Como jogador de elite que é, Marcus Rashford não descansa sobre os louros. Depois de liderar uma campanha relâmpago bem-sucedida para fazer com que o governo britânico estendesse o programa de refeições gratuitas a jovens carentes da Inglaterra, o atacante do Manchester United não se dá por satisfeito e pede que a sociedade siga ouvindo as demandas daqueles mais vulneráveis.

Em entrevista à BBC na manhã desta quarta-feira (17), Rashford afirmou que a extensão do programa deu seis semanas extras para “entender o que vem pela frente”. O atacante de 22 anos vê a vitória apenas como um primeiro passo na direção certa.

“Não quero que isso seja o fim, porque há mais passos que precisam ser dados, e nós simplesmente precisamos analisar a resposta. As pessoas passam por dificuldades o ano todo, então ainda precisamos perceber mais de perto a situação em que as pessoas estão e como podemos melhor ajudá-las.”

Rashford revelou que, após o recuo do governo sobre a decisão inicial de não estender os vouchers de alimentação para famílias carentes, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ligou para ele e o agradeceu por “usar o que construiu (no futebol) de maneira positiva”. O jogador, por sua vez, expressou também sua gratidão pelo primeiro-ministro ter mudado sua decisão.

Algumas horas após a confirmação da extensão do programa de auxílio, Rashford comemorou a vitória no Twitter com um pequeno texto:

“Isso nunca foi sobre mim ou vocês (parlamentares), nunca foi sobre política, foi um pedido de ajuda de pais vulneráveis de todo o país, e eu apenas forneci uma plataforma para que suas vozes fossem ouvidas. Fico orgulhoso hoje de saber que escutamos e fizemos o certo. Ainda tem um longo caminho pela frente, mas sou grato a todos vocês por termos dado a essas famílias uma coisa a menos com que se preocupar hoje à noite. O bem-estar das crianças deveria ser SEMPRE uma prioridade.”

Resumindo a história toda, durante o auge da crise sanitária do Coronavírus, com as escolas fechadas, muitas crianças que dependiam da merenda gratuita das escolas viram esse auxílio sob risco. Inicialmente, Rashford se juntou a uma instituição de caridade e, com sua projeção, conseguiu arrecadar £ 20 milhões, que vinham servindo para distribuir três milhões de refeições por semana. Mas isso, como definiu o atacante, ainda “não era o bastante”.

Com as escolas fechadas, o governo vinha distribuindo vouchers a serem utilizados em supermercados, mas havia decidido não estender o programa para as seis semanas de férias de verão. Com a pressão exercida por Rashford, que escreveu uma tocante e bem argumentada carta aberta aos parlamentares, o governo mudou sua decisão, garantindo a extensão, a um custo de £ 120 milhões.