Fabio Quagliarella é o realismo fantástico que toma forma na Serie A. Por mais incrível que pareça, o antigo atacante da seleção italiana atravessa o melhor momento da carreira às vésperas de completar 36 anos. Mais do que isso, ele atravessa a melhor sequência de um goleador na história do campeonato. E isso se confirma não por uma mera impressão, mas por um fato agora eternizado como recorde: pela 11ª partida consecutiva, o artilheiro balança as redes pela Sampdoria. Desde a criação da Serie A, apenas Gabriel Batistuta havia anotado gols por tantas rodadas seguidas na liga. Pois a marca histórica veio coroada por uma atuação de gala do camisa 27. Só faltou que ele fizesse chover nos 4 a 0 sobre a Udinese. Com toda justiça, saiu ovacionado pela torcida no Estádio Luigi Ferraris.

Antes que a rodada começasse, esta já era a segunda temporada mais prolífica de Quagliarella na Serie A. E isso porque o início da campanha foi razoavelmente modesto ao atacante. Nas nove primeiras partidas, ele havia anotado apenas dois tentos – um deles, pintura de calcanhar contra o Napoli, o clube de seu coração. A sequência inquebrantável começou no fim de outubro, contra o Milan. Depois, fez mais um na derrota ao Torino e se ausentou contra a Roma. Desde então, nas nove aparições posteriores, sempre o veterano deixou o seu golzinho. Fez dois diante do Bologna e da Fiorentina, além de um sobre Genoa, Lazio, Parma, Empoli, Chievo e Juventus. Por fim, a chance de recorde aconteceu contra a Udinese. A lenda, enfim, se equiparou a Batigol.

 

Quagliarella atingiria o recorde aos 33 minutos. Em pênalti a favor da Samp, abriu o placar no Luigi Ferraris. O lance na marca da cal, porém, seria pouco para o tamanho da façanha do artilheiro. No início do segundo tempo, outra vez batendo penal, ele fez o segundo. Um chute raivoso, sem chances de defesa. E a goleada só estaria completa graças à generosidade do veterano. Ele deu uma aula de como fazer o pivô, no lance que originou o terceiro tento, de Karol Linetty. E faria um cruzamento primoroso para Manolo Gabbiadini, balançando as redes logo em sua reestreia pelos blucerchiati. A cinco minutos do fim, o técnico Marco Giampaolo resolveu substituir o ídolo. Com razão, a torcida da Sampdoria ficou em pé para aplaudi-lo.

Com os olhos cheios de lágrimas, Quagliarella falou sobre os seus sentimentos após a partida: “Eu nunca imaginei. Fico emocionado, porque nunca pensei que algo como esse pudesse acontecer. Apenas mencionar Batistuta me arrepia. No primeiro gol, eu não comemorei por completo, porque sempre mostrei respeito por meus antigos torcedores e a Udinese está entre eles. Mas estou sem palavras, acredite em mim. Essa é minha vida. Farei 36 anos em poucos dias, então isso me deixa orgulhoso. Tudo o que aconteceu no passado e todos os sacrifícios me levaram a isso”. Nas redes sociais, até mesmo o rival Genoa o parabenizou.

O recorde de Batistuta aconteceu na Serie A 1994/95, quando a Fiorentina havia acabado de conquistar o acesso à primeira divisão. E o mais impressionante é que aconteceu logo nas 11 primeiras rodadas do campeonato. A sequência só foi interrompida no duelo contra a Juventus. A Viola chegou a ocupar a terceira colocação, impulsionada pelos gols do argentino. Terminaria a campanha em décimo e, com 26 tentos, o Batigol garantiu a artilharia.

Quagliarella também se encaminha para ser artilheiro da Serie A, apesar da concorrência pesada. O veterano soma 16 gols, dois a mais que Cristiano Ronaldo e Duván Zapata, seus principais concorrentes no momento. Mais importante, a Sampdoria sonha com a Champions. Ocupa atualmente a sexta colocação, com 33 pontos, a um da zona de classificação ao principal torneio continental. E se a insaciedade do ídolo se mantiver, o recorde absoluto poderá vir em uma ocasião especial: na próxima rodada, visita a sua Nápoles natal, para encarar seu clube de coração, apenas dois dias após seu aniversário de 36 anos. A vontade certamente será maior.


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