Por Livia Camillo (@licamillo_), do Papo de Mina (@papomina)

A quarta-feira, 2 de setembro de 2020, foi de mudanças e conquistas para o futebol feminino na CBF. Depois de exatos três meses da saída de Marco Aurélio Cunha da coordenação das seleções brasileiras femininas, a entidade anunciou um novo departamento que tem como objetivo supervisionar e desenvolver a modalidade no país. Criada por Rogério Caboclo, a Coordenação de Competições Femininas estará sob o comando de Aline Pellegrino, que terá ao seu lado Duda Luizelli, vinda da diretoria do Internacional, no antigo cargo de MAC.

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Segundo apurou o Papo de Mina, a nova pasta da CBF foi formada especialmente para receber a ex-zagueira da seleção. Muito cotada para substituir MAC, Pelle, como é conhecida, não aceitaria um cargo na entidade sem autonomia para trabalhar.

Uma fonte próxima disse que, questionada recentemente, Pelle afirmou ter medo de perder a independência em uma função na CBF como tinha até então na Federação Paulista de Futebol (FPF). Por isso, um departamento no qual ela será responsável foi criado para que possa trabalhar da forma que deseja: realizando mudanças.

O case de sucesso realizado no comando do futebol feminino da FPF só foi possível pela independência dada pelo presidente Reinaldo Carneiro Bastos e pelo apoio recebido das diretorias. Descrita como uma pessoa “política” e com perfil para diplomacia e negociação, Pelle fez mudanças notórias em apenas quatro anos.

Na FPF, ela foi responsável pelo fortalecimento do Campeonato Paulista, considerado hoje o mais competitivo do país, além de inúmeras conquistas para a base, como a primeira peneira de futebol feminino realizada por uma federação. Além disso, as transmissões online de todas as partidas do torneio estadual são o que pode ser considerado um dos grandes legados da passagem de Pelle pela entidade.

Não entra para errar

Durante a apresentação na tarde de ontem, Aline deixou bem claro que há a iniciativa CBF em realizar mudanças. Por ser alguém que “não entra em algo para errar”, um dos muitos elogios feitos por colegas de trabalho, o objetivo de Pelle é fazer a diferença em sua próxima gestão.

“A conversa foi muito pautada na vontade da CBF de querer fazer mais pelo futebol feminino, de querer avançar. E não é de hoje. É desde a chegada do Presidente Rogério Caboclo, com a contratação da Pia (Sundhage), são várias ações que a gente pode pontuar. O Rogério deixou isso muito claro. Esse é mais um passo que estamos dando. Já fizemos bastante coisa, estamos fazendo mais e temos ainda mais coisas para construir juntos”, falou Pelle em coletiva.

Trajetória depois dos gramados

Após a aposentadoria dos campos, Aline Pellegrino sempre demonstrou interesse na área de desenvolvimento do futebol feminino. Muito frustrada pela falta de apoio durante os anos de carreira, a ex-zagueira fez o curso de Gestão de Futebol na CBF Academy. Naquela mesma temporada, foi supervisora técnica de futebol feminino do Corinthians (que tinha parceria com o Audax na época), antes de assumir a coordenação da FPF, em julho de 2016.

Dois anos de trabalho como coordenadora foram suficientes para que Aline recebesse a promoção e assumisse a diretoria de futebol feminino. Sob seu comando, a modalidade atingiu outro nível e, em 2019, o clássico da final do campeonato estadual Corinthians e São Paulo recebeu o maior público do de futebol feminino do Brasil na Neo Química Arena, com 28.862 pessoas.