Mesut Özil não está mais disponível no jogo Pro Evolution Soccer Mobile na China. A remoção do jogador do game aconteceu em resposta aos comentários feitos pelo alemão no Twitter, condenando o tratamento do governo chinês à população Uigur no noroeste chinês.

A NetEase, distribuidora do jogo Pro Evolution Soccer Mobile na China, anunciou a exclusão de Mesut Özil do game em uma publicação na rede social chinesa Weibo, dizendo que as afirmações do jogador eram “extremas” e que “magoaram os sentimentos de torcedores chineses e violaram o espírito de amor e paz do esporte”.

As afirmações de Özil a que a NetEase se refere foram feitas em 13 de dezembro, no Twitter, onde o atleta escreveu: “Eles queimam seus Alcorões, fecham suas mesquitas, proíbem suas escolas, matam seus homens de fé. Homens são forçados a entrar em campos de concentração, e suas famílias são forçadas a viver com homens chineses. As mulheres são forçadas a se casar com homens chineses. Mas os muçulmanos estão calados, não fazem um barulho sequer. Eles os abandonaram. Eles não sabem que consentir à perseguição é uma perserguição em si?”.

O tratamento do qual Özil fala aqui foi denunciado por um painel da ONU sobre direitos humanos em 2018, com a organização alegando ter recebido diversos relatórios credíveis de que haveria mais de um milhão de muçulmanos da minoria uigur (e de outros grupos muçulmanos) sendo detidos, cercados por arames farpados e torres de vigilância, sob o pretexto de um processo de “erradicação do extremismo religioso” e “treinamento vocacional”. Oficialmente, a China chama esses espaços de “campos de reeducação”.

O portal Goal.com conta que Özil teria sido excluído também da versão chinesa do game FIFA Online, mas não conseguimos encontrar posicionamentos oficiais da Tencent, distribuidora do jogo na China.

Depois da publicação do meia, o Arsenal, seu clube, que possui interesses comerciais na China, preferiu deixar claro que o conteúdo era “uma opinião pessoal do jogador”. Acabou criticado pela forma como, dizendo ser apolítico, abandonou o seu atleta e tomou a posição política de virar as costas para a questão para preservar suas relações.

O Colônia, da Alemanha, por outro lado, suspendeu um acordo que tinha com o governo chinês para construir uma academia de futebol depois do incidente com Özil, com seus dirigentes afirmando que “a liberdade e os direitos humanos são mais importantes que qualquer dinheiro do mundo”.