Revelado pelo São Paulo, Kaká deixou o Brasil aos 21 anos e de cara já causou grande impacto ao chegar ao Milan, em 2003. Em poucos anos, já estava entre os melhores jogadores do mundo, e credita isso aos aprendizados que teve em meio às tantas figuras experientes que encontrou no grupo rossonero à época. Para ele, é dessa mescla que o clube precisa agora para dar sequência no que vê como o “caminho certo”.

Invicto na temporada, com seis vitórias em seis jogos, somando Serie A e Liga Europa, o Milan vai dando sequência à excelente segunda metade de temporada passada, em que esteve invicto nos 13 jogos que finalizaram a campanha após a paralisação do Coronavírus.

Construindo em cima do sucesso recente, a equipe investiu na contratação de diversos jovens, como Sandro Tonali, Jens Petter Hauge, Pierre Kalulu e Brahim Díaz. Embora aprove a abordagem, Kaká reforça a necessidade de seguir reforçando essa mistura de experiência e juventude, tomando como exemplo a sua própria trajetória em Milão.

“Eles têm uma mistura de líderes e jovens. Quando eu cheguei, eu era jovem e encontrei uma estrutura que me ajudou”, recordou, em entrevista à Gazzetta dello Sport.

Kaká elogiou o trabalho feito pela direção atual, sob as ordens do fundo Elliott. Para o brasileiro, duas figuras foram essenciais nesse momento de transição. “É importante continuar. Parece que o fundo Elliott encontrou o caminho certo, uma linha que o CEO Gazidis mantém. O trabalho do (diretor Paolo) Maldini e do (ex-diretor Zvonimir) Boban foi importante.”

“Pensamos nos modelos alemães, na seleção alemã de 2014. Gosto da renovação do Milan, mas aprender dos veteranos é fundamental. Sem aqueles que eu conheci em Milanello, eu não teria me tornado o que me tornei. Os jovens não são o bastante”, reiterou o ex-jogador.

Para Kaká, o Arsenal dos últimos dez anos ou mais é um bom exemplo de como a aposta apenas em jovens não é suficiente para se construir uma equipe capaz de brigar por títulos.

“Pensemos no modelo do Arsenal. É legal, mas eles não venceram nos últimos anos. Precisamos ser um pouco mais concretos. Para mim, funciona melhor assim: líderes e jovens, por um futuro de qualidade.”

Neste sentido, poucas figuras poderiam ser mais apropriadas ao Milan do que Zlatan Ibrahimovic. Aos 39 anos, o sueco ainda consegue entregar um produto final de qualidade, e seu retorno a Milão marcou também a volta por cima do Milan nos últimos tempos. Para Kaká, mais do que trazer gols, o atacante ajudou a aumentar o sarrafo no grupo e a absorver a pressão sobre o elenco.

“Ele (Ibrahimovic) eleva o nível de todo mundo. Ele motiva e tem qualidade. Ele ajuda muito os jovens, faz o grupo crescer. Ensina os outros a permanecer em um alto nível e tira deles a pressão. O campeonato será longo e difícil, aposto que ele fará a diferença até o fim.”

Após três rodadas, o Milan divide a liderança da Serie A com a Atalanta, com ambas as equipes tendo 100% de aproveitamento. No que promete ser o Campeonato Italiano mais disputado dos últimos anos, o fôlego e a habilidade dos garotos, aliados à experiência e à mentalidade vencedora de Ibrahimovic, podem ser os ingredientes necessários para que os Rossoneri superem suas campanhas passadas e ao menos retornem à Liga dos Campeões, da qual não participam desde 2013/14.