time, o Brescia, jogou fora de casa. O italiano, ex-companheiro de Touré no Manchester City, descreveu os racistas como “mentes pequenas” e “imbecis”. Mas ainda veio o presidente do próprio Brescia dizendo que Balotelli era um bom rapaz que estava tentando “clarear”.

Romelu Lukaku é outro que tem sofrido constantemente com racismo na Itália, mas não só lá. Torcedores do Cagliari fizeram sons de macaco para o atacante da Internazionale, assim como ele ouviu também em jogo fora de casa contra o Slavia Praga, na Tchéquia. Isso tudo além da estúpida capa do jornal Corriere dello Sport, que colocou Lukaku junto a Chris Smalling na capa para ressaltar o posicionamento dos dois contra o racismo, mas colocou a manchete “Black Friday”.

Em novembro, no clássico entre Manchester City e Manchester United, um torcedor dos Citizens foi preso por ter feito ofensas racistas ao meio-campista brasileiro Fred. O clube agiu rápido e o torcedor nunca mais poderá ver jogos do seu time no estádio pelo incidente, além de responder pelas ofensas na justiça.

Recentemente, a Serie A fez uma ação contra o racista que pareceu simplesmente estúpida. Aliás, se falarmos de estupidez, como disse Yayá Touré, a Itália é uma festa. O CEO da Serie A chegou a propor que os microfones fossem desligados nas transmissões para que o som das arquibancadas não fosse captado e, assim, os gritos racistas não fossem ouvidos. Ele quis criar um botão de “mudo” para a torcida, vejam só que gênio.

Isso sem falar no caso de Taison, que foi expulso ao reagir contra gritos racistas em um clássico do seu time, Shakhtar Donestk, contra o Dynamo de Kiev. Ele acabou expulso e disse, depois: “Jamais irei me calar”.

Jogadoras como Megan Rapinoe deram o recado: “Jogadores que não se indignam com o racismo são parte do problema”. Na Holanda, onde houve um caso de racismo do Den Bosch, quem se indignou foi Georginio Wijnaldum.

Relatos de crime de ódio aumentaram na Inglaterra, mas isso pode significar que os mecanismos de controle estão funcionando melhor. Não é necessariamente que não havia racismo antes. Só que ele começou a aparecer. E, agora, os racistas parecem querer mostrar mais ainda o seu racismo, disfarçado com “gosto”, ou “politicamente incorreto”. No fim, é só racismo mesmo.

Tudo isso parece reforçar a fala de Yayá Touré. Sim, as pessoas estão mais estúpidas. “É claro que é chocante porque nós estamos em 2019. Em 2020, 2025, nós teremos as crianças vindo. O que nós iremos fazer? Não podemos continuar assim”, disse Touré.

Realmente, não podemos. E a Uefa mesmo já admitiu que tem feito pouco contra o racismo. Os 20 clubes da Série A se manifestaram no dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra no Brasil. Se manifestar nas redes sociais é bom, mas é preciso ir além. Se não, é só discurso.