Palmeiras atropela no meio-campo e amassa o São Paulo com golaços e Dudu e Tchê Tchê

Gol de cobertura de Dudu incendeia Allianz Parque em dia que o Palmeiras se impôs e mostrou muita superioridade diante do rival

Teve boa atuação, teve golaço e teve dois jogadores fundamentais mostrando por que estão entre os melhores do país. O Palmeiras venceu o clássico com o São Paulo contando com tudo isso e ainda com um gol por cobertura, que ficou marcado no duelo desde 2015 pelos golaços de Robinho contra o então goleiro e agora técnico Rogério Ceni. O jogo no Allianz Parque teve o time verde impondo uma superioridade notória sobre o rival e terminou 3 a 0 para o Palmeiras. E o placar ainda poderia ser maior, dada a superioridade do atual campeão brasileiro em campo, com muita vibração dos 36.090 torcedores presentes no estádio.

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Os dois times trouxeram escalações diferentes das habituais. No Palmeiras, Jean foi poupado e deu espaço para Fabiano. No meio, Felipe Melo estava suspenso e Thiago Santos fez a sua função, com a volta de Tchê Tchê ao setor, recuperado de lesão. Alejandro Guerra foi titular no lugar de Keno e Willian ficou com a vaga que foi de Miguel Borja na quarta-feira, contra o Atlético Tucumán. O time não perdeu qualidade de jogo, mas demorou um pouco mais para se achar em campo.

O São Paulo, por sua vez, estava em Cristian Cueva em campo. Rogério Ceni optou por levar a campo Jucilei em seu lugar, adiantando Thiago Mendes para a linha de frente. Apesar de ter sido só uma mudança em relação ao time titular habitual de Rogério, foi muito sentida. A opção do técnico tricolor não funcionou e o Palmeiras foi muito superior no meio-campo, onde acabou conseguindo superar o rival especialmente no segundo tempo. Isso tem a ver também com a péssima atuação de João Schmidt, errando muitos passes e não conseguindo dar a qualidade na saída de bola que tem capacidade.

Desde o início, o São Paulo teve dificuldade na saída de bola e errou muitas vezes. O Palmeiras tinha menos posse de bola, mas tentava atacar com velocidade quando a recuperava. Mesmo melhor em campo, o Palmeiras não criou chances, mas chegou mais perto do gol que o rival. O São Paulo trabalhava a bola só na defesa e na linha de meio-campo, onde acabava atropelado pela atuação, especialmente, de Tchê Tchê. Mas vale também ressaltar que Thiago Santos, mesmo tomando amarelo na segunda etapa, teve uma participação importante na marcação.

Os principais destaques, porém, foram mesmo os jogadores ofensivos. Guerra e especialmente Dudu foram muito bem e mostraram que o Palmeiras pode atuar bem no 4-1-4-1 que Eduardo Baptista tanto gosta. O técnico abriu Dudu pelo lado esquerdo e fechou os espaços pelo lado direito do ataque do São Paulo, pressionando Buffarini em espaços curtos. Guerra se movimentava mais, mas também apareceu bem.

O gol do Palmeiras saiu no final do primeiro tempo, aproveitando uma saída de bola errada do São Paulo. Douglas tocou para Buffarini, que bobeou e viu Egídio dar um bote certeiro para recuperar a bola. Dudu ficou com a bola e, sem pensar muito, chutou, quase da linha de meio-campo e na lateral, bem em frente a Rogério Ceni. Por cobertura, marcou mais um golaço do Palmeiras contra o São Paulo desta forma. Se das outras vezes o goleiro era Rogério, desta vez ele acompanhou bem de perto de onde saiu o chute.

No segundo tempo, a diferença entre os dois times ficou gritante. Rogério Ceni tirou Jucilei e colocou Wellington Nem, tentando ganhar força ofensiva. Com João Schmidt mal e Thiago Mendes e Cícero marcando mal, o meio-campo do São Paulo perdeu em marcação e viu o Palmeiras deitar e rolar.

O segundo gol veio dos pés de um dos protagonistas do jogo, Tchê Tchê. Agora a vestindo a camisa 8 que era de Barríos – desde que chegou ao clube, em maio de 2016, ele vestia a 32 –, o meio-campista recebeu a bola do lado direito, puxou para o meio e chutou forte de pé esquerdo. Um golaço do volante alviverde. E não teve reação. O São Paulo assistiu ao Palmeiras jogar.

