A união com a escola alemã tem levado o Urawa Reds Diamonds a patamares cada vez mais estelares na J-League, o Campeonato japonês de futebol. O clube de Saitama é o atual campeão nacional e lidera a presente competição com 72,2% de aproveitamento – a melhor campanha desde 2004, quando resolveu apostar em treinadores alemães.

O impulso inicial do sucesso começou naquele ano, trazendo Guido Buchwald, campeão Mundial como jogador, pela Alemanha, em 90, na Itália, para iniciar a revolução, que hoje segue com Holger Osieck, que deu seqüência no trabalho do atual técnico do Alemannia Aachen.

Sendo o clube mais rico do país, e o 87º do mundo, os ‘Reds’ não sabem o que é ficar fora da briga pelo titulo desde que resolveu apostar na filosofia germânica: vice-campeão em 2004 e 2005, e campeão em 2006, sempre com Buchwald. Atualmente é o líder da competição, com Osieck no comando.

Uma característica da sólida equipe onde atua o centroavante Washington, maior artilheiro da história de um Campeonato Brasileiro, é a defesa. Desde a J-League 2005, sempre termina como a menos vazada (no atual certame também é a menos batida), o que denota uma clara influência da ideologia germânica, tradicionalmente implacável no reparto defensivo – aliado ainda ao passado de Buchwald e Osieck, que foram zagueiros.

O que não significa que os ‘Reds’ não tenham munição para fuzilar as redes adversárias, pois seu ataque sempre fica entre os quatro melhores desde 2004, e teve o goleador máximo em duas ocasiões: Emerson (atual Rennes-FRA), em 2004, e Washington, em 2006.

A ascensão futebolística enlaçou o interesse do público. É o clube recordista em média de torcedores nos jogos. Traçando um parâmetro comparativo, desde 2002, houve um aumento de cerca de 55% na média de público.

O mais inusitado é que a primeira vez que o Urawa Reds apostou na escola alemã, em 95, 96, e 97, foi declinante: 4º, 6º, e 10º lugares respectivamente. Adivinha quem era o técnico nos dois primeiros anos? Holger Osieck, o atual treinador.

Às vezes, uma ‘colher de chá’ pode ser um bom negócio no futebol..

Desempenho do Urawa ‘alemão’ nos últimos anos:
2004 – vice-campeão, aproveitamento de 68,9%
2005 – vice-campeão, aproveitamento de 57,8%
2006 – campeão, aproveitamento de 70,6%
2007 – líder, aproveitamento de 72,2%

Média de público por temporada
2004 – 36.660
2005 – 39.357
2006 – 45.573

A dinastia teutônica: Como funciona o 3-5-2 triunfal dos ‘Reds’

O futebol alemão consagrou-se historicamente como o grande embaixador do 3-5-2. Quando Buchwald assumiu as rédeas da equipe de Saitama em 2004, logo implantou o enrijecido desenho tático teutônico, que segue com totais méritos nas mãos do atual ‘manager’ Holger Osieck.

Sempre necessitando de grandes líberos, a dificuldade era achar quem exercesse a função no Urawa, e o brasileiro naturalizado japonês Marcos Túlio Tanaka foi o escolhido.

Eleito o melhor jogador da última J-League, Tanaka é um duro defensor que vem sendo moldado com sucesso para exercer a função de líbero. Ao seu lado, compondo o trio defensivo, estão Keisuke Tsuboi, um talento oriundo da universidade de Fukuoka que está há 5 anos na equipe, e Nenê, campeão brasileiro com o Corinthians, em 99.

Na frente da defesa dois volantes blindam o setor intermediário: Yuki Abe, jogador da seleção nipônica e que chegou este ano do JEF United como a contratação mais cara do país. Dotado de técnica apurada, é um grande cobrador de faltas. Ao seu lado Keita Suzuki, eleito para a seleção da J-League 2006.

Aberto na ala-direita está o capitão Nobuhisa Yamada, desde 94 na equipe, é um símbolo do clube. Bate muito bem na bola.

Teoricamente ocupando a faixa esquerda, mas com um raio de ação muito amplo, o astro Shinjo Ono, ex-Feyenoord-HOL, auxilia o brasileiro Robson Ponte na distribuição de jogadas e aproximação do ataque, numa dinâmica onde Yamada recua para compor a linha defensiva – convertendo o desenho do 3-5-2 para um 4-4-2 quando Ono irrompe nesta ação.

