Alfio Basile é um treinador histórico da Argentina. Foi o último técnico a conseguir conquistar um título pela seleção albiceleste principal, a Copa América de 1993. Em entrevista ao diário La Nación, o treinador veterano, com 74 anos, falou sobre a seleção argentina, o processo de renovação, sobre Lionel Messi – que ele comandou ainda jovem, com 19 anos, na primeira Copa do craque, e também falou sobre a eterna comparação com Diego Maradona. Mais do que isso: ele criou um grupo que inclui apenas três jogadores entre os maiores: Maradona, Messi e Pelé.

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Com quem gostaria de ter trabalhado?

“Centurión. E eu diria algumas coisas que vocês não saberiam. E se falhasse duas vezes comigo, acabo com tudo. Perdoaria uma vez, mas sem dizer que perdoaria. Teria que esquecer algumas coisas, mas joga bem. Eu gosto muito de Lautáro Martínez. A Dybala um pouco menos, joga bem, mas me parece que falta um pouco de velocidade, uma mudança de ritmo. Tem habilidade, boa pegada, mas creio que falta trabalhar um pouco mais nas reações e espaços reduzidos”, contou Basile.

Icardi e a polêmica extracampo

Basile também comentou a ausência de Mauro Icardi da seleção argentina até a Copa, mesmo considerado por muitos como um dos melhores atacantes da posição. Foi questionado se ele achava que a questão extracampo pesou. “Não ficou fora por isso, é que antes dele tinha Higuaín e Agüero, que estão entre os melhores do mundo. Para mim, não tinha lugar. Agora, no ambiente de futebol é inaceitável fazer o que ele fez. Mais no nosso tempo, agora eu não sei. Naquela época, ele seria jogado fora do vestiário e ele teria que jogar na França. Você não pode mexer com a mulher de um amigo”, afirmou o treinador.

Conhecimento de futebol x gestão de grupo

Um dos pontos mais discutidos sobre os treinadores é se é mais importante saber de futebol ou fazer gestão de grupo. “As duas coisas. Se não sabe de futebol, o jogador percebe logo. Ele estuda você. Você diz duas ou três bobagens e eles não te dão mais bola, que pode ser o que aconteceu com o Sampaoli na seleção. E a condução do grupo é fundamental. A presença, o carisma do técnico é fundamental. E isso Deus te dá. O ‘Flaco’ Menotti entra aqui e todos olhariam para ele, mesmo se não soubessem quem ele é, porque ele tem um imã”.

“Simeone seria meu técnico”

“Eu colocaria Cholo [Simeone]. Um ganhador de alma, com muito caráter, temperamento. É inteligente, vivo, tem experiência. Mas há muitos bons técnicos na Argentina, por isso trabalham no mundo todo. Mas sou muito objetivo, eu quero Cholo e foi campeão comigo duas vezes, nas Copas América de 1991 e 1993. Eu o conheci com 18 anos e o coloquei no time principal do Vélez. Eu dei a camisa 10 para ele quando Diego estava suspenso. E ele vestiu”.

Renovação da seleção

“Me parece bom que tenham chamado todos garotos novos. Agora, é hora de preservas Messi, deixa-lo em paz, não tem por que incomodá-lo. Que a AFA perca dinheiro nos amistosos se necessário, mas que o deixem em paz. E se armar uma equipe que está bem antes da Copa América, bom, aí você traz diretamente Messi. Mas Messi, ninguém mais. Agora, se antes da Copa América você vê que a equipe está mal, que não há perspectivas de nada, e outros seguem indo bem na Europa, bom, aí você traz mais três”.

Maradona x Messi

Alfio Basile é o único técnico da seleção argentina que teve oportunidade de dirigir tanto Diego Maradona quanto Lionel Messi. E ele comparou ambos. “São a antítese. São dois extraterrestres, não são normais. E o outro foi Pelé, esses três, depois ninguém mais. Na Europa, dizem que o melhor de todos os tempos Di Stéfano, não cheguei a vê-lo. Jogava por todo o campo, um jogador moderno na sua época. Mas eu não o vi”.

“Há menos técnica que antes”

“Sou um apaixonado por futebol, eu gosto, mas há muito menos técnica que antes e os jogadores saem em seguida. Aparece um que pinta ser craque e já sai. Veja Lautaro. Quanto jogou? 20 partidas? Mas como eu vejo tudo, o futebol é paixão. Por isso os torcedores seguem indo para o estádio. Às vezes me pergunto: ‘O que eles vão ver?’. É a paixão. Vão igual. E isso que na televisão se vê melhor, eu vejo as partidas dez vezes melhor que no campo”.

VAR

“Eu não gosto, mas às vezes, às vezes, há tantas injustiças que em certo momento ele é necessário. Mas deve se dizer sim ou não, então prefiro o erro do árbitro. Que não me cortem o jogo, deixe o cara ver. Eu prefiro o risco da injustiça. Sim ao sinal de alarme, aquele que avisa se a bola cruzou a linha”.

Copa do Mundo 2018

“Quando a Argentina sai cedo, tudo mucha. Quem eu gostei mais foi a Bélgica. França? Uma equipe competitiva, mas não me deslumbrou nada. Talvez o único que permaneça na memória seja Mbappé, mas pouco, pouco, e porque ele é jovem e queremos ver até onde chegará. Mas para mim, o melhor foi Hazard, esse é diferenciado”.


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