Michel Bastos abraça Tchê Tchê (centro), com Rogério Ceni ao fundo (Foto: Palmeiras)
Michel Bastos abraça Tchê Tchê (centro), com Rogério Ceni ao fundo (Foto: Palmeiras)

Rogério tentou outra mudança e errou novamente na substituição. O técnico do São Paulo tirou João Schmidt, que realmente vinha mal, mas colocou Lucas Fernandes, meia de criação, tentando, tardiamente, repor a falta que Cueva fazia. Só que abriu de vez o setor onde o Palmeiras estava sobrando.

O técnico Eduardo Baptista soube entender o jogo melhor, tirou proveito desse problema do rival e fez o Palmeiras crescer ainda mais, com Guerra caindo pelo meio para aproveitar esse buraco que o time tricolor apresentava. O time verde passou a mandar por ali. Se no segundo gol, Tchê Tchê já entrou no espaço vazio e não foi incomodado por Cícero, que estava na marcação, a mudança do treinador são-paulino piorou a situação.

Foram várias chances de gol e o Palmeiras não ampliou por não conseguir aproveitá-las. Borja teve duas boas chances e acabou desperdiçando. O Palmeiras chegou ao terceiro quando a defesa do São Paulo foi muito mal. Em um ataque rápido pelo meio, Michel Bastos colocou para Borja em velocidade e o atacante chegou muito à frente do zagueiro Douglas. O goleiro Denis falha na dividida com o atacante alviverde e Guerra chega para tocar para o gol.

Foi só com os 3 a 0 no placar que Rogério Ceni percebeu que tinha perdido o meio-campo. Tirou Luiz Araújo e colocou o volante Felipe Araruna. Recuperou o setor, mas o jogo estava perdido. O Palmeiras era um time que sabia o que fazer com a bola quando a tinha nos pés. O São Paulo não. Tocava muito a bola de lado, sem encontrar espaços contra um time bem posicionado.

O Palmeiras, neste momento, é mais time que o São Paulo e não só tecnicamente, pelo melhor elenco, mas também taticamente. Não dá para culpar apenas as falhas individuais nos gols. O São Paulo funcionou pouco coletivamente e mostra um time muito melhor que o outro. A diferença entre os dois times é clara, embora não seja, na teoria, para um 3 a 0. No jogo deste sábado, porém, os 3 a 0 ficaram até baratos para os visitantes no Allianz Parque. Não seria nenhum absurdo que o jogo tivesse acabado ao menos 4 a 0, talvez até mais.

Uma vitória que alivia a situação de Eduardo Baptista, questionado por escolhas e por rendimento abaixo do esperado para um elenco tão forte e um time campeão brasileiro. Mostrou um entendimento do jogo muito bom, colocou seu time pronto para amassar o rival. E, diante da oportunidade, não titubeou para aproveitar.

Já Rogério Ceni, por sua vez, tem muito o que lamentar. Errou na escalação, com Thiago Mendes jogando mal na posição mais avançada, e não soube entender o que aconteceu no meio-campo. O jogo travado no primeiro tempo deu uma falsa sensação ao treinador que o jogo estava igual, mas o Palmeiras já era melhor. A escolha pela saída de Jucilei foi um erro que custou caro diante de um rival tão forte. Tomou um baile e terá que aprender com seus erros e também com as lições que o jogo deu sobre os jogadores.

As falhas na saída de bola têm a ver com uma ideia de jogo ainda difícil de aplicar, mas também com jogadores que não rendem como esperado. Douglas foi mais uma vez mal em campo. Buffarini ficou abaixo do esperado e Dênis mais uma vez não foi seguro e falhou. João Schmidt, que vinha bem, foi muito mal em campo. E a escolha por entrar com Thiago Mendes como ponta pela direita se mostrou não só pouco eficaz como fez o time perder na marcação e no ataque.

A torcida do Palmeiras saiu comemorando muito. Com Eduardo Baptista mais aliviado e com muitos méritos da vitória maiúscula; Dudu mostrando que é um dos melhores do país na sua posição, assim como Tchê Tchê. Os dois são jogadores de seleção que, um dia, devem acabar tendo oportunidade no time de Tite. A festa no Allianz Parque é mais do que justificada. O campeão brasileiro começou a mostrar mais futebol e ainda tem muito espaço para crescer.