Christian Eriksen fez a partida de sua vida nesta terça-feira. A atuação do camisa 10 contra a Irlanda é daquelas que servem como um divisor de águas para qualquer jogador. Os dinamarqueses sempre serão gratos pela maneira como o meia assumiu a responsabilidade e comandou a reação do time na goleada por 5 a 1. Pela maneira como foi brilhante para levar a seleção de volta à Copa do Mundo, decisivo em toda a campanha nas Eliminatórias. Se a fase com o Tottenham já era ótima, o meia chegará ao Mundial como o principal símbolo de seu país. Os três golaços em Dublin entram para a antologia da repescagem, ao lado de exibições de outras lendas – como Cristiano Ronaldo, Predrag Mijatovic, Michael Ballack, entre outros.

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Ao longo dos 90 minutos, Eriksen fez muito bem o seu papel como referência técnica do meio-campo. Buscou o jogo junto aos volantes, deu fluidez ao time, passou com qualidade, cobrou as bolas paradas, tentou criar oportunidades aos companheiros. Durante o primeiro tempo, com o domínio da posse de bola pela Dinamarca, especialmente após ficar em desvantagem, o camisa 10 ajudou a exercer este controle. Já na etapa complementar, quando os irlandeses tentavam uma reação, coube ao craque do time puxar os contra-ataques e aproveitar os espaços na defesa adversária.

Acima de tudo, Eriksen atingiu seu grau de excelência pela maneira como compareceu na definição. Como soube se desmarcar e decidir em poucos segundos para agir. Quatro toques bastaram para todo o estrago que fez: o chute na gaveta, de direita, para anotar o segundo tento dinamarquês; o domínio e a batida colocada de canhota no terceiro; e o foguete novamente com a direita, demolindo ainda mais os anfitriões. Participou quando deveria e resolveu como se esperava. Três gols que valem mais do que quaisquer outros em sua carreira.

“Não é sempre que eu marco uma tripleta, então, obviamente, é incrível chegar à Copa do Mundo com três gols fora de casa na repescagem. Este jogo significará demais para a minha carreira e por toda a minha vida. Acho que cresci mentalmente, estou arriscando mais. Estou pensando mais como um atacante. Com a mudança de técnico e da maneira como jogamos, isso impactou na minha posição e como me envolvo nas partidas”, declarou, após a classificação. “É um sentimento incrível, lutamos muito para chegar aqui. Nós tivemos dois jogos muito duros, mas o resultado desta noite nos deixa bastante satisfeitos. Estou ansioso pela Copa do Mundo”.

Hoje aos 25 anos, Eriksen apareceu cedo para o futebol. Estreou na equipe principal do Ajax em janeiro de 2010 e, seis meses depois, já disputava a sua primeira Copa do Mundo. Ninguém tinha dúvidas do tamanho do talento que se preparava, mas seus compatriotas também precisaram esperar. O camisa 10 foi decisivo em outros jogos pela seleção, especialmente nas eliminatórias da Euro 2012 – com direito a uma exibição fenomenal contra Portugal na última rodada, em confronto direto que valeu a classificação aos escandinavos. Rolando deve ter criado algum problema na coluna depois daquela noite.

Naquele momento, porém, o prodígio ainda seguia em progressão. Eriksen precisou levar vários tombos até alcançar seu grau atual de amadurecimento. Até que conseguisse desequilibrar constantemente. Algo que se escancarou desde que passou a trabalhar com o técnico Age Hareide, autor de 15 gols em seus últimos 15 jogos pela equipe nacional. Nestas Eliminatórias, apenas Robert Lewandowski e Cristiano Ronaldo marcaram mais gols do que ele na Europa. Todas as vitórias dinamarquesas na campanha contaram com ao menos um gol do camisa 10. Na fase de grupos, vale lembrar as partidaças que ele fez nos 4 a 0 sobre a Polônia (anotando apenas um, mas participando dos quatro tentos, com duas assistências) e no 1 a 0 sobre Montenegro, quando decretou o resultado em Podgorica. Isso até se consumar o show em Dublin.

Existem jogadores que elevam o nível de suas seleções. E embora o elenco da Dinamarca conte com outras boas peças, não há dúvidas que Eriksen atingiu este patamar. A noite vivida na Irlanda foi definitiva. Eleva as expectativas sobre sua participação no Mundial, obviamente, e haverá cobrança sobre o camisa 10 quanto ao desempenho do time. De qualquer forma, a história já está escrita. Nada apagará o que Eriksen protagonizou neste jogo tão importante. Um jogo já de Copa do Mundo.


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