O Campeonato Paraguaio contou com um desfecho atípico. Olimpia e Cerro Porteño terminaram o Torneio Clausura com os mesmos 44 pontos, forçando um jogo de desempate para saber quem seria campeão. Os pontos corridos se transformaram em mata-mata de jogo único, com decisão no Defensores del Chaco. E o clima não poderia ser mais inflamado nas arquibancadas divididas do estádio, prevalecendo a alegria alvinegra. O Olimpia venceu os rivais por 2 a 1, encerrando o jejum de quatro anos sem a taça, e alcançando o emblemático 40º título nacional. Números que valorizam ainda mais a façanha de Chiqui Arce: ídolo histórico dos azulgranas, o ex-lateral pulou o muro entre os rivais para se tornar o primeiro técnico local a se converter campeão com os dois gigantes paraguaios.

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Líder durante boa parte do Clausura, o Olimpia perdeu pontos importantes na reta final do torneio. E o empate com o inexpressivo Deportivo Santaní na rodada decisiva permitiu que o Cerro Porteño igualasse o mesmo número de pontos, forçando o jogo-extra. Entretanto, o Ciclón esteve distante de ameaçar no clássico decisivo. Em final marcada pela forte chuva e pelas condições ruins do gramado, os franjeados abriram dois gols de vantagem logo no início do segundo tempo. Referência do Olimpia, Fredy Bareiro abriu o placar, enquanto Diego Lugano fez um gol contra bizarro para ampliar a diferença. Com um jogador a menos, o Cerro até conseguiu diminuir com Guillermo Beltrán, mas não teve forças para a reação.

Maior campeão nacional, o Olimpia viveu de raras alegrias desde a virada dos anos 2000. Este é apenas o segundo título paraguaio dos franjeados nos últimos 15 anos. No entanto, ressalta como podem ter boas perspectivas para o futuro. Deixando para trás os piores momentos de crise política e financeira, o clube possui elenco com ótimas referências, como Bareiro, Zeballos, Riveros, Alejandro Silva e Diego Barreto. Tarimba o suficiente para fazer também um bom papel na próxima Libertadores. E que conta com o talento de Arce no banco de reservas.

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Quando chegou ao Olimpia, em março, o velho craque da seleção paraguaia esteve cercado de desconfianças. Afinal, boa parte de sua história no futebol local tinha sido escrita com a camisa do Cerro Porteño. No início da década de 1990, o lateral conquistou três títulos nacionais com o Ciclón. Já nos últimos anos, o veterano voltou como técnico, faturando o Clausura de 2013. Só que a mudança de cores não foi bem vista por ambas as partes. Enquanto a torcida do Cerro desaprovava a opção do ídolo, muitos franjeados também não gostavam da ideia de ver um legítimo azulgrana em seu banco de reservas. Arce respondeu com competência e profissionalismo, transformando as perspectivas do Olimpia após fraca campanha no Apertura, quarto colocado com 17 pontos atrás dos rivais.

Aos 44 anos, Arce é apenas o terceiro comandante a se consagrar com Olimpia e Cerro, sendo que os dois primeiros a lograr o feito eram estrangeiros – o brasileiro Marcos Pavlovsky e o uruguaio Sergio Markarián. “Estava escrito. Fizemos a melhor partida e levantamos o título merecidamente. Quando você aceita um desafio, com todos os poréns em seu momento, o único resultado que tínhamos que conseguir era o título. Estou contente pelos jogadores, porque sofreram muito e passaram por situações que não mereciam”, comentou o treinador após o jogo, fazendo referência à conturbada chegada. Agora, poderá desfrutar da conquista, com a certeza que sua grandeza para o futebol paraguaio vai além do clubismo. Acima dos conflitos, prevalece a gratidão de ambos os gigantes ao veterano.