A Coreia do Sul tem um dos serviços militares mais severos do mundo. Por conta dos atritos com os norte-coreanos, que perduram desde o fim da Guerra da Coreia, o governo sul-coreano se vê na obrigação de ter um exército forte para garantir a segurança nacional. Assim como no Brasil, o serviço militar no país asiático é obrigatório. No entanto, lá, diferente daqui, os cidadãos homens que são recrutados devem completar, no mínimo, dois anos de serviço. E não é nem um pouco fácil a isenção. Sob um rigoroso frio de temperaturas negativas, constantes ameaças de bombas vindas dos vizinhos de cima e baixas remunerações, os soldados da Coreia do Sul vivem dias não muito agradáveis com o fardamento imposto. E é para escapar dessas condições que os jogadores da seleção olímpica sul-coreana redobram a garra nos Jogos Olímpicos para subir ao pódio.

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Com o objetivo de incentivar a prática de esportes, o governo da Coreia dispensa do serviço militar obrigatório atletas que forem bem-sucedidos em competições esportivas. Contextualizando, homens que ganharem uma das três medalhas nas Olimpíadas poderão seguir com suas vidas normalmente, sem se preocupar com o exército. Em 2012, nos Jogos Olímpicos de Londres, os jogadores da seleção masculina puderam se livrar dessa situação bem indesejável. E por pouco. Naquela ocasião, os asiáticos foram derrotados pelo Brasil de Neymar e companhia na semifinal e tiveram que disputar o terceiro lugar com o Japão. Por um placar de 2 a 0, os sul-coreanos conseguiram a conquistar a medalha de bronze. Ou seja, além do triunfo inédito, os sul-coreanos tiveram outro motivo para comemorar: o drible às Forças Armadas.

Shin Tae-Yong, o atual técnico da equipe olímpica sul-coreana, admite que a questão do governo liberar atletas vitoriosos pode ser uma faca de dois gumes para um treinador. “Não posso discordar de que pode, sim, haver um problema de pressão”, revelou Shin ao New York Times. “Eu reconheço a pressão que os jogadores e eu enfrentaremos por conta disso”, falou. O desafio de Shin, que guiou o clube coreano Seongnam Ilhwa Chunma ao título da Champions League asiática de 2010, é garantir que isso não tome conta dos atletas e não os prejudique. “Acho que a motivação é muito maior do que a sensação de pressão, então eu não acho que isso vai ser um problema”, afirmou o técnico. A ideia de impulsionar a atividade esportiva e motivar a sede de vitória é legal. Mas, ao mesmo tempo, faz com que atletas se cobrem em excesso e caiam de um andar muito alto quando não atingem seus objetivos. Afinal, não é só a medalha que está em jogo.

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