Para Boateng, luta contra o racismo passa pela educação na infância: “Nenhuma criança no mundo nasce racista”

Depois de Joshua Kimmich, outro jogador do Bayern de Munique se expressou particularmente sobre o caso George Floyd e o problema de racismo que perdura na sociedade. Pedindo mais ações práticas, Jérôme Boateng apontou que o caminho na luta antirracista passa necessariamente pela educação na infância.

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Em entrevista à Deustche Welle, o zagueiro do Bayern defendeu que pais e educadores precisam reforçar o posicionamento contra o racismo ainda cedo. Só assim, segundo ele, poderemos ter algum progresso.

“Tudo começa com a educação das crianças, essa é a coisa mais importante. Nenhuma criança no mundo nasce racista. É responsabilidade dos pais e do que eles dizem a seus filhos. A pior coisa que poderia acontecer seria que meus filhos passassem por coisas assim. É essencial que lhes ensinemos que o racismo não é aceitável e que, se elas virem alguém sofrendo abuso, deveriam defender essa pessoa e se posicionar. Isso tem que começar na escola, tem que ser parte integral do currículo escolar”, argumentou.

Boateng reiterou o que disse Kimmich, ressaltando o espaço que jogadores de futebol têm para se expressar, mas defendeu que é preciso mais do que simplesmente se posicionar nas redes sociais.

“Nossas vozes são ouvidas, temos uma plataforma e temos alcance. Mas acho que é importante que não seja limitado apenas às redes sociais. Iniciativas como a Black Out Tuesday são boas, mas o que realmente precisamos é nos envolvermos e fazer alguma coisa, seja trabalhar com crianças ou apoiar outros projetos de integração. Todo mundo pode ajudar.”

Se, por um lado, Boateng mais do que dá as boas-vindas ao apoio dos jogadores brancos na causa, ele afirma que o silêncio de alguns não significa que eles sejam necessariamente racistas: “Claro que não. Quando vejo vídeos de protestos, vejo pessoas de todas as cores. Mas, é claro, seria desejável se eles usassem sua fama para apoiar esta causa. Muitos fazem isso, mas acho que ainda dá para melhorar muito”.

Na rodada passada da Bundesliga, quatro jogadores se manifestaram por justiça para George Floyd: Weston McKennie, do Schalke, vestiu uma braçadeira com a mensagem, Achraf Hakimi e Jadon Sancho, do Dortmund, levantaram suas camisas revelando texto parecido, enquanto Marcus Thuram, do Mönchengladbach, se ajoelhou no gramado, em referência a Colin Kaepernick.