Se nas arquibancadas do Allianz Parque havia torcida única, no campo houve time único. No encontro entre Palmeiras, terceiro colocado do Brasileirão, e Flamengo, já campeão nacional, apenas a equipe que nada tinha em jogo apareceu para o jogo. O 3 a 1 dos visitantes saiu barato e introduz ao futebol brasileiro um conceito basicamente inédito: campeões podem não tirar o pé depois do título.

A crise do futebol brasileiro exposta pelo trabalho de Jorge Jesus é, além de técnica, uma questão de atitude. Por muito tempo se tomou como aceitáveis ideias que não deveriam ter lugar no futebol profissional. Times campeões que desaceleram mesmo em outras competições da temporada é uma delas. Jorge Jesus traz em seu Flamengo o contrário: em preparação para o Mundial, olha só, seus comandados perceberam que é melhor chegar lá voando do que em ritmo de pelada para só então se aplicar.

Não demorou para o Rubro-Negro sair à frente no placar. Aos quatro minutos de jogo, Bruno Henrique tocou em profundidade para Gabigol, que rolou para Arrascaeta, livre, chutar e fazer 1 a 0.

Nos acréscimos do primeiro tempo, Rafinha cruzou para Arrascaeta, que com um toque de classe serviu a bola para Gabigol marcar e ampliar o placar. O momento dos dois gols foi ilustrativo de outra das ideias radicais ao futebol brasileiro, mas naturais ao time de Jorge Jesus: sempre buscar o próximo gol.

Antes mesmo de se completar um minuto do segundo tempo, o atordoado Palmeiras entregou o terceiro gol ao Flamengo. Vitor Hugo errou na saída de bola, e Gabigol ficou livre para fazer 3 a 0.

A partir dali, os cariocas diminuíram o ritmo, porque, apesar de sempre insatisfeitos, não são estúpidos a ponto de aprimorar o lado técnico em detrimento do bem-estar físico na preparação para o Mundial.

Ainda assim, o Palmeiras pouco ameaçou. Duas bolas na trave e um gol anulado pelo VAR depois, o Alviverde conseguiu marcar seu primeiro gol apenas aos 39 minutos do segundo tempo, com Matheus Fernandes. No fim, Diego Ribas ainda quase fez o quarto do Flamengo.

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O Rubro-Negro joga a sua própria liga, e isso foi reforçado novamente neste domingo. Essa diferença acontece porque o futebol dos cariocas é proporcional ao seu investimento (enorme por si só), e isso só veio porque a diretoria encontrou em Jorge Jesus um técnico conhecedor e capaz de motivar seus atletas.

Se na média dos clubes brasileiros as coisas funcionassem mais ou menos como deveriam e o rendimento em campo fosse também proporcional ao investimento, a distância entre o Rubro-Negro e o resto não seria tão larga quanto é.

Agora com 87 pontos, seis a mais que o antigo detentor do recorde na era dos pontos corridos com 20 clubes (Corinthians de 2015), o Flamengo pode ainda atingir 93 pontos. Com a mentalidade do Mister, é isso que eles vão buscar.