O atacante David Villa entrou para o time dos aposentados do futebol recentemente. No dia 1º de janeiro, o jogador disputou o seu último jogo como profissional pelo Vissel Kobe, do Japão, ao lado de Andrés Iniesta, ex-companheiro do tempo de Barcelona. O espanhol, nascido em Langreo, nas Astúrias, completou 38 anos no dia 3 de dezembro. Teve uma longa e bem sucedida carreira no futebol, passando por Sporting Gijón, Valencia, Barcelona, Atlético de Madrid, New York City, Melbourne City e Vissel Kobe. A lista de times poderia ter sido diferente, segundo ele próprio revelou.

Villa contou, em entrevista ao jornalista Guillem Balague, na BBC, que teve proposta do Arsenal e esteve muito perto de ir para a Inglaterra, liga que acabou nunca jogando. Ele disse que sentia que estava 90% acertado para jogar sob o comando de Arsène Wenger, mas o acordo acabou não acontecendo e ele foi para o Atlético de Madrid, onde conseguiu conquistar o título espanhol.

Na entrevista, Villa também fala sobre o seu melhor gol na carreira, sobre Pep Guardiola, sobre José Mourinho, a Premier League, seleção da Espanha e da aposentadoria. E, claro, falou de Lionel Messi, um craque que ele diz ser quatro jogadores em um só. Com 381 gols em 765 jogos por clubes, o asturiano escreveu uma bela história no futebol.

Quase ida ao Arsenal

O Arsenal queria tirar David Villa do Barcelona e levá-lo para o Emirates em 2013. Depois de tentar levar o atacante já em janeiro de 2013, a negociação voltou a acontecer no meio do ano. “Nós fomos a algumas reuniões e muitas ligações”, contou Villa. “Eu senti 90% que naquele momento eu iria para o Arsenal com Arsène Wenger. Mas naquele momento, não chegamos a um acordo, o Atlético de Madrid chegou e em três ou quatro dias nós resolvemos tudo”.

“Eu não sei o que teria acontecido se eu tivesse ido para o Arsenal. Eu estou muito feliz que eu fui para o Atlético de Madrid, não apenas por ganhar a liga, mas por tudo. Eu estou feliz em ter feito essa escolha”, contou o atacante. Naquela temporada, 2013/14, o Atlético de Madrid quebrou um jejum grande e conquistou La Liga, 18 anos depois da última conquista, em 1996 – época que o técnico do título de 2014, Simeone, ainda era jogador dos Colchoneros. O time ainda chegou à final da Champions League, mas perdeu de forma dramática para o Real Madrid, com gol de Sérgio Ramos no final.

“Eu amo a Premier League. Na minha carreira, eu sempre assisti muitos jogos da Premier League. Eu sempre pensei em ir para lá um dia, mas no momento que estas ofertas chegaram a mim ou ao meu agente, eu fiz outra escolha. Por quê? Eu não sei. Muitas vezes eu tive a oportunidade de ir para lá, mas escolhi outro caminho”, contou Villa.

Messi é quatro jogadores em um

David Villa passou três temporadas no Barcelona. Ele se acertou com o clube blaugrana antes da Copa do Mundo de 2010 e se apresentou ao time depois. Formou uma parceria importante com Lionel Messi, a quem ele cobre de elogios. Para Villa, ele consegue ser quatro jogadores em um.

“Eu não sei quem disse isso, mas disseram: ‘Messi é Messi, Iniesta e Xavi – e até Busquets se você quiser’. Quando eu ouvi isso, eu pensei que esse era o meu pensamento também”, afirmou o atacante, campeão do mundo em 2010 pela Espanha.

“Se você me pergunta qual é sua melhor posição, eu não sei. Ele não é um camisa 9, mas é o artilheiro. Ele não é um camisa 10, mas é o que mais dá assistências. Ele não é um cara alto, mas faz gols de cabeça. Ele é bom em tudo”, continuou.

“Nós ficávamos pensando às vezes que ele não estava chutando bem de pé direito, então ele marca gols incríveis com o seu pé direito. Eu acho que ele chegou a jogar no gol uma vez e foi bem. Essa é a realidade de Messi. Todo mundo sabe que ele é um cara quieto. Ele é muito normal no vestiário e em campo”, contou o jogador.

Guardiola: a evolução

“Ele é um tipo de cara em que sempre se trata de evolução”, afirmou o atacante. “Ele sabe que não é o mesmo jogar na Espanha, Inglaterra ou Alemanha, com diferentes estilos. Eu não estou com ele agora, e eu não tenho a oportunidade de conhecê-lo no dia a dia, mas eu tenho certeza que pela sua mentalidade, ele está sempre procurando novas formas de levar o futebol a um outro nível”.

Mourinho: admiração

“Eu pensei sobre como seria ser treinado por José”, disse Villa. “Ele é um dos melhores técnicos no futebol. Eu sempre lutei contra ele porque eu jogava em outros times que ele estava treinando, mas mesmo naquela época eu gostava dele porque ele é um dos melhores técnicos da história do jogo”.

O gol da sua vida, seleção e aposentadoria

David Villa não tem dúvida quando perguntado sobre o seu melhor gol na vida. Ele sabe a data: 2011, final da Champions League, em Wembley, contra o Manchester United. Foi aos 70 minutos (25’/2T), que colocou o placar em 3 a 1, que terminou por ser definitivo.

“Nós estávamos jogando muito bem, mas a realidade é que nós estávamos vencendo por 2 a 1 e um gol do Manchester United iria empatar o jogo”, disse Villa. “Aquele gol finalmente nos deu a calma em ficar com o troféu. Foi perfeito”, descreveu o antigo camisa 7.

Villa foi um dos jogadores que estava no grupo que conquistou os títulos da Eurocopa em 2008, a Copa do Mundo de 2010 e a Eurocopa de 2012. “Eu acho que muitas situações aconteceram no momento certo. Uma boa geração de jogadores, uma boa geração de técnicos, muito trabalho nos anos antes do sucesso”, afirmou Villa. “De todos os jogadores que foram para a Copa do Mundo em 2010, 80% do elenco estava no melhor momento das suas carreiras”.

O jogador considera que escolheu o momento certo para pendurar as chuteiras. “Nos últimos dois anos, eu tive três ou quatro pequenas lesões e três semanas fora do time, mas eu acho que minha mente começou a estar em outro lugar, não no futebol. Eu tomei a decisão [de se aposentar] porque senti que estava chegando. Eu acho que estou na situação que que quero agora. Eu obviamente sentirei falta de jogar, mas eu estou muito feliz. Eu irei tentar fazer minha contribuição ao futebol de outro jeito”, disse Villa.