Pais e filhos que, assim como Lilian e Marcus Thuram, defenderam suas seleções nacionais

Em sua lista de convocação divulgada nesta quinta-feira (5), Didier Deschamps confirmou a primeira chamada a Marcus Thuram. Filho do campeão do mundo Lilian Thuram, ex-companheiro de Deschamps, o atacante do Borussia Mönchengladbach vinha sendo observado há um bom tempo pelo treinador, que afirma ter visto evolução no futebol do jogador desde que deixou o Guingamp para se aventurar na Bundesliga.

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Em meio a um ataque estrelado e repleto de opções, Thuram tem um longo caminho pela frente para se tornar um nome constante nas chamadas dos Bleus. Ainda assim, sua primeira convocação, 26 anos depois da primeira chamada do pai, Lilian, estende uma tradição de pais e filhos representando a mesma seleção nacional – e a história não deve parar por aí, já que Khéphren Thuram, de 19 anos, surge muito bem na Ligue 1, defendendo o Nice, e pode nos próximos anos também pintar na equipe nacional, contanto que siga bem seu desenvolvimento mostrado nas categorias de base dos Bleus.

Com o gancho do legado dos Thuram, relembramos outros pais e filhos que vestiram a camisa de seu país, cada qual em sua era. Há casos de pais e filhos igualmente brilhantes; em outros, os filhos superaram os pais; e, claro, há também as crias que não conseguiram repetir o mesmo sucesso de seus progenitores.

Fique à vontade para deixar nos comentários outros casos de pais e filhos que defenderam a mesma seleção nacional. Se quiser conferir outros nomes, o site Transfermarkt conta com uma lista dedicada justamente a isso, que você pode acessar aqui.

Peter Schmeichel (126 jogos) e Kasper Schmeichel (58 jogos) – Dinamarca

Peter e Kasper Schmeichel (Henri Szwarc/Catherine Ivill/Getty Images/OneFootball)

Altamente influenciado pelo ambiente em que cresceu, Kasper Schmeichel seguiu os passos do pai e se tornou goleiro. Igualar alguém do status de Peter Schmeichel seria pedir demais, mas Kasper alcançou seu próprio grau elevado de sucesso. Há anos está entre os principais goleiros da Premier League, além de ser o titular da seleção dinamarquesa.

Arnór Gudjohnsen (73 jogos) e Eidur Gudjohnsen (88 jogos) – Islândia

Arnór Gudjohnsen marcou sua época com a camisa da seleção islandesa, entre 1979 e 1997, e protagonizou em 1996 uma rara cena ao ser substituído pelo próprio filho, Eidur Gudjohnsen, então com 17 anos, em um amistoso contra a Islândia. Eidur terminaria por superar o pai como jogador mais emblemático da história da Islândia, mas o tempo não para, e a nova geração vem aí: dois de seus filhos, Andri (18 anos) e Daniel (13 anos), jogam atualmente nas categorias de base do Real Madrid, enquanto um terceiro, Sveinn Aron Gudjohnsen, atua pelo OB, da Dinamarca.

Gheorghe Hagi (125 jogos) e Ianis Hagi (14 jogos) – Romênia

Ianis Hagi chama mais atenção pelo nome do que pelo próprio futebol, mas isso não quer dizer que ele próprio não seja um jogador de bastante potencial. Essa constatação é apenas uma ilustração do status de ídolo e ícone cult que foi seu pai, Gheorghe Hagi, que teve seu momento de maior brilho na Copa do Mundo de 1994, em que foi um dos destaques individuais. Ianis estreou pela seleção romena há apenas dois anos. Aos 22, com margem para se desenvolver, pode não repetir o sucesso do pai, mas tem tudo para ter sua própria carreira digna de alguma recordação.

Abedi Pelé (73 jogos) e André (86 jogos) e Jordan Ayew (58 jogos) – Gana

Abedi Pelé e os filhos André e Jordan Ayew (Pius Utomi Ekpei/Christopher Lee/Getty Images/OneFootball)

Um dos maiores jogadores africanos de todos os tempos, Abedi Pelé construiu um nome tão pesado pela seleção de Gana que, logo que surgiram, seus filhos, André e Jordan Ayew, foram acompanhados de perto como grandes promessas pelo simples fato de quem era seu pai. A dupla não conseguiu repetir o sucesso do progenitor, mas ainda assim teve seu destaque no futebol europeu e se tornaram nomes constantes da seleção ganesa. Ambos foram revelados pelo Olympique de Marseille, onde Abedi Pelé é ídolo, e chegaram à Premier League. André Ayew hoje está no Swansea, na Championship, enquanto Jordan defende o Crystal Palace, na elite inglesa.

