A Itália costuma representar um pesadelo para a Alemanha, especialmente nas grandes competições. Algumas das grandes frustrações do Nationalelf aconteceram justamente diante da Azzurra. Se a semifinal da Copa de 1970 e a decisão da Copa de 1982 representam dois enormes traumas germânicos, mais recentemente os italianos se impuseram no Mundial de 2006 (com a intragável derrota dos anfitriões em Dortmund, na prorrogação) e na Euro de 2012. Pois, nesta quarta, o time de Joachim Löw usou o duelo com a Itália para expurgar um pouco de seus fantasmas. Venceu por 4 a 1, quebrando jejum de quase 21 anos contra os rivais.

A última vitória da Alemanha contra os italianos havia acontecido em junho de 1995. Na ocasião, em amistoso disputado em Zurique, Helmer e Maldini (contra) definiram o triunfo por 2 a 0 sobre os adversários. Desde então, foram sete confrontos, com quatro vitórias da Azzurra e três empates. Freguesia que permitiu à Itália abrir 15 vitórias, contra sete derrotas, na história do confronto – disputado pela primeira vez em 1923.

A oitava vitória da Alemanha, por fim, veio com gosto, na maior diferença já registrada ante os rivais. Os brios do Nationalelf certamente estavam abalados depois da virada sofrida para a Inglaterra no último final de semana. E a escalação cheia de sangue jovem usada por Joachim Löw, com uma alternativa opção pelo 5-4-1, demonstrou o seu valor longe de ser necessariamente defensiva. Toni Kroos abriu o placar no primeiro tempo com um belo chute de fora da área, enquanto Thomas Müller fez jogadaça para Mario Götze ampliar pouco antes do intervalo. Enquanto isso, a Itália havia dado um mísero chute em todo o primeiro tempo.

Na volta para a etapa complementar, os rumos do clássico se definiram a partir do rombo que Julian Draxler abriu na defesa (em lance que resultou na lesão de Leonardo Bonucci), rolando para Jonas Hector marcar o terceiro. A Azzurra até tentou se lançar ao ataque, mas ainda viu Mesut Özil marcar o quarto, cobrando pênalti. O tento de honra só saiu aos 38, com Stephan El Shaarawy aproveitando jogada de Stefano Okaka – ambos saídos do banco. De qualquer maneira, já era tarde para a reação italiana, que vai para a Eurocopa deixando uma péssima impressão.

Tanto alemães quanto italianos passam por mudanças significativas em suas equipes. No entanto, por mais que a oscilação do Nationalelf venha saindo do roteiro, a qualidade de sua geração é inegável – o que não pode se dizer da Azzurra. E essa diferença se refletiu claramente na Allianz Arena. Independente dos resultados recentes, a Alemanha permanece como favorita. Já as preocupações com a Itália aumentam. Ainda que o histórico como azarões seja benéfico aos italianos, o time de Antonio Conte está muito distante de inspirar este tipo de confiança.