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Como a volta de Formiga ao Brasil impacta o futebol feminino

A resposta mais clara e óbvia é só uma: visibilidade

Por Beatriz Cruz (@biafveracruz), do Papo de Mina (@papomina)

Miraildes Maciel Mota está de volta ao Brasil. Depois de quase cinco anos defendendo o PSG, Formiga retorna ao São Paulo Futebol Clube, time no qual começou a sua carreira, em 1993.

Recordista de jogos com a camisa da Seleção Brasileira – considerando as equipes feminina e masculina – e de participações em Copas do Mundo (7) e Jogos Olímpicos (Tóquio será a sua sétima disputa), Formiga já escreveu seu nome na história do futebol mundial.

E o que a presença de uma atleta com essa representatividade dentro de casa pode trazer para o desenvolvimento do futebol brasileiro? A resposta mais clara e óbvia é só uma: visibilidade.

A audiência do futebol feminino brasileiro em dados

O momento que o futebol feminino vive, dentro e fora do Brasil, é mágico – principalmente após a Copa do Mundo realizada na França, em 2019. O evento foi um marco, batendo recordes de audiência – de acordo com o relatório France 2019: Global Broadcast and Audience Report, mais de um bilhão de pessoas assistiram à competição pela TV ou pela internet. A maior responsável foi a América do Sul, com aumento de 560% comparado à edição anterior do evento.

Os reflexos foram claros também nas competições nacionais. Em novembro de 2019, logo após a realização da Copa, a final do Campeonato Paulista recebeu o maior público da história do futebol feminino no país: 28 mil pessoas estiveram na NeoQuímica Arena para acompanhar a disputa entre Corinthians e Palmeiras.

No caso do Brasileirão Feminino A1, as comparações de números de audiência de 2019 para 2020 ficam ainda mais relevantes: além das interações com o Twitter da competição pularem de pouco mais de 182 mil para 780.432, as médias para cada jogo foram de 107.305 views em 2019 para 319.771 views em 2020.

As partidas passaram a ganhar mais espaço de transmissão. No ano passado, os jogos do Paulistão Feminino foram transmitidos ao vivo pelo Facebook Watch da Federação Paulista de Futebol, além da parceria com páginas especializadas no tema (como o Papo de Mina).

As competições da Conmebol, principalmente a Libertadores 2021, também estiveram disponíveis no Facebook, e o Brasileirão ganhou espaço na Band, na plataforma de streaming MyCujoo, e também no canal do Desimpedidos do YouTube.

O futebol feminino para a grande massa

O crescimento é louvável e inegável, mas ainda pode melhorar. A chegada de uma jogadora tão importante como a Formiga para um clube relevante como o São Paulo aumenta os holofotes na categoria. É um incentivo a mais para as mídias, para os torcedores, para os patrocinadores e todos que fazem o negócio do esporte funcionar.

Ter Miraldes Maciel Mota no Brasil é gigante. Voltar para casa depois de ganhar 14 títulos em clubes em 24 anos de carreira é para poucos. Uma contratação deste tamanho e importância ultrapassa a barreira das quatro linhas para todas as partes envolvidas: jogadora, clube, adversárias, federação, mídia, torcedores. Todos saem ganhando.

Os planos de Formiga

Em sua entrevista coletiva de apresentação no São Paulo, que aconteceu no início da tarde desta terça-feira (22), a meio-campista evitou falar sobre aposentadoria. Apesar de ter acertado contrato com o São Paulo até o fim de 2022,  a jogadora de 43 anos admitiu que as questões além da carreira profissional de jogadora surgiram como fundamentais para a contratação.

“Todo mundo sabe da minha luta e do meu desejo de ver o futebol feminino no auge, e que ali seria o momento de parar. Está chegando esse momento. Agora falta eu ter esse papel para as mais novas, de apoio. As meninas têm que valorizar o hoje, porque foi duro o que passamos. As novas meninas devem seguir trabalhando com seriedade e manter o futebol feminino em alta”, afirmou Formiga durante a coletiva.

Porém, antes de realizar o sonho de virar treinadora, os planos a curto prazo são o cumprimento de contrato com o tricolor paulista e a busca pelo ouro olímpico inédito com a Seleção Brasileira em Tóquio.  

“Em questão ao São Paulo, venho acompanhando, estamos bem na tabela, podemos encostar nos líderes. Estou louca para treinar, ter contato com as minhas companheiras, com o treinador, para entender a filosofia de trabalho. Vou estar torcendo na Olimpíada. As meninas estão se dedicando muito. Quero somar à equipe, elas têm tanta qualidade como eu, tenho muito a aprender com elas. O que der para ensinar, vou ensinar. Temos que dar direção a essas meninas, ser responsáveis tanto dentro quanto fora de campo”, finalizou a jogadora.

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