Para a surpresa de ninguém, as autoridades do futebol não parecem muito interessadas em combater o racismo

A Federação Ucraniana puniu Taison com um jogo de gancho no mesmo dia em que a Italiana suspendeu punição ao Verona

O racismo no futebol europeu está em seu ponto mais crítico em muitos anos e, sempre que há um caso, as autoridades gostam de falar grosso. Emitem comunicados, prometem medidas e punições severas, expressam intolerância a qualquer tipo de preconceito ou discriminação. No entanto, na hora de agir, são historicamente lenientes e, nesta quinta-feira, tivemos duas ilustrações escancaradas de como elas estão muito pouco interessadas no combate real ao problema.

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Começando pela Ucrânia, Taison foi alvo de ofensas racistas em um jogo do seu Shakhtar Donetsk contra o Dínamo de Kiev. Reagiu chutando a bola em direção à arquibancada e mostrando o dedo do meio. O árbitro do jogo Mykola Balakin mostrou cartão vermelho ao brasileiro, o que era um absurdo em si só, mas o pior é que a Federação Ucraniana, em vez de cancelá-la, confirmou a advertência impondo uma partida de suspensão ao jogador do Shakhtar.

E o que é mais revoltante é que a própria Federação Ucraniana reconheceu a estupidez dos torcedores do Dínamo de Kiev porque, no mesmo comunicado, aplicou punição de um jogo com portões fechados ao clube e uma multa debilitante de US$ 20 mil. Parece até que tentou se mostrar severa com os dois lados ignorando que, quando alguém é vitima de algo tão baixo quanto racismo, há apenas um lado certo e um lado errado.

“Estamos muito decepcionados com a decisão da Federação Ucraniana de sancionar Taison com um jogo de suspensão. Punir a vítima de racismo está além da nossa compreensão e serve a quem promove esse tipo de comportamento  vergonhoso”, afirmou a Fifpro, sindicato mundial dos jogadores.

Taison tomou uma atitude parecida à de Balotelli diante de ofensas racistas de parte da torcida do Verona no jogo contra o Brescia. Pelo menos, o árbitro, que chegou a dar amarelo ao jogador italiano, teve a sensibilidade de cancelar a advertência. O Verona havia sido punido com o fechamento de um setor do seu estádio para o próximo jogo, contra a Fiorentina, o que já era considerada uma sanção leve demais.

Ficou ainda mais leve depois que o tribunal de apelação da Federação Italiana de Futebol suspendeu a punição, mediante mais investigações, e o diretor de operações do Verona, Francesco Barresi, comemorou. “É uma medida razoável, que nos satisfaz. Conseguimos, com muito comprometimento e determinação destacar as várias inconsistências que surgiram das análises dos documentos oficiais, sobretudo em relação à injustiça absoluta de culpar um setor inteiro”, disse, segundo a Gazzeta dello Sport.

Desde o incidente, o Verona adotou a postura lamentável de minimizar o que aconteceu com Balotelli. O seu presidente, Maurizio Setti, emitiu um comunicado dizendo que “uns dois podem, talvez, ter dito alguma coisa” e que a sua torcida é conhecida por ser irônica, mas “não racista”, e que é errado generalizar, acrescentando que, quando há episódios de racismo, o seu clube é o “primeiro a condená-los”. E, talvez como exemplo, cerca de 1.000 crianças estarão presentes no jogo contra a Fiorentina carregando faixas e cartazes contra a discriminação.

Bom, isso deve resolver.