Nathan estendeu a camisa do Palmeiras no gramado da Arena Fonte Nova e se ajoelhou, virado em direção à torcida do seu time. Reverenciou a história representada pelo pano verde e os apaixonados por ele ao mesmo tempo. O Palmeiras havia acabado de vencer o Bahia, por 1 a 0, e não ganharia mais nenhum jogo até o final do Campeonato Brasileiro. Foi uma campanha fraquíssima, em que o torcedor encontrou pouco a se agarrar. Agarrou-se em jogadores jovens e identificados, que foram os melhores da temporada, ao lado de Valdivia.

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Entre eles, estava o zagueiro Nathan, com tanto potencial que foi convocado para a seleção brasileira sub-20. Essa chamada fez com que perdesse espaço dentro do Palmeiras, principalmente pela chegada de Alexandre Mattos e seu caminhão de reforços. Tobio, que já estava no clube, Vitor Hugo, Victor Ramos e Jackson assumiram a dianteira da corrida pela dupla de zaga.

Nathan voltou no começo de fevereiro, e mesmo no fraquíssimo Campeonato Paulista, teve uma única chance, na última rodada da primeira fase, quando o Palmeiras foi totalmente reserva. Tobio foi negociado e nem isso proporcionou mais espaço para o jovem zagueiro de 20 anos. Chegou Leandro Almeida, e Nathan continuou relegado à última opção do elenco para a defesa.

Não jogou sequer uma partida da campanha do título da Copa do Brasil e apenas três no Campeonato Brasileiro. A primeira foi contra o Coritiba, fora de casa, improvisado na lateral direita. Fora de posição, sem ritmo de jogo, teve uma péssima atuação e só voltou em duas rodadas da reta final, quando o Palmeiras entrou em campo com os reservas.

O único jogo para valer de Nathan na temporada inteira foi o primeiro contra o Coritiba. Difícil avaliar precisamente o seu potencial de contribuição ao time em apenas uma hora de futebol, fora de casa, atuando em uma posição que lhe é estranha. No geral, ele teve pouquíssimo tempo para mostrar serviço, quase nulo, mesmo considerando que o Palmeiras não teve uma dupla de titulares incontestável.

O agravante para o exílio de Nathan é que, durante a temporada inteira, o único zagueiro titular foi Vitor Hugo. Seu parceiro foi trocado constantemente, principalmente depois da saída de Tobio. Leandro Almeida veio do Coritiba, e não se firmou. Victor Ramos foi bastante utilizado e não correspondeu. Jackson terminou a temporada, e fez uma grande partida contra o Santos, na decisão da Copa do Brasil, mas nunca passou confiança a ninguém.

Se não havia uma definição para a defesa, Nathan não poderia ter sido pelo menos mais testado? Leandro Almeida, Victor Ramos e Jackson são jogadores de nível técnico razoável, para ser bonzinho, e tiveram muito mais oportunidades do que o garoto com potencial que reverenciou a camisa do Palmeiras.

Agora, chega Roger Carvalho, que realizou exames médicos na Academia de Futebol, na última quarta-feira, e está prestes a ser apresentado como um dos primeiros reforços para a próxima temporada, ao lado do goleiro Vagner, do Avaí, e do volante Rodrigo, do Goiás. São todos atletas do empresário Eduardo Uram, que tem relacionamento próximo com Alexandre Mattos e agencia outros sete jogadores do elenco alviverde (Lucas, Vitor Hugo, Egídio, Andrei Girotto, Thiago Santos, Fellype Gabriel e Rafael Marques).

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Ninguém que assistiu a mais de uma partida do Palmeiras na temporada consegue contestar que a defesa precisa ser reforçada. Mas Roger Carvalho não está sendo contratado para resolver o problema. Ele apenas repõe a saída de Victor Ramos, que retorna ao Monterrey. Tem um nível técnico parecido – até pior – que os seus colegas de posição, e aos 28 anos, dificilmente evoluirá para se tornar o jogador que o Palmeiras precisa.

Nathan não serve para ser a quarta opção da defesa? Será mesmo necessário gastar, mesmo que seja pouco – no caso de Roger Carvalho, cujo contrato com o Botafogo chegou ao fim, apenas luvas – para contratar um jogador que todos já sabem o que pode fazer, e não é muita coisa, e que ocupará um espaço que poderia servir para desenvolver um jovem identificado com o clube, e com o potencial de ser muito bom?

Esse não é um problema exclusivo do Palmeiras. Muitos clubes brasileiros preferem gastar com jogadores experientes para compor elenco, ou mesmo serem titulares, a dar respaldo e confiança para jovens das suas categorias de base, mesmo quando a diferença de qualidade entre os dois atletas é insignificante.

Não que certamente Nathan, João Pedro ou Victor Luis, os três moleques que seguraram a barra na briga contra o rebaixamento ano passado, chegarão a esse patamar um dia, mas essa prática reduz bastante a possibilidade de desenvolver pratas da casa e formar novos ídolos identificados com o clube.