Pablo Forlán (18 jogos) e Diego Forlán (112 jogos) – Uruguai

Ainda que tenha tido mais destaque em sua carreira por clubes, entre eles São Paulo e Peñarol, Pablo Forlán defendeu a seleção uruguaia entre 1966 e 1976, participando de duas Copas do Mundo. Foi majoritariamente opção de banco da Celeste, mas abriu caminho para que seu filho, Diego Forlán, seguisse o legado da família e deixasse seu nome na história do futebol uruguaio, com 112 jogos disputados e a conquista da Copa América 2011, além do prêmio de melhor jogador da Copa do Mundo de 2010.

Danny Blind (42 jogos) e Daley Blind (68 jogos) – Países Baixos

Se você procurar, irá encontrar várias imagens de Danny Blind em seus tempos de jogador ao lado do filho Daley Blind. Mais tarde, Daley seguiria os passos do pai na seleção neerlandesa e chegaria a trabalhar com ele, este já como técnico. O filho já superou o número de partidas do pai pela Oranje, mas, apesar de ter sido altamente promissor em certa época, nunca chegou perto da representatividade de Danny, um ícone do Ajax vencedor dos anos 1990.

Diego Simeone (108 jogos) e Giovanni Simeone (5 jogos) – Argentina

Diego e Giovanni Simeone (Stu Forster/Harry How/Getty Images/OneFootball)

Giovanni Simeone não dá pinta de que terá a mesma representatividade que o pai para o futebol argentino. Aos 25 anos, o atacante soma apenas cinco amistosos com a camisa da Argentina, tendo sido convocado pela primeira vez em 2018. Ainda assim, já fez o suficiente para escrever um capítulo de pais e filhos que estrelaram por uma mesma seleção. O pai e hoje técnico do Atlético de Madrid, Diego Simeone, representou a Albiceleste entre 1988 e 2002 e tem entre suas conquistas as Copas América de 1991 e 1993.

Finn Laudrup (19 jogos) e Michael (104 jogos) e Brian Laudrup (86 jogos) – Dinamarca

A seleção dinamarquesa é mesmo coisa de família. Assim como os Schmeichel, os Laudrup estiveram representados por diferentes gerações na equipe alvirrubra. Finn Laudrup foi atacante e defendeu a Dinamarca entre 1967 e 1979, embora tenha tido mais espaço apenas entre o fim da década de 1960 e o início da de 1970. Os filhos, por outro lado, deixaram sua marca. Atuaram juntos na seleção ao longo de 11 anos, com Michael Laudrup tendo carreira mais longa na equipe, por 16 anos. Michael teve maior destaque, sendo parte da famosa Dinamáquina da Copa de 1986, mas Brian também teve passagem significativa ao ser o único dos irmãos a participar da conquista da histórica Euro de 1992, com Michael Laudrup ficando de fora por diferenças com o técnico Richard Moller Nielsen.

Domingos da Guia (30 jogos) e Ademir da Guia (12 jogos) – Brasil

Domingos da Guia deixou seu nome na história do futebol brasileiro não só como um dos melhores zagueiros a defender a seleção brasileira, mas também por dar ao esporte (e ao palmeirense) Ademir da Guia, seu filho. Enquanto Domingos, o Divino Mestre, participou da Copa do Mundo de 1938, Ademir, o Divino, esteve no Mundial de 1974. Porém, enquanto o pai teve bastante prestígio com a Amarelinha, o filho é visto como um dos maiores injustiçados pela seleção, relegado a pouquíssimas aparições mesmo como ícone e grande craque de um dos maiores clubes do país.

Mazinho (35 jogos) e Rafinha Alcântara (2 jogos) – Brasil

Mazinho e Rafinha (Shaun Botterill/Getty Images/Imago/OneFootball)

Tivesse Thiago Alcântara escolhido representar o Brasil, o legado da família na seleção brasileira iniciado por Mazinho, campeão do mundo em 1994, seria hoje maior, mas o mais habilidoso dos irmãos Alcântara optou pela Espanha. Rafinha, por outro lado, estava decidido em continuar a história do pai, mas nunca mostrou futebol suficiente para receber mais do que duas convocações, a primeira com Dunga, quando participou de dois amistosos, e a segunda e última com Tite, em novembro de 2018, como suplente de Casemiro.

Cesare Maldini (14 jogos) e Paolo Maldini (126 jogos) – Itália

Icônico no Milan, Cesare Maldini teve uma carreira curta na seleção italiana, com 14 jogos entre 1960 e 1963. Já seu filho Paolo Maldini não só estendeu o legado da família nos Rossoneri, tornando-se uma lenda do clube, como também marcou época pela Azzurra, pela qual atuou entre 1988 e 2002. Não espanta que agora a pressão esteja em cima de Daniel Maldini. Por enquanto, o atacante representou a Itália apenas em equipes de base, mas, com 19 anos, tem tempo de sobra para se desenvolver e tentar repetir o sucesso da família, ainda que em posição diferente.