Mais um campeão do mundo em 2014 coloca ponto final em sua carreira, e de maneira relativamente precoce. Aos 32 anos, Benedikt Höwedes anunciou o seu adeus. O defensor vinha enfrentando problemas seguidos de lesão e teve dificuldades para se afirmar nas últimas temporadas. Após atuar pelo Lokomotiv Moscou a partir de 2018, resolveu pendurar as chuteiras ao terminar seu contrato. O alemão até recebeu propostas para a próxima temporada, mas tomou sua decisão para cuidar da família e acompanhar o crescimento do filho.

“Tive ofertas da Alemanha e do exterior, mas não queria depender da decisão de outras pessoas. Queria botar um ponto final agora. Logicamente, percebi que levo mais tempo para recuperar minha forma. Poderia compensar isso com minha experiência. Mas recentemente estava viajando com minha esposa e com meu filho em um trailer pelo sul da França. Simplesmente notei como me enche de alegria passar o tempo com meu filho. De repente, o futebol parecia irrelevante para mim. Nosso filho tem 21 meses e infelizmente não fiquei muito tempo com ele durante minha passagem por Moscou. Sofri por isso”, declarou Höwedes, à revista Der Spiegel.

Höwedes tem grande identificação com o Schalke 04. Formado pelas categorias de base dos Azuis Reais, somou dez temporadas na Bundesliga com o clube e atingiu a marca de 335 jogos. Segundo o zagueiro, voltar para Gelsenkirchen e tentar tirar o time da crise passou pela sua cabeça. Não é essa, porém, a sua prioridade na vida. O veterano foi parte integrante da equipe que alcançou as semifinais da Champions League em 2010/11, conquistou a Copa da Alemanha em 2011 (com direito a assistência na semifinal contra o Bayern, bem como a gol na decisão diante do Duisburg) e usou a braçadeira de capitão por seis temporadas. Despede-se como um dos maiores símbolos do Schalke em sua história recente.

Em 2017, Höwedes perdeu a braçadeira de capitão no Schalke e preferiu deixar o clube, sem esconder as mágoas com o técnico Domenico Tedesco. Transferiu-se à Juventus por empréstimo e parecia um negócio de baixo risco à Velha Senhora. Contudo, sofreu com diferentes problemas de lesão e atuou apenas três vezes na conquista do Scudetto. Por fim, mudaria-se em definitivo ao Lokomotiv Moscou, onde teve uma sequência maior e conquistou a Copa da Rússia. De qualquer maneira, a postura do veterano é mais que compreensível. Atualmente, se quisesse continuar, jogaria apenas em ligas periféricas ou clubes sem tantas ambições. A quem já construiu sua história e certamente possui uma boa poupança, vai aproveitar a família.

Pela seleção da Alemanha, Höwedes disputou 44 partidas. Seu auge aconteceu mesmo na Copa do Mundo de 2014. Sem opções na lateral esquerda, Joachim Löw preferiu aproveitar a versatilidade do defensor e deslocá-lo ao setor. O camisa 4 disputou todos os minutos da campanha e, embora geralmente analisado com desconfiança, fez um bom Mundial. Não abusou do que não conseguia e deu segurança defensiva por sua faixa do campo. Höwedes ainda jogaria a Eurocopa de 2016, após ser reserva em 2012. Na ocasião, começou na lateral direita e terminou o torneio no miolo de zaga. Mas, com sua queda de nível, já não era convocado à Mannschaft desde 2017.

“É também um passo difícil. Eu amo jogar futebol. Vou sentir falta de entrar num estádio lotado. Algo como esse te motiva mesmo depois de tantos anos. Talvez os jogos sem público tenham servido de deixa”, disse também à Spiegel. “Pode soar estúpido, porque eu me beneficiei enormemente do negócio no futebol, mas o dinheiro não é importante para mim. Relógios caros e carros não se encaixam no meu modo de vida. Ganhei o suficiente e não vou me estressar só porque deixei de ser jogador profissional”.

Höwedes se torna o sétimo campeão do mundo em 2014 a pendurar as chuteiras. Philipp Lahm, Bastian Schweinsteiger, Miroslav Klose, Per Mertesacker e Roman Weidenfeller foram os primeiros a se despedirem. Neste mês de julho, André Schürrle também se retirou do esporte profissional. O anúncio do atacante foi o mais surpreendente, aos 29 anos, admitindo a exaustão emocional ao lidar com a pressão e a maneira como perdeu o prazer após não recuperar mais seu melhor nível com o passar dos anos.