Outro morto no Horto e Atlético vive maior épico de sua história

Victor mais uma vez é o herói do Galo, que bateu o Newell's para ter o gosto de sua primeira final de Libertadores

Etapa após etapa, o Atlético Mineiro compõe o seu épico na Copa Libertadores. Outra vez, quando as esperanças pareciam perdidas, os alvinegros avançaram. A derrota por 2 a 0 em Rosário, no jogo de ida, ou a inferioridade no segundo tempo não foram capazes de derrubar o Galo. O primeiro herói a surgir no Independência foi Guilherme que, a sete minutos do fim, garantiu a vitória por 2 a 0 e levou a decisão para os pênaltis. Então, quem se agigantou novamente foi Victor, salvando outra penalidade, colocando os atleticanos na final.

Como era previsto, o Newell’s Old Boys foi um adversário perigosíssimo, o mais qualificado que os mineiros enfrentaram nesta Libertadores. Os leprosos mantiveram uma postura ofensiva, mesmo com a vantagem no placar agregado, e souberam escapar da pressão do Horto. Contudo, os pênaltis, que tinham sido salvadores contra o Boca Juniors nas quartas, privaram os argentinos de sua terceira final continental.

Melhor para o estreante Atlético, que terá o tradicionalíssimo Olimpia pela frente. No entanto, mesmo vivendo a experiência de uma decisão de Libertadores pela primeira vez, o Galo está longe de ser o azarão. A queda de nível apresentada na sequência recente de jogos parece ter ficado para trás, ao menos pela postura apresentada nesta quarta. Não foi o time que sobrou na primeira fase, mas já voltou a demonstrar méritos para conquistar o continente, especialmente pelo empenho em reverter um resultado bastante adverso.

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Cuca pediu um gol dentro dos primeiros 20 minutos de jogo. E o seu desejo foi atendido bem antes disso. O Atlético iniciou o jogo em uma pressão incessante, forçando os erros do Newell’s. E, em uma saída de bola imprecisa do goleiro Nahuel Guzmán, nasceu a jogada do tento de Bernard, logo aos três minutos. Ronaldinho deu um passe açucarado e, ao contrário do que aconteceu em Rosário, o meia não desperdiçou no mano a mano.

Não foi o gol precoce que abalou os leprosos, nem a pressão da torcida no Independência. Seguindo a cartilha de Gerardo Martino, o Newell’s prendia a bola e tentava explorar os lados do campo. Mas, desta vez, encontrou um adversário bem mais compactado na postura defensiva, fazendo um ótimo trabalho na pressão sobre a saída de bola. Como resultado, os argentinos criavam pouco, com muitas dificuldades para chegar ao ataque.

O Newell’s só passou a sentir um pouco mais o sufoco imposto pelo Atlético quando Gabriel Heinze precisou ser substituído, desestabilizando a defesa. A partir de então, quem começou a aparecer foi Guzmán. O goleiro realizou dois verdadeiros milagres, o segundo mesmo com o rosto cheio de curativos, após choque com Tardelli. E, enquanto paravam no camisa 1, os mineiros também ficavam na bronca com o árbitro, reclamando de um pênalti em Jô.

O intervalo veio em boa hora ao Newell’s. Tata Martino acertou o time, que passou a se compor de maneira bem mais consistente na defesa e levava perigo nos contra-ataques. Na melhor chance, quatro invadiram a área e acabaram se atrapalhando na conclusão. Enquanto isso, o Atlético sentia as dificuldades na criação, assim como a torcida trocava a empolgação nas arquibancadas pela apreensão.

A sorte do Atlético só começou a virar aos 32 do segundo tempo. Alguns refletores se apagaram no Independência e, depois de 11 minutos de interrupção, os alvinegros voltaram a campo com outro brio. Méritos também do técnico Cuca, que já tinha colocado Luan no lugar de Pierre e deu ainda mais força ofensiva ao time com as entradas de Alecsandro e Guilherme.

A partir da jogada de dois substitutos, nasceu o gol salvador. Luan alçou a bola na área e Diego Mateo, até então impecável ao anular Ronaldinho, espanou na hora de livrar a bola da área. Sobra que Guilherme, que já tinha mostrado suas credenciais com um ótimo chute pouco antes, não desperdiçou. Sobrevida ao Galo, que selaria sua sorte na disputa por pênaltis.

Nas quatro primeiras cobranças, precisão. Alecsandro, Scocco, Guilherme e Vergini balançaram as redes. Nas quatro seguintes, os erros de Jô, Casco, Richarlyson e Cruzado. E a responsabilidade sobrou para os dois jogadores mais tarimbados. Ronaldinho deixou os atleticanos em vantagem. Já Maxi Rodríguez bateu bem, mas Victor foi ainda melhor. Vitória por 3 a 2, inesquecível para a massa alvinegra, que finalmente terá o gosto de ver seu time na decisão da Libertadores.

São mais duas semanas até o desfecho do torneio. Na próxima, um desafio duríssimo do Defensores Del Chaco, onde o Olimpia se mantém invicto nesta Libertadores. Já a volta não deverá acontecer no Independência, por conta da capacidade do estádio. Hora para os atleticanos trocarem o mote “caiu no Horto, tá morto” por aquela que pode ser a maior alegria de suas vidas.

Formações iniciais

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Destaque do jogo

Victor. Durante o tempo normal, o goleiro atleticano realizou três boas defesas, embora tenha rebatido demais os chutes do Newell’s. E, nos pênaltis, o camisa 1 voltou a se consagrar diante da torcida. Saltou no mesmo canto em que Maxi Rodríguez havia cobrado seu pênalti na disputa contra o Boca Juniors e espalmou o chute, colocando o Galo na final.

Momento chave

O apagão nos refletores, aos 32 minutos do segundo tempo. Proposital ou não, o momento marcou a mudança da postura do Atlético no segundo tempo. Sem criatividade, o Galo partiu para o tudo ou nada na volta. Cuca trocou Bernard e Tardelli por Alecsandro e Guilherme, perdendo em mobilidade, mas ganhando em definição. Colheu o gol que levou o jogo aos pênaltis.

Os gols

3’/1T – GOL DO ATLÉTICO! Ronaldinho enfia a bola para Bernard, que ganha do marcador na velocidade. O meia sai na cara do gol e toca por baixo do goleiro Guzmán.

41’/2T – GOL DO ATLÉTICO! Mateo afasta mal a bola da área e Guilherme pega o rebote. O atacante chuta forte e acerta o canto de Guzmán, sem chances de defesa.

Curiosidade

O Atlético Mineiro é o 32º clube brasileiro a chegar a uma final de Libertadores. Assim, o país ultrapassa a Argentina (31) como país com mais representantes em decisões do torneio.

Ficha técnica

ATLÉTICO MINEIRO 2×0 NEWELL’S OLD BOYS (Nos pênaltis, 3 a 2 Atlético)

Atlético Mineiro
Victor, Marcos Rocha, Leonardo Silva, Gilberto Silva e Richarlyson; Pierre (Luan, 31’/2T) e Josué; Diego Tardelli (Alecsandro, 33’/2T), Ronaldinho e Bernard (Guilherme, 33’/2T); Jô. Técnico: Cuca
Newell’s Old Boys
Nahuel Guzmán, Marcos Cáceres (Horacio Orzán, 43’/2T), Santiago Vergini, Gabriel Heinze (Victor López, 26’/1T) e Milton Casco; Diego Mateo, Lucas Bernardi e Rinaldo Cruzado; Victor Figueroa (Martin Tonso, 28’/2T), Ignacio Scocco e Maxi Rodríguez. Técnico: Gerardo Martino.
Local: Estádio Independência (Belo Horizonte)
Árbitro: Roberto Silveira (URU)
Gols: Bernard, 3’/1T; Guilherme, 40’/2T. Nos pênaltis, Alecsandro, Guilherme e Ronaldinho converteram para o Atlético, Richarlyson e Jô perderam; Scocco e Vergini converteram para o Newell’s, Maxi Rodríguez, Cruzado e Casco perderam.
Cartões amarelos: Bernard e Pierre (Atlético); Cáceres e Casco (Newell’s)
Cartões vermelhos: Nenhuma