A conversa sobre um novo estádio em Milão ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira. O prefeito da cidade, Giuseppe Sala, confirmou que a prefeitura está disposta a vender o estádio Giuseppe Meazza, o San Siro, para Milan e Internazionale. Com isso, espera que os clubes possam considerar a possibilidade de não deixar o local. Os dois clubes anunciaram planos de um novo estádio em junho, mas San Siro tem a prefeitura como sócia na administração.

O estádio atualmente é propriedade da prefeitura, mas a administração é feita em conjunto com Milan e Inter. Como os dois clubes estão dispostos a construir um novo estádio ao lado do atual San Siro, com fundos privados. A ideia não agrada muito a prefeitura e, por isso, o prefeito deu uma nova opção aos clubes.

Quando falamos de San Siro, é sempre bom lembrar algo que é falsamente repetido. Não é verdade quando dizem que San Siro é o nome usado para jogos do Milan e Giuseppe Meazza para os da Inter, que haveria uma divisão assim. Em 2016, a Trivela esteve em Milão na final da Champions League e conversamos com torcedores a respeito, derrubando o mito. O administrador do estádio também falou: não há essa divisão. San Siro é o nome popular, por ser o bairro onde fica o estádio. Guardadas as proporções, mais ou menos como chamar o estádio Cícero Pompeu de Toledo de Morumbi ou o Mário Filho de Maracanã, ou ainda o Governador Magalhães Pinto de Mineirão.

Em junho foi anunciado que Milão-Cortina conquistou o direito de ser sede das Olimpíadas de inverno em 2026. Foi lá que o presidente do Milan, Paolo Scaroni, disse que um novo estádio seria construído e que o antigo será derrubado. O CEO da Inter, Alessandro Antonello, adicionou ainda que “sim, absolutamente” que o estádio novo seria construído pelos dois rivais.

Só que no mesmo evento, o prefeito de Milão colocou um freio nesses planos, primeiro dizendo que a prefeitura é que é dona do estádio e garantiu: a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno será no estádio San Siro.

“No dossiê de (candidatura) Milão-Cortina, garantimos que, em 2026, o San Siro ainda estará aberto, como de costume. Fim de história. Depois de 2026, decidiremos o futuro do San Siro caso exista um novo estádio. Mas, agora, estamos absolutamente convencidos de que este será o local para a cerimônia de abertura”, cravou Sala na época.

Por isso, o prefeito trouxe à tona a possibilidade da prefeitura vender San Siro aos dois clubes, com a esperança de dissuadir os dois clubes do plano de construção do novo estádio, que, claro, obrigaria também a prefeitura a fazer diversas obras para tornar o estádio viável economicamente também – não só para os clubes, mas também para a própria prefeitura.

“Neste momento, há duas possibilidades na mesa: um estádio novo em San Siro, ou um estádio em Sesto San Giovanni”, afirmou o prefeito Corriere dela Sera. “Eu adicionaria um terceiro: nós estamos dispostos a vender San Siro, caso a possibilidade seja considerada”, continuou Sala.

“A construção de um novo estádio é uma possibilidade que tememos, e obviamente não seria bem-vindo para nós, mas estamos falando de dois clubes privados que, em seus legítimos interesses, poderiam fazer algo assim”, disse o prefeito. “A prefeitura não quer fazer dinheiro com San Siro. Nós estamos extremamente dispostos a permitir que terceiros façam uma avaliação, informando quanto vale”.

“Não temos absolutamente nenhuma necessidade ou interesse em especular sobre San Siro. Eu estimo que San Siro valha algo em torno de € 70 milhões. Nós podemos usar um órgão independente como avaliador, assim não há especulação”, disse ainda o prefeito.

“Dito isso, os clubes estão nos seus direitos de escolherem: se eles preferirem, por razões próprias, construir um novo estádio, isso é o que eles irão avaliar”, afirmou Sala. “Eu posso apenas tentar persuadi-los com todas as possibilidades na mesa e, neste momento, estou oferecendo esta possibilidade”.

“Aqui devemos conciliar o interesse público e da cidade com as aspirações legítimas das empresas privadas de ter um estádio que signifique mais receita para elas. O importante é que cheguemos a uma decisão em breve, porque esse debate corre o risco de se arrastar por um longo tempo, mas oferecemos colaboração máxima em todas as possibilidades”, disse ainda o prefeito de Milão.