Vincent Kompany sempre demonstrou um nível de consciência acima dos padrões do futebol. O zagueiro do Manchester City possui especializações em administração e se volta à política, como bem notado em seu compromisso de auxiliar a crescente população de rua na Grande Manchester. E o interesse pela gestão pública vai além dentro de sua casa. Pierre Kompany, seu pai, foi protagonista de um momento histórico na Bélgica. Ele se tornou o primeiro negro a ser eleito prefeito no país, ganhando o pleito municipal em Ganshoren – cidadezinha de 25 mil habitantes na região metropolitana de Bruxelas.

Nascido na República Democrática do Congo, Pierre migrou à Bélgica em 1975, escapando das dificuldades econômicas e da repressão em seu país. Na nova nação, o refugiado se estabeleceu como engenheiro mecânico. Vincent nasceria em 1986, no subúrbio de Uccle, também em Bruxelas. O pai trabalhou como empresário do zagueiro, mas também se inseriu na vida da região onde foi acolhido. A partir de 2006, quando o filho ainda não havia estourado, passou a atuar em cargos públicos. Em 2014, foi eleito para o parlamento regional. Já neste domingo, aos 71 anos, acabou reconhecido pela população de Ganshoren por seu trabalho junto à comunidade.

A eleição acontece em um momento importante na Bélgica, de discussões sobre o racismo no país. Pierre Kompany recebeu 28,38% dos votos em Ganshoren, representando uma quebra nos padrões da política nacional. “Trabalhamos duro ao longo dos últimos meses, mas não podemos pensar que é suficiente chegar à prefeitura. Nós planejamos nossos projetos para todas as raças e todas as comunidades, por isso nossa votação foi tão alta”, declarou o novo prefeito.

Em suas redes sociais, Vincent Kompany manifestou sua alegria por Pierre: “Histórico! Estamos tão orgulhosos de você, pai. Veio da RD Congo como refugiado, há 43 anos. Agora ganhou a confiança de sua comunidade para se tornar o primeiro prefeito negro eleito na Bélgica! Demorou muito, mas é um progresso! Um parabéns massivo!”. Anteriormente, o zagueiro havia criticado a falta de envolvimento direto dos políticos com a população de seu país e, durante a última semana, questionou a falta de diversidade cultural no governo belga. Agora, poderá auxiliar seu próprio pai como uma semente desta mudança.


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