Com a ‘10’ as costas, Robson Ponte, ex-Guarani, é o craque do time. Criatividade abundante e um ‘sprint’ incomum para um jogador de 31 anos. Com Ono, é o encarregado de conduzir o jogo até os atacantes Yushiro Nagai e Washington.

Nagai esteve no vice-campeonato do Japão no Mundial júnior, em 99.
“Ele é muito rápido e finaliza com precisão”, nos conta o zagueiro Ricardo Cavalcante, do Juventude, que jogou 9 anos na terra do sol nascente.
Artilheiro da última edição, Washington teve uma média de 1 gol por partida e foi o responsável por conduzir os ‘Reds’ ao seu primeiro título, ano passado.

Aos 32 anos, o ‘coração valente’ se encontra em plena forma e se entendendo muito bem com Nagai, Ono, e Robson Ponte. Lembrando que o arisco Tatsuya Tanaka sempre é usado no 2º tempo dos jogos para aplicar maior velocidade nas zonas avançadas do campo.

Definitivamente funcionou o plano de construir um ‘onze’, encaixando na metodologia de trabalho alemã, jogadores japoneses de alto nível (para os padrões locais) e brasileiros capazes de fazer a diferença em campo. Os fanáticos torcedores agradecem.

Na visão de Domenech…

Se o treinador da seleção francesa avaliasse o time japonês certamente iria citar o fato do técnico Holger Osieck e da imensa maioria dos jogadores titulares serem do signo de Virgem. Segundo a tradição astrológica, o 6º signo do zodíaco representa o trabalho, a meticulosidade, e a atenção aos detalhes. Em outras palavras, os indivíduos mais chatos e perfeccionistas..

Mesmo valorizando essa teoria absurda, Domenech levou a França a final da última Copa…

CURTAS

QATAR
– O atacante de Serra Leoa, Mohammed Kallon, assinou com o Al Arabi por um ano, onde vai ganhar 2 milhões de euros. O ex-atacante de Internazionale e Mônaco, queria voltar ao Al Ittihad, da Arábia Saudita, clube que defendeu em 2005, mas foi recusado pelo técnico brasileiro Candinho, que considera que o elenco dos ‘tigres’ está saturado de meias e atacantes.
– Africano chegando, africano saindo: Jay-jay Okocha deixou o Qatar SC e voltou á Inglaterra para defender o Hull City, da England Division I.

CORÉIA DO SUL
– O Suwon Samsung Bluewings venceu sua 6ª partida consecutiva na K-League, ao derrubar o modesto Jeju United, por 1 a 0, e lidera de forma isolada a competição com 43 pontos, dois a mais que o Seongnam Ilhwa Chunma.

IRAQUE
– Depois de fracassar nas negociações com o Al Sadd, do Qatar, o técnico brasileiro Jorvan Vieira estuda a hipótese de retornar a seleção iraquiana, que ele mesmo conduziu ao inédito título asiático á pouco mais de um mês. Segundo o Presidente da Federação Iraquiana, Hussein Saeed, “Vieira virá á Jordânia para negociarmos um novo contrato”.

TADJIQUISTÃO
– O Regar-TadAZ, de Tursunzoda, parece não ter mesmo adversários em território tadjique. Ganhador de cinco dos últimos seis campeonatos nacionais, a equipe da cidade do alumínio fundido é líder da atual competição.

JORDÂNIA
– Na estréia do técnico português Eduardo ‘Nelo’ Vengada, a Jordânia bateu o Bahrein por 3 a 1 em plena cidade de Manama. O treinador luso, de 54 anos, acertou um contrato de 16 meses com a Associação jordaniana. Vengada possui vasta experiência em clubes do mundo árabe e estava no Acadêmica, de Coimbra, Portugal.

MALÁSIA
– O Kedah completou a ‘triplice coroa’ em território malaio ao bater o Perak por 3 a 0 e levantar a taça da Copa da Malásia. Os canários (que já haviam vencido a Super Liga da Malásia e a FA Cup malaia) sobraram na partida e o destaque foi para o atacante Marlon Alex James, que marcou dois gols. De onde ele é? São Vicente & Granadinas, pequena ilhota do Caribe….