A libertação de Auschwitz completou 70 anos nesta semana. Os alemães, no entanto, fazem questão de não esquecer o capítulo mais negro de sua história. Em sinal de respeito aos milhões de judeus mortos no Holocausto, bem como para ratificar que a segregação ficou apenas no passado do país, a Bundesliga realizará uma série de comemorações pela data. As partidas do final de semana, que marcam o início do segundo turno, farão parte do 11º Dia da Lembrança no Futebol Alemão.

LEIA MAIS: Quando o futebol ajudou a salvar um prisioneiro de Auschwitz

As ações deverão ser realizadas não apenas pela organização da liga, mas também por clubes e torcedores. A programação do “Nie wieder” (Nunca mais, em alemão) vai desde minutos de silêncio antes dos jogos até a mosaicos nas arquibancadas. “É importante enviar um sinal, especialmente em tempos como estes. Não podemos nos esquecer do passado. Racismo, discriminação e xenofobia não podem ter espaço na nossa sociedade”, afirmou o presidente da Bundesliga, Reinhard Rauball.

Já entre os clubes, o Bayern de Munique realiza na Allianz Arena a exposição “Futebol, lutadores e lendas: os judeus no futebol alemão e no Bayern”. Os bávaros conquistaram o seu primeiro título alemão em 1931/32, um ano antes da ascensão de Hitler ao poder, e foram classificados durante o Terceiro Reich como “um clube de judeus”, obrigados a retornar ao semiprofissionalismo. Dois titulares do time campeão morreram no front ocidental e o técnico Richard Dombi, judeu, teve que se exilar na Suíça. Nenhuma história é mais marcante, entretanto, que a do presidente Kurt Landauer. O dirigente judeu fugiu da prisão em Dachau, se refugiando na Suíça, mas voltou ao cargo após a derrota dos nazistas, em 1947.