Um Olimpia x Cerro Porteño não precisaria de pretexto para valer muito. É o maior clássico do Paraguai, que mobiliza as massas em Assunção e sempre conta com arquibancadas divididas no Defensores del Chaco. O dérbi deste domingo, no entanto, possuía um tempero a mais. Os dois rivais se encaravam na reta decisiva do Clausura Paraguaio. Uma vitória dos franjeados os encaminharia ao título, enquanto o triunfo azulgrana retomaria a competitividade. Prevaleceu justamente o empate por 2 a 2, que terminou sendo muito melhor ao Decano, por todas as circunstâncias malucas da ocasião. Com ampla vantagem na liderança, o Rey de Copas não precisará de muito para faturar mais uma taça, após já ter vencido o Apertura.

A primeira loucura do clássico aconteceu aos 16 minutos. Fernando Ovelar foi lançado em velocidade e, com um sutil toque por cima do goleiro, abriu o placar ao Cerro Porteño. A história já se cumpria ali. Na última semana, o pirralho de 14 anos havia se tornado o jogador mais jovem a entrar em campo pelo Ciclón. Menos de uma semana depois, anotava um gol decisivo contra o maior rival. O fato de ser neto de um antigo ídolo do clube pode até ajudar. Mas é preciso ter talento e, sobretudo, coragem para conseguir fazer o Defensores del Chaco explodir quando ainda se vive o auge da puberdade. Curioso também que, naquele momento, o guri dividia o gramado com Roque Santa Cruz. Quando Ovelar nasceu, em 2004, o ídolo olimpista já tinha uma Copa do Mundo no currículo, além de um título da Champions com o Bayern de Munique.

O Olimpia arrancou o empate ainda no primeiro tempo. Mesmo impedido, Nestor Camacho teve o seu tento validado pela arbitragem, em lance confuso. O resultado beneficiava o Decano e o Cerro precisava partir ao ataque. Ovelar era um perigo constante no lado azulgrana, mas não voltou a marcar. O segundo gol saiu apenas aos 50 do segundo tempo. Após uma falta na intermediária, a bola pipocou na defesa franjeada e, depois de um passe meio sem querer de Diego Churín, Marcos Acosta completou para as redes. A vitória estava nas mãos do Ciclón.

O problema veio depois. Uma confusão generalizada aconteceu no meio-campo e o árbitro decidiu expulsar Hernesto Caballero e Victor Cáceres, um para cada lado. O juiz também ampliou os acréscimos, com o relógio batendo nos 58 minutos. Foi quando o Cerro cedeu um pênalti bobo ao Olimpia. Jorge Ortega cobrou com autoridade e determinou o empate que satisfazia o seu time.

Depois da partida, obviamente, houve muita reclamação do Cerro. Cáceres apontou que se sentia roubado, pelo gol impedido e pelo excesso de acréscimos. “Esse árbitro é uma vergonha, todo o povo azulgrana se sente roubado, não tenho palavras. O árbitro, na verdade, me deu pena, porque não sabia o que fazer”, declarou, na saída de campo. Já Fernando Jubero, técnico dos azulgranas, classificou este como o “clássico da vergonha”. De positivo ao Ciclón, só mesmo o destaque de Ovelar, com um lindo gol e boas jogadas.

Restando cinco rodadas para o fim do Clausura no Paraguai, o Olimpia soma 39 pontos. É o dono do melhor ataque, com sobras, o que explica a campanha massiva. Os franjeados acumulam sete pontos de vantagem sobre o Cerro Porteño, segundo colocado, que não vence há quatro rodadas. Só um milagre parece capaz de reviver os azulgranas na disputa. E a quizumba deste domingo só afastou as possibilidades.