O Atlético Tucumán fez uma ótima Libertadores. Passou pelas duas fases preliminares, com direito a uma epopeia contra o El Nacional, e ficou invicto, em casa, apesar de enfrentar camisas pesadas com as do Palmeiras e do Peñarol. Não conseguiu passar às oitavas de final e ganhou como prêmio uma vaga na Copa Sul-Americana, pelo terceiro lugar no grupo. Com todos os méritos que os corajosos argentinos merecem, o Palmeiras, campeão brasileiro, sofreu demais para vencê-los, em casa, nesta quarta-feira, por 3 a 1.

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A missão do Palmeiras era protocolar. Classificaria de qualquer maneira se perdesse por até um gol de diferença e ficou em situação ainda mais confortável quando o Peñarol abriu 2 a 0 sobre o Jorge Wilstermann, no final do primeiro tempo. Ao mesmo tempo, o Tucumán disputou o jogo da sua vida, agarrado às mínimas chances que tinha de passar de fase. E o trabalho de Cuca ainda está no começo. Com todas essas ponderações, o Palmeiras, dono de um talentoso e caro elenco, sofreu demais para vencê-los, em casa, nesta quarta-feira.

Os donos da casa começaram a partida com a cara de seu treinador, nas melhores características do ano passado: muita intensidade e uma jogada ensaiada mortal. O Palmeiras chegava bem pelo lado direito, de onde surgiram os dois primeiros lances de perigo. Roger Guedes cruzou fechado, e Luchetti cortou. Pouco depois, Guerra tentou um voleio, a zaga afastou e Tchê Tchê bateu com perigo. Aos 15 minutos, Zé Roberto rolou cobrança de falta para Guerra, que lançou Guedes, dentro da área. O atacante palmeirense cruzou e Mina empurrou às redes.

O gol fez mal ao Palmeiras. Tão confortável estava com o placar que baixou demais a intensidade. E o Tucumán aproveitou. Acertou a trave de Fernando Prass, com Barbona, e perdeu um gol incrível com Rodríguez, em um espaço de nove minutos. Os donos da casa desperdiçaram duas oportunidades de matar a partida no contra-ataque, basicamente por tomarem decisões erradas: quando era para tocar, Guedes chutou; quando era para chutar, Guedes tocou.

No começo do segundo tempo, Guedes driblou o goleiro e jogou fora outra chance de ampliar por adiantar demais a bola. O Tucumán balançou as redes, com Rodríguez, mas o árbitro anulou, por impedimento. Dois minutos depois, valeu: Evangelista cruzou da esquerda, Prass caçou borboletas – parecido com a saída em falso de Marcos no Mundial de 1999 – e Rodríguez empatou. O mesmo Rodríguez quase virou, com um chute cruzado à esquerda de Prass.

Cuca mexeu bem: tirou Borja e colocou Willian, e trocou Guedes por Fabiano. Jean foi para o meio-campo e Guerra foi aberto na direita. Por ali, o venezuelano começou a jogada que caiu nos pés de Willian, que limpou e bateu no canto para recolocar o Palmeiras à frente na partida. Quando o momento parecia de controle para os donos da casa, principalmente pela expulsão de Leandro González, o Tucumán quase empatou duas vezes: Jean acertou a própria trave, e Prass defendeu muito bem uma tentativa de Aliendro.

Willian recebeu bom passe de Jean e quase fez o terceiro. Michel Bastos, de cabeça, só não fez por boa defesa de Lucchetti. Nos acréscimos, quando a partida já havia virado uma pelada, Tchê Tchê tabelou com Michel Bastos e cruzou para Zé Roberto, que pegou de primeira e marcou um bonito gol, com Lucchetti já batido.

O Palmeiras marcou cedo, como o time do ano passado costumava fazer, e tinha todas as condições de controlar a partida, mas não conseguiu. Passou tempo demais sob ameaça do Tucumán para quem tem tanta superioridade técnica e financeira. Levou o empate e poderia levá-lo de novo, não fosse a trave e Fernando Prass, que se redimiu da falha no gol de Rodríguez.

A vitória por 3 a 1, em casa, completa uma fase de grupos errática dos alviverdes: precisaram de gols no fim para ganhar do Jorge Wilstermann e do Peñarol, em casa; viraram contra os uruguaios depois de levar 2 a 0 no primeiro tempo; empataram com o Tucumán, na Argentina, com um jogador a menos quase o jogo inteiro; perderam dos bolivianos na altitude; e ganharam do Tucumán em uma partida que deveria ter sido mais tranquila.

O Palmeiras passou em primeiro e tem a terceira melhor campanha, antes das conclusões dos grupos do Botafogo e do Grêmio. Na pior das hipóteses, terá a quinta, o que lhe dá vantagem de decidir o mata-mata no Allianz Parque contra a maioria dos adversários. Foi uma boa fase de grupos, em termos de resultado. Em termos de desempenho, ficou devendo, o que, neste momento, é normal para um time cujo desenvolvimento foi interrompido pela troca de treinadores, por mais que Cuca conheça quase todo mundo muito bem. Tem alguns meses apenas com Copa do Brasil e Brasileirão para corrigir os erros.