O brasileiro Ronaldo Nazário de Lima é um dos maiores jogadores de todos os tempos e marcou época na seleção brasileira e em alguns clubes europeus. Depois de surgir brilhando no Cruzeiro, ainda muito jovem, foi para o PSV e, então, passou ao estrelato mundial pelo Barcelona, na temporada 1996/97. Foi apenas um ano na Catalunha, mas que deixou marcas importantes. Um dos impactados pela convivência com o brasileiro foi José Mourinho, então um jovem auxiliar do técnico Bobby Robson.

Mourinho tornou-se tradutor para Bobby Robson ainda na época que o treinador foi trabalhar em Portugal, no Sporting, em 1992. No ano seguinte, 1993, Robson foi para o Porto e, com ele, Mourinho. Em 1996, os dois foram para Barcelona, com o inglês como técnico e Mourinho como seu fiel escudeiro. Além de tradutor, aparecendo sempre nas coletivas, ele também ajudava os jogadores com análises de adversários, instruções táticas e preparação de treinamentos.

Foi no Barcelona que Mourinho conheceu Ronaldo, então um garoto. Mas não qualquer garoto. Ronaldo se tornou a maior transferência da história até ali, 1996, quando deixou o PSV para o Barcelona por US$ 19,5 milhões (em valores corrigidos, US$ 31,91 milhões). Era uma estrela em ascensão e, no Barcelona, mostrou que não era uma promessa: era uma realidade.

“O melhor jogador que eu já vi em campo? Eu acho que lesões mataram uma carreira que poderia ser ainda mais incrível, mas o talento que esse cara tinha com 19 anos, Ronaldo Nazário, era algo incrível”, continuou o treinador.

O treinador lembrou do único título de Ronaldo com o Barcelona: a Recopa de 1996/97, uma competição que nem existe mais e reunia todos os campeões de Copas nacionais do continente. “Teve uma final contra o PSG em Roterdã, 1 a 0, em 1997. Gol de Ronaldo. 1 a 0”.

O repórter pergunta de novo, para ter certeza: foi o melhor jogador que você viu? Mourinho não titubeia. “Sim, ele era bom assim. Não com uma carreira como Cristiano [Ronaldo], Messi, 15 anos no mais alto nível, todos os dias, mas talento natural… Incrível. Um jogador incrível”.

Ronaldo, pelo Barcelona, em 1997 (Getty Images)

Foram apenas 49 jogos pelo Barcelona e 47 gols marcados e memórias muito marcantes. Ele deixaria o clube um ano depois de chegar, em uma novela que se arrastou por algum tempo. Dle deixaria o Barcelona para seguir para a Internazionale, que pagou a sua multa rescisória de US$ 27 milhões (US$ 44 milhões, em valores corrigidos para 2019).

Teria grandes momentos pelo clube italiano, ganharia a Copa do Mundo de 2002 pela seleção brasileira e depois ainda teria uma passagem  importante pelo Real Madrid, em cinco anos, e voltaria à Itália para defender brevemente o Milan. Encerrou a carreira no Corinthians, em 2011. Foram 352 gols na carreira, com 62 pela seleção brasileira, em 98 jogos.

Para Mourinho, porém, aquela temporada de 1996/97 foi algo que jamais sairá da sua mente. A ponto de colocar o futebol de Ronaldo acima de lendas como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, indiscutivelmente dois dos maiores jogadores da história do futebol.