Joseph Blatter mais uma vez resolveu intervir no histórico conflito entre Palestina e Israel. Desta vez, com a Fifa dando mais motivos para a discussão. O dirigente chegou nesta terça-feira à região, onde conversará com o primeiro ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas. Quer negociar os embargos de Israel ao futebol da Palestina, que fazem a federação correr o risco de ser suspensa pela Fifa, em decisão a ser tomada durante votação no Congresso do próximo dia 29. Evento que também elegerá o presidente da Fifa.

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Por enquanto, o discurso de Blatter é conciliador. Segundo o cartola, Netanyahu concordou em realizar um “jogo da paz” entre os dois países. Além disso, o presidente também falou que é contra a votação, marcada para um momento inapropriado, embora ele não tenha poderes suficientes para retirá-la da pauta. “Depois de me encontrar com os presidentes das duas federações, tomei a decisão de que queria me encontrar também com as autoridades políticas dos dois países. Hoje foi o primeiro passo”, afirmou.

Se a suspensão de Israel fosse aprovada, seria um caso raro na história da Fifa, semelhante ao da África do Sul do Apartheid e da Iugoslávia desmembrada. A seu favor, os israelenses justificam que “não quebram leis ou regras” em limitar o trânsito de jogadores e equipes entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, o que prejudica o futebol na Palestina. Além disso, o exército do país chegou a bombardear estádios vizinhos, acusado de abrigar armamentos de rebeldes. Já os palestinos acreditam na sanção, não só por mera simpatia a sua causa, mas também pelos prejuízos esportivos. Além disso, cinco clubes israelenses estariam localizados em assentamentos ilegais, o que é proibido pela Fifa.

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Apesar do discurso de Blatter, fica difícil não desconfiar da postura do dirigente, em especial pelo momento vivido. Restando uma semana para tentar outra reeleição, o presidente da Fifa poderia se beneficiar com votos de países árabes com a abertura indicada a apoiar a causa palestina, enquanto Israel não representa uma contrapartida de tanto peso nos bastidores do futebol. Por outro lado, a polêmica tenta eclipsar a pressão que Blatter vem sofrendo pela omissão da Fifa sobre as seguidas denúncias de violações de direitos humanos pelo Catar, sede da Copa do Mundo de 2022.

Se a Fifa não permitir a votação na próxima semana, há ainda a ameaça de que os palestinos recorram ao Tribunal Arbitral do Esporte, algo que Blatter certamente não desejaria. E, enquanto os trâmites se intensificam nos bastidores, com a Palestina ganhando simpatia para o Congresso, Blatter quer demonstrar uma imagem de conciliador que nunca teve. A conveniência vale muito neste momento.