É difícil explicar o que acontece com o Borussia Dortmund. Afinal, não é por causa de apenas um fator que os aurinegros vivem uma draga tão grande na Bundesliga. E também porque o imponderável tem pegado pesado com a equipe de Jürgen Klopp, punida pelos deuses com os lances de azar mais bizarros. Nesta quarta, quando parecia conquistar uma vitória importante, o Dortmund sucumbiu outra vez no Signal Iduna Park. Tudo bem que o adversário não era dos mais simples, mas a vitória contra o vice-líder Wolfsburg esteve nas mãos até os 40 do segundo tempo. A Muralha Amarela teve que se contentar com o empate por 2 a 2, que manteve o clube na antepenúltima posição do Alemão.

O Dortmund esteve longe de seus momentos mais alucinantes das últimas temporadas, mas fez uma boa partida. Pressionou no ataque durante a maior parte do tempo, criou boas chances de marcar e parou nos milagres de Diego Benaglio. Por duas vezes, esteve em vantagem no placar: primeiro com a trama criada por Ciro Immobile e concluída com liberdade por Pierre-Emerick Aubameyang, depois com o chute raivoso do próprio italiano, após boa roubada de bola. O problema é que os erros acabaram sendo fatais. Mitchell Langerak falhou feio na cobrança de falta de Kevin De Bruyne, enquanto Naldo estava sozinho na área para definir o placar de cabeça.

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Pode até ser que haja uma dose de falta de sorte nisso tudo – ou uma urucubaca, como você preferir. Em um lance que o árbitro acabou desconsiderando, Subotic carimbou a trave por duas vezes. Os chutes mais bem colocados acabavam nas pontas dos dedos de Benaglio. E as falhas defensivas sempre colocavam o pescoço dos aurinegros na navalha. No entanto, não dá para acreditar que só o “azar” é responsável pela baixa do Dortmund. Há uma boa dose de falta de competência também.

As lesões se repetem e protagonistas se foram, mas Klopp tem nas mãos um elenco qualificado o suficiente para ir muito além da atual colocação. Falta uma consistência maior no Borussia Dortmund, que não consegue ser mais aquele time de pressão na marcação e velocidade máxima no ataque. A solidez defensiva não se repete como antes e, quase sempre, as bolas perdidas custam muito. O meio-campo, coração do time nas últimas temporadas, não apresenta a mesma combatividade. Já o ataque cria um bom número de oportunidades, mas desperdiça muito mais do que deveria. Imprecisão que deixa o time com média de apenas um gol marcado por rodada da Bundesliga. E Jürgen Klopp também não vem bem, apostando em jogadores que claramente não vingarão e dando menos atenção para a base do que antes.

Não, essa cabeçada de Subotic não entrou
Não, essa cabeçada de Subotic não entrou

Personagens do jogo desta quarta, Langerak e Immobile talvez sejam dois bons símbolos para a atual fase do Dortmund. O goleiro ganhou a posição de Weidenfeller após algumas falhas do veterano – e para mexer também com o comodismo do elenco. Mas também não joga bem e resume um problema estrutural que deságua no goleiro. Já no ataque, Immobile tem feito uma boa temporada de estreia. Não com tantos gols quanto se esperava, embora se esforce muito. Bombardeou a meta de Benaglio, marcou gol, deu assistência. Porém, parece não viver o bom momento que possa o fazer ir além junto com o resto do time.

A uma rodada do final do primeiro turno, o Dortmund aparece na 16ª colocação, apenas um ponto acima da lanterna. Porém, 11 pontos atrás da zona de classificação da Champions League. Por mais que haja muita gente pela frente, sonhar com a competição continental ainda é palpável. O problema é encontrar o embalo perdido, a intensidade de antes, a vontade de fazer acontecer. Parecia algo simples de resolver, mas as rodadas de aflição mostram que não é tão fácil assim.

Talvez olhando para o futuro é que o Dortmund tenha noção do buraco em que está se metendo, e consiga tirar forças para a metade final da temporada. Fora da Liga dos Campeões 2015/16, a conta bancária fica alguns milhões mais magras. E, por mais que o clube tenha aumentado as suas receitas, elas não serão suficientes para manter algumas estrelas no elenco. Diante das especulações sobre Marco Reus e Mats Hummels, a renovação profunda será inescapável. Se não quiser passar por um desmanche, os aurinegros terão que se recuperar. Ainda que, neste momento, uma faxina geral no Signal Iduna Park não pareça tão ruim.