O atacante Michail Antonio, do West Ham, foi perguntado sobre a questão do racismo e deu uma resposta interessante, ainda que você não concorde com ela. O jogador acredita que além da punição à pessoa que cometeu o ato de racismo, é preciso também punir o clube com a perda de pontos, porque isso fará com que esse tipo de comportamento seja menos tolerado, inclusive por outros torcedores ao redor.

“Eu sinto que a FA, a PFA [Associação de Jogadores Profissionais] e todos os órgãos governamentais precisam lidar com isso com mais força”, afirmou o atacante do West Ham ao Guardian. “Punir as próprias pessoas nunca vai lidar com as coisas. A única forma disso parar é o time ser punido”.

“Então as pessoas começam a lidar com isso elas mesmas. Estamos em um estágio em que se você tirar pontos – não multas porque os clubes irão pagar as multas, não é um problema, eles estão faturando bilhões – e então os torcedores ao lado do torcedor [que comete ato racista] irá impedi-lo de fazer isso. Aí passa a afetá-los também. Mas então, fazer seus gritos de macacos e sendo racistas afeta apenas eles mesmos. Quando começar a afetar o clube, as pessoas não irão mais fazer isso”.

“O racismo não me afeta. Eu percebi que o racismo diz mais sobre a pessoa que está fazendo isso. Não afeta a minha vida. Você me chamar de qualquer coisa não afeta a minha vida. Eu ainda vou para casa e dar um beijo em minha senhora, abraçar meus filhos. Se você vier e me der um soco na cara, eu irei me proteger. Além disso, não é nada. Eu tive pessoas gritando na minha cara tentando me irritar. Eu digo: ‘Eu não estou aqui para brigar, eu estou aqui para amar’”, disse o jogador do West Ham.

A discussão sobre coo punir esse tipo de ato é longa e ampla e há bons argumentos para punir ou não punir os clubes. A punição individual tem acontecido na Inglaterra. É um dos países onde isso mais acontece. A punição individual serve como uma forma de desestimular esse tipo de comportamento – e outros que não se tolera, como invasão de campo ou agressão de outros torcedores e até jogadores.

A punição coletiva também tem o seu valor, embora, claro, como qualquer medida desse tipo, caiba discussão sobre a sua eficácia ou mesmo a sua justiça. Seja como for, há bons argumentos a favor disso também, mesmo que não se concorde com eles. Aqui no Brasil, em atos muito menos graves, clubes passaram a ser punidos por objetos atirados no gramado, exceto em casos que o infrator fosse identificado e punido. Isso fez com que outros torcedores de fato passassem a identificar os infratores para tentar salvar o próprio clube.

No caso de racismo, porém, a punição individual parece ser a mais eficaz, ao menos como medida primária. Recentemente, um torcedor do Manchester City que proferiu ofensas racistas contra Fred, do rival Manchester United, foi banido do estádio pelo City e nunca mais poderá assistir a jogos do seu time. É uma medida punitiva, ao mesmo tempo que é também educativa para os demais.

A discussão é boa, mas é sempre importante ouvir os jogadores para tentar encontrar medidas que coíbam esse comportamento racista que parece seguir acontecendo.