O Palmeiras fez um jogo como a torcida esperava. Um jogaço no Pacaembu, uma atuação digna de atual campeão que o alviverde é e um placar que é histórico e incomum: 4 a 0 diante do Santos de Jorge Sampaoli. A goleada não é uma distorção estatística, os gols não foram por acaso. O futebol que o Palmeiras apresentou foi para fazer com que o placar fosse como foi. Uma vitória que mantém o time verde no topo da tabela do Brasileirão.

O duelo era muito esperado porque o Palmeiras é um dos melhores times do país e o técnico do Santos, Jorge Sampaoli, tem feito um trabalho excelente no comando do Peixe, tirando mais do que se esperava do elenco do alvinegro da baixada. O técnico Luiz Felipe Scolari também mostrou suas armas e conseguiu fazer com que seu time tivesse sua melhor atuação desde a sua volta.

De quebra, chegasse a 28 jogos de invencibilidade no Campeonato Brasileiro, contando jogos desde a temporada passada. Felipão ainda não perdeu em jogo sequer no comando do alviverde em jogo pelo Campeonato Brasileiro desde que retornou ao clube. É uma marca notável, porque o time mais uma vez mostrou uma grande solidez defensiva diante de um adversário que tem como característica ter um bom ataque.

O que o Palmeiras fez em campo foi colocar o Santos na parede, com os 20 primeiros minutos que deixaram o Santos sem conseguir respirar. Mais que o resultado, o mais relevante foi a forma como o Palmeiras atuou. E o campeão brasileiro de 2018 era o melhor time em campo no primeiro tempo.

Foram dois gols nessa pressão inicial. Aos sete minutos, gol do zagueiro Gustavo Gómez, em uma cobrança de escanteio de Dudu. O Santos reclamou de falta do zagueiro paraguaio. Antes dos 20 minutos, aos 19, foi a vez de uma boa jogada pelo meio, abertura para Dudu pelo lado direito e cruzamento para a área, rasteiro, onde Deyverson desviou para o gol e marcou 2 a 0.

Depois do intervalo, o que se esperava era que o Santos buscasse o primeiro gol para voltar ao jogo. Só que rapidamente, logo aos sete minutos, Raphael Veiga chutou de fora da área e levou muita sorte: a bola desviou no meio do caminho e matou o goleiro Vanderlei, entrando mansamente no gol. Os 3 a 0 no placar tornaram as coisas muito complicadas para o time de Sampaoli.

O técnico argentino foi a campo com um time que não conseguiu desenvolver o seu jogo. Modificou o time, como é de costume. E em campo, o time foi mal. Não teve Victor Ferraz pelo lado direito, normalmente uma arma importante até para armar o time, e também não teve Jorge, que tem feito o mesmo pelo lado esquerdo. Manteve o esquema com três zagueiros, trazendo de volta Alisson. Apesar disso, o time não foi seguro defensivamente e também pouco conseguiu fazer ofensivamente.

O atacante Rodrygo, um dos destaques do time, ficou no banco e acabou sequer entrando. Mesmo quando o treinador abriu mão da ideia inicial e, no segundo tempo, lançou mão de Victor Ferraz, Jean Mota e Christian Cueva, o time não conseguiu e tornar envolvente. Teve mais a bola, como o esperado, mas não conseguia levar perigo ao goleiro Weverton.

O Palmeiras, tendo pouco a bola, tinha o controle do jogo a partir da defesa. A sua dupla, Luan e Gustavo Gómez, segue invicta, ultrapassando 900 minutos sem tomar gols. E, mais, o time alviverde começou a ter contra-ataques perigosos. Perdeu algumas chances, que poderiam ter ampliado o placar já antes, mas aos 43 minutos veio o golpe de misericórdia.

Em uma descida ao ataque muito veloz, a movimentação do Palmeiras pegou a defesa do Santos de calças curtas e Dudu aproveitou para servir Hyoran, que entrou no segundo tempo no lugar de Zé Rafael. O meia-atacante finalizou bem e aproveitou a chance: 4 a 0.

A goleada foi merecida. O Palmeiras mostrou o futebol que se espera que o time jogue. A cobrança sobre Felipão e sobre os jogadores é justamente por causa de jogos como o desta noite no Pacaembu: o time é capaz de envolver adversários, de amassar mesmo um rival em um clássico. Fez isso com muita autoridade, diante de um time que vinha jogando bem. Uma demonstração de força grande do time.

Se faltava futebol em jogos do Palmeiras que, por vezes, conseguia resultado, o que se viu em campo neste jogo contra o Santos foi justamente o jogo esperado. Não precisou ter a bola o tempo todo para jogar bem, saber o que fazer em campo e ser mais perigoso o jogo inteiro. Quem olha para os números pode se enganar. Na posse de bola, o Santos teve 66,4% contra 33,6%, mas o número de chutes do Palmeiras foi maior, 17 a 12. Se contarmos os chutes certos, ou seja, aqueles que acertaram o gol, o placar fica em 8 a 4 para o Palmeiras. Ainda favorável.

Dudu fez uma grande partida, sendo, ao mesmo tempo, um atacante perigoso pelos lados e um bom armador pelo meio, de acordo com a necessidade da partida. Felipe Melo fez mais uma vez um bom jogo. Os dois jogadores parecem capazes de levar o nível do time do Allianz Parque (alugado para um show de Los Hermanos na noite deste sábado). O Palmeiras está no topo da tabela e, pior para os adversários, vai mostrando capacidade para manter-se por lá.

Atlético foi organizado para vencer Flamengo com um a menos

Chará, do Atlético Mineiro (Foto: Getty Images)

O Atlético Mineiro conseguiu vencer o Flamengo por 2 a 1 no estádio Independência, em um jogo que contou com falhas defensivas do time carioca, muita organização do Galo e um Flamengo incapaz de aproveitar a vantagem de um jogo a mais.

Os dois gols do Atlético saíram a partir de falhas do Flamengo. Em uma saída de bola ruim, com Diego Alves tocando para Renê, que tocou para Rodrigo Caio e o zagueiro vacilou, chutou em cima de Ricardo Oliveira e a bola sobrou para Juan Cazares. Com categoria, o camisa 10 do Galo limpou a marcação, deixando os zagueiros sentados, e tocou no canto para marcar 1 a 0.

Só que o Flamengo se recuperou rapidamente com Bruno Henrique, em uma jogada individual, logo em seguida. Marcado por dois jogadores, o atacante do Flamengo balançou a marcação e chutou de pé esquerdo para marcar o empate, não dando nem tempo para que os mandantes saboreassem o gosto da vantagem.

O jogo complicou para o Galo depois de uma entrada dura de Elias, que o árbitro tinha deixado passar, mas o VAR chamou a atenção. Veio a revisão, o cartão vermelho direto, e o Atlético ficou com um a menos ainda no fim do primeiro tempo. E com um a menos mesmo, já no segundo tempo, Chará aproveitou uma bola cabeceada para cima de Léo Duarte e chutou, sem ângulo, para acertar o gol e marcar 2 a 1.

Com um a menos, o Atlético se fechou na defesa, tentando segurar o ímpeto que viria do Flamengo. Até veio, mas não com a qualidade esperada. O Flamengo teve pressa, teve urgência, mas não teve organização, algo que sobrou ao rival no campo. O time da casa, ainda com Rodrigo Santana como técnico interino, soube se posicionar e tentar tirar os espaços. Conseguiu. E sai com três pontos importantíssimos diante de um dos rivais mais fortes do país.

Fluminese trucida defesa do Cruzeiro

João Pedro, do Fluminense (Foto: Getty Images)

Nenhum técnico gosta de levar gols, mas Mano Menezes fica furioso quando o seu time não consegue ter uma defesa sólida. E o time não tem conseguido ter. Diante no Fluminense no meio da semana, pela Copa do Brasil, tomou 20 finalizações ao gol. Só levou um gol, no final, e ainda lamentou porque quase venceu – com apenas um chute a gol, que acertou e converteu. Desta vez, pelo Brasileirão, não teve choro nem vela. Foi um 4 a 1 que o Fluminense se impôs no Maracanã e deixou a defesa do Cruzeiro bastante exposta.

Destaque para o atacante João Pedro, que entrou no segundo tempo e marcou dois gols, em mais uma boa atuação. Marcos Paulo, outro a entrar no segundo tempo, também foi muito bem e foi outro que veio do banco. O time de Fernando Diniz foi bastante melhor e novamente pressionou muito, criando chances para muitos gols. Diferente do meio da semana, desta vez as chances foram convertidas e o Cruzeiro de Mano Menezes tem muito o que pensar para lidar com esse momento ruim.