Nicolás Lodeiro chegou ao Boca Juniors com o peso de uma grande contratação. Recebeu a lendária camisa 10 xeneize e fez juras de amor até incomuns para um estrangeiro. Ajudado bela boa lábia e pela mística, bastaram algumas boas atuações para cair de vez nas graças da torcida. A ponto de deixar o campo de La Bombonera ovacionado nesta quarta, após marcar um dos gols no passeio por 5 a 0 sobre o Zamora pela Libertadores. A questão maior é: até que ponto os boquenses podem confiar no uruguaio?

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Afinal, Lodeiro nunca se tornou o craque que despontou no Nacional e nas seleções de base. Teve uma passagem frustrante pelo Ajax, liberado sem renovar o contrato. Alternou bons e maus momentos no Botafogo, a ponto de ser vaiado pela torcida. E nunca mostrou a que veio no Corinthians, sem se encaixar no perdido time de Mano Menezes. Já na Celeste, não foi mais do que um mero coadjuvante, ainda que estivesse no time titular em momentos importantes. Por mais que o Boca Juniors não viva os seus melhores momentos, a chance no clube calhou demais para o meio-campista. A sua grande oportunidade de vingar.

O Boca investiu pesado visando a Libertadores. Mas o seu pacotão visando o sétimo título continental tem cara de Atlético Mineiro de 2013: vários refugos, alguns com talento, mas que precisam ter vontade de se reerguer. O maior exemplo é o de Pablo Osvaldo, bom atacante, mas que se encostou em seus últimos clubes. No entanto, o fato de torcer pelos xeneizes parece motivar o artilheiro, autor de três gols em seus dois primeiros jogos no torneio. Outros nesta linha (alguns no clube há mais tempo) são Fernando Gago, Burrito Martínez e Marco Torsiglieri. Além, é claro, de Lodeiro.

No time de Rodolfo Arruabarrena, Lodeiro atua mais adiantado do que estava acostumado no Brasil. De segundo ou terceiro homem do meio de campo, o camisa 10 assumiu de vez a função de armador, jogando geralmente atrás dos atacantes. Mais adiantado, não se encarrega tanto da marcação, embora ajude, além de ter mais liberdade de cair pelos lados do campo. E, não dá para negar, o uruguaio possui qualidade técnica para ditar o ritmo de jogo e criar oportunidades. Somente na Libertadores ele já deu duas assistências e anotou um gol, o de hoje, o primeiro pelo clube. Os xeneizes seguem com 100% de aproveitamento, com três vitórias em três partidas.

Os adversários da chave, é verdade, não são dos mais fortes e o próprio passeio contra o Zamora indicou isso. É preciso ter calma ao avaliar o Boca, ainda que a camisa pese nos mata-matas. E talvez seja mesmo essa mística que também ajude a Lodeiro jogar. O meia parece motivado no novo clube, deixando para trás os momentos de pouco comprometimento que teve no Brasil. Nunca será um décimo do que foi Riquelme com a camisa 10, mas começa a ser um dos principais condutores no sonho de uma boa campanha na Libertadores. A confiança e a liberdade o ajudam muito neste momento. Mas é bom os xeneizes estarem cientes: Lodeiro também já decepcionou muita gente. Sempre é bom ficar com um pé atrás, mesmo que os aplausos o impulsionem ainda mais.