Ovacionado pela torcida, Rafinha fez uma partidaça emblemática à sua reputação no Bayern


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Completar sete temporadas em um dos clubes mais poderosos do mundo, obviamente, depende de virtudes. Rafinha não se coloca entre os protagonistas do Bayern de Munique, mas desde que desembarcou na Baviera, em 2011/12, sempre foi um jogador bastante útil. Revezando-se entre titulares e reservas, deixa de lado qualquer vaidade para se dedicar à equipe. E essa entrega costumeira, talvez sua grande qualidade, é o que vale todo o reconhecimento na Allianz Arena. Nesta quarta, o brasileiro atuou improvisado e com uma grande incumbência defensiva contra o Sevilla. Terminou a noite como o melhor em campo no empate por 0 a 0, suficiente à classificação, e foi ovacionado ao ser substituído por Jupp Heynckes nos minutos finais. Uma partida simbólica à sua trajetória entre os bávaros, com 232 aparições acumuladas pelo clube.

A escolha por Rafinha era clara. Sem o lesionado David Alaba, Heynckes privilegiou a experiência e a consistência do brasileiro, escalado na lateral esquerda. O treinador não quis arriscar novamente a entrada de Juan Bernat, após o espanhol se sair mal durante o primeiro tempo da visita ao Ramón Sánchez-Pizjuán. Rafinha já tinha o substituído naquela noite, resolvendo os problemas por ali. Voltou a jogar no final de semana, na partida que confirmou a conquista da Bundesliga. E a nova participação contra os andaluzes se tornava praticamente obrigatória.

Rafinha seria bastante testado. O Sevilla apostava nas jogadas pelo lado do campo, e a força pela direita era evidente. Pablo Sarabia partia à linha de fundo, apoiado por Jesús Navas como lateral. E o camisa 13 do Bayern ia muito bem na função. Fechava os espaços e dificultava as investidas, por mais que vez ou outra os andaluzes conseguissem ameaçar. Além disso, seu apoio ao ataque também era importante, até para dar liberdade a Franck Ribéry afunilar rumo à área.

Já o momento crucial a Rafinha (e ao próprio Bayern) aconteceu aos 44 do primeiro tempo. Após uma saída errada de bola, o Sevilla deu o contragolpe e Sarabia saía na cara do gol. Pois o lateral se esticou todo para executar um desarme belíssimo, essencial, até mesmo lesionando o ombro. Entre as muitas ações defensivas cirúrgicas dos bávaros na noite, foi a melhor. E apesar das dores, o brasileiro preferiu continuar em campo. Preferiu ajudar seu time rumo à classificação.

Na segunda etapa, Rafinha também participou bastante na pressão inicial do Bayern. Deu um cruzamento na medida para Robert Lewandowski, que não aproveitou. De qualquer maneira, sua atuação gigante acontecia mesmo sem a bola. Ocupava os espaços, fechava a marcação, afastava os perigos. Era praticamente perfeito quando requisitado e, apesar da tentativa de abafa dos rojiblancos, auxiliou os bávaros a manterem a segurança. Somente aos 41, com uma expressão de dor, deixou o campo. Heynckes preferiu aumentar a estatura na área, diante das bolas alçadas, com a entrada de Niklas Süle. De qualquer forma, era também um reconhecimento ao lateral, recebendo uma chuva de aplausos da multidão presente nas arquibancadas. Melhor prêmio para tamanho esforço não há.

O futuro de Rafinha no Bayern é incerto. O contrato vai até junho, ainda sem renovação. Entretanto, não há muitos motivos para o clube abrir mão de um homem de confiança. Os titulares nas laterais são bem definidos, mas o brasileiro pode ser opção a ambos, por sua polivalência e por sua funcionalidade – utilizado também como ponta direita nos últimos jogos. E se Jupp Heynckes continuar no banco de reservas, como a diretoria já manifestou interesse, surge um motivo a mais para a camisa 13 permanecer com o mesmo dono. O comandante sabe a importância que o defensor têm no elenco.

A fase positiva de Rafinha neste final de temporada, aliás, poderia ser um empurrão a quem corre por fora na briga pela convocação à Copa do Mundo. Chamado para os amistosos de julho de 2017, o lateral não voltou à Seleção desde então. Todavia, em tese, segue no radar de Tite – com quem conversou antes de aceitar o chamado, até pela recusa a uma chance com Dunga quando vislumbrava a possibilidade de atuar pela seleção alemã. Borracha sobre o passado, o camisa 13 permanece disponível. E sua dedicação, sua tarimba, sua versatilidade e principalmente a segurança apresentada nesta quarta podem ser levadas em consideração pelo treinador. Não é com qualquer exibição que um lateral sai de campo tão aplaudido em noite decisiva de Liga dos Campeões